Um terço dos médicos em exercício tem menos de 35 anos

Quase 87% dos médicos em exercício em Portugal exercem atividade especialista, o que supera a média europeia (cerca de 74%) e é mesmo um dos valores mais elevados da União Europeia.

O país contava em 2024 com mais de 46 mil médicos em exercício, dos quais um terço tinha menos de 35 anos, de acordo com os dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Na comparação europeia, Portugal destaca-se ao ter a terceira maior fatia de médicos com atividade especialista.

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“O número de médicos em exercício, excluindo estomatologistas e cirurgiões maxilofaciais, era em 2024 de 46.131, dos quais 65% eram do sexo feminino. Cerca de um terço (32,9%) destes profissionais tinham menos de 35 anos e 7,3% tinham 65 ou mais anos”, informa o gabinete de estatísticas, num destaque publicado esta manhã.

Do total de profissionais em exercício, 86,8% exerciam uma especialidade, o que fica acima da média comunitária (73,7%) e é mesmo um dos valores mais elevados entre os vários Estados-membros da União Europeia (só a Grécia e a Bulgária superam Portugal).

“Em 2024, entre as especialidades mais representadas em Portugal, destacavam-se as especialidades médicas: em particular, a pediatria, que era exercida por 9,0% dos médicos a exercer uma especialidade”, sublinha o INE.

O gabinete de estatísticas avança também que, entre 1991 e 2025, o número de médicos inscritos na respetiva Ordem, em exercício ou não, mais do que duplicou (em 1991, eram apenas 28.326). Tal reflete, indica o INE, uma taxa média de crescimento anual de 2,5%.

“Neste período, a relação de masculinidade diminuiu de forma sustentada: em 1991, estavam inscritos 148,8 profissionais do sexo masculino por 100 mulheres; em 2025, a relação era de 69,7 homens por 100 mulheres”, é destacado na nota divulgada esta manhã.

Esta sexta-feira, o INE adianta também que, no último ano, estavam inscritos na Ordem dos Médicos Dentistas 12.796 membros profissionalmente ativos, “o triplo do registado em 2002”. “O rácio de médicos dentistas residentes por mil habitantes era de 1,12 em 2025, observando-se os rácios mais elevados na Área Metropolitana do Porto (1,72) e em Viseu Dão Lafões (1,57)”, é salientado.

"Na Ordem dos Enfermeiros 87 843 membros profissionalmente ativos, mais do dobro do que em 2002 (41.799); o rácio de enfermeiros profissionalmente ativos por 1 000 habitantes era de 7,7, atingindo 14,4 na Região de Coimbra.”

INE

Já na Ordem dos Enfermeiros estavam inscritos 87.843 membros profissionalmente ativos, “mais do dobro do que em 2002”. “O rácio de enfermeiros profissionalmente ativos por mil habitantes era de 7,7, atingindo 14,4 na Região de Coimbra“, observa o INE.

Já quanto aos farmacêuticos, os dados mostram que estavam inscritos na respetiva Ordem 17.301 membros profissionalmente ativos, mais do dobro do registado em 2022. O rácio por mil habitantes foi, neste caso, de 1,5, com os máximos a serem registados na Região de Coimbra (2,4) e Grande Lisboa (2,1).

Por fim, o INE indica que, em 2025, estavam inscritos na Ordem dos Psicólogos Portugueses 27.838 membros efetivos ou estagiários, dos quais 76,6& eram mulheres com menos de 55 anos e 27,3% detinham, pelo menos, um título de especialidade.

“A Psicologia Clínica e da Saúde era a especialidade base mais representada (65,6% dos títulos de especialidade atribuídos)”, realça o gabinete de estatísticas.

Rendimento líquido mediano fixa-se em 12 mil em Portugal

Esta sexta-feira, o INE deu a conhecer também as estatísticas relativas ao rendimento mediano distribuído pelos vários municípios que compõem o país. De acordo com o destaque publicado esta manhã, em 2024, o valor mediano do rendimento líquido por pessoa foi de 12.316 euros em Portugal (o correspondente a um aumento de 7,6%), sendo que 74 municípios superam esse valor.

“Neste conjunto, encontravam-se todos os municípios da Grande Lisboa (nove municípios) e da Península de Setúbal (nove municípios), destacando-se Oeiras (17.250 euros), Lisboa (15.188 euros), Alcochete (14.889 euros) e Cascais (14.524 euros) com os valores medianos mais elevados do país.

Também acima do valor mediano nacional encontravam-se 17 municípios do Centro, 11 do Oeste e Vale do Tejo, nove do Alentejo, nove do Norte, seis da Região Autónoma dos Açores, três da Região Autónoma da Madeira e o município de Faro, no Algarve.

“No caso da Área Metropolitana do Porto destacavam-se, pelos elevados valores medianos observados, três municípios contíguos – Maia (13.851 euros), Matosinhos (13.277 euros) e Porto (13.210 euros)“, realça o INE.

Ainda assim, os valores mais baixos, inferiores a 10.500 euros, encontravam-se, sobretudo, nos municípios do interior da região Norte, de acordo com os dados agora conhecidos.

O INE acrescenta que, m 2024, o coeficiente de Gini do rendimento líquido por pessoa era de 35,6% em Portugal (mais 0,1 pontos percentuais do que em 2023).

“Em 29 municípios, a desigualdade na distribuição do rendimento foi superior à do país, destacando-se os municípios de Lisboa (42,9%), Vila do Porto (42,3%), Porto (42,0%) e Cascais (40,5%)“, é indicado.

(Notícia atualizada às 11h47)

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