Lucro semestral da Corticeira Amorim tropeça 31,7% com reestruturação nos pavimentos
Vendas do grupo de Santa Maria da Feira caíram 5,8% para 445,8 milhões de euros até junho. Rios de Amorim assume que está à procura de parceiros para crescer fora das rolhas e diversificar clientes.
A Corticeira Amorim COR 1,21% fechou a primeira metade deste ano com um resultado líquido de 25,2 milhões de euros, que ficou 31,7% abaixo do lucro reportado no mesmo período do ano passado, segundo indicou num comunicado enviado esta quarta-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
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A quebra nos resultados é justificada pelo grupo de Santa Maria da Feira com o impacto de custos não recorrentes avaliados em 14,7 milhões e “relacionados com a implementação da reestruturação do segmento de pavimentos da Amorim Cork Solutions [13,5 milhões registados no segundo trimestre] e com iniciativas de ajustamento da estrutura de custos face aos atuais níveis de atividade”.
Nos primeiros seis meses deste ano, que terminou com 4.419 trabalhadores (vs. 4.640 em junho de 2025), as vendas consolidadas (para mais de uma centena de países) caíram 5,8% para 445,8 milhões de euros, penalizadas também pela depreciação do dólar (excluindo este efeito, o decréscimo teria sido de 4,6%).
A atividade manteve-se “condicionada” pela contração dos volumes em todas as unidades de negócio, e por um mix de produto menos favorável na Amorim Cork (-7,2%, para 366,8 milhões), em particular nas rolhas para vinhos tranquilos. A faturação da Amorim Florestal também caiu 9,9% para 105,9 milhões.
Ainda assim, destaca a “melhoria significativa” na Amorim Cork Solutions, em que há cerca de dois anos concentrou os três segmentos “não rolha”: as vendas crescerem 5,3% no segundo trimestre, invertendo a quebra no arranque do ano e estabilizando a faturação nos 81,7 milhões de euros a nível semestral. O contributo do aeroespacial, da selagem e das aplicações desportivas compensou a contração nos pavimentos.

Apesar dos “efeitos adversos da desalavancagem operacional e do mix de produto”, o grupo nortenho assinala aos investidores que a margem EBITDA manteve-se em 18,4% – beneficiou da redução dos preços de consumo de matérias-primas cortiça e de um “rigoroso” controlo dos custos operacionais –, com o EBITDA consolidado a totalizar 82,1 milhões (-5,5%).
No final de junho, a dívida remunerada líquida ascendia a 63,6 milhões de euros. Apesar do pagamento de dividendos (46,6 milhões), do investimento em ativo fixo (13,7 milhões), das aquisições realizadas (8,3 milhões) e da execução do programa de recompra de ações (4,6 milhões, por 700 mil títulos), nota que “foi possível” reduzir a dívida líquida em 12,3 milhões face ao final de dezembro.
Reestruturação nos pavimentos chega à Alemanha
Reclamando um desempenho que “voltou a demonstrar a resiliência do modelo de negócio e a solidez do balanço” da Corticeira Amorim, o presidente e CEO destaca a implementação este ano de duas “iniciativas relevantes para o crescimento sustentável” da companhia: a joint venture com a americana Scott Laboratories focada nas rolhas para vinhos e bebidas espirituosas, que já contribuiu com 6,2 milhões para as vendas; e a aquisição de posições minoritárias em empresas do grupo para “aumentar a flexibilidade organizacional, simplificar estruturas de decisão e reforçar a eficiência operacional”.
Por outro lado, neste comunicado aos investidores, António Rios de Amorim assinala que “o potencial da cortiça vai muito além do setor vitivinícola”, antevendo que as suas aplicações industriais “oferecem oportunidades de crescimento, diferenciação e criação de valor no futuro”. E assume mesmo que o grupo está à procura de parceiros para crescer nos negócios extra rolhas e diversificar os clientes.
“Estamos disponíveis para alocar recursos ao reforço das nossas competências e abertos à colaboração com parceiros internacionais, nomeadamente nos Estados Unidos e na Ásia, que possam contribuir com conhecimento, escala e acesso a novos mercados, acelerando o desenvolvimento de soluções inovadoras para a cortiça”, acrescenta o empresário.
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"Estamos disponíveis para alocar recursos ao reforço das nossas competências e abertos à colaboração com parceiros internacionais, nomeadamente nos Estados Unidos e na Ásia, que possam contribuir com conhecimento, escala e acesso a novos mercados, acelerando o desenvolvimento de soluções inovadoras para a cortiça.”
No que toca à reestruturação na área dos pavimentos, um dos três segmentos “não rolha” – os outros são os isolamentos e os compósitos de cortiça – que tem agora concentrados numa única unidade de negócios (Amorim Cork Solutions), a Corticeira Amorim argumenta que o processo iniciado em maio de 2024 visa “proteger a rentabilidade e assegurar a viabilidade de longo prazo do negócio”.
Além do ajustamento da estrutura produtiva e das áreas de suporte à atual dimensão das vendas, “assenta igualmente em iniciativas orientadas para o reposicionamento do negócio, através da disponibilização de um portefólio mais diferenciador, rentável e sustentável, bem como na evolução do modelo de distribuição, passando de uma estrutura assente em filiais próprias no exterior para uma rede de distribuidores”, acrescenta.

Este novo modelo de distribuição tem avançado gradualmente em vários países, tendo já levado ao encerramento da atividade de 11 subsidiárias comerciais, sendo a novidade mais recente o facto de também a Alemanha passar a ser gerida como mercado direto, o que implicou a “reestruturação da entidade local, com vista ao alinhamento da sua estrutura física, níveis de inventários e recursos humanos”.
“Apesar de se manter alguma estrutura local de suporte na Alemanha, esta mudança permitirá a migração de serviços para as áreas centrais em Portugal, promovendo uma maior proximidade entre a equipa – nomeadamente de investigação e desenvolvimento – e os clientes finais”, detalha a Corticeira Amorim no mesmo documento.
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