Exames nacionais. Pedidos de reapreciação de notas disparam 44%

Os pedidos de reapreciação da primeira fase dos exames nacionais aumentaram cerca de 44% face ao ano passado, passando de cerca de 6.200 para 8.900, revelou esta sexta-feira o ministro da Educação.

O ministro da Educação, Fernando Alexandre, revelou esta sexta-feira que foram apresentados 8.900 pedidos de reapreciação na primeira fase dos exames nacionais. Isto é, mais 2.700 do que no ano passado, quando se registaram cerca de 6.200.

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“Do ponto de vista das reapreciações, que muitas pessoas disseram que íamos ter um enorme aumento, que punha em causa o sistema, hoje terminou o processo de reapreciação e, enquanto no ano passado tivemos cerca de 6.200 pedidos, este ano temos, para já, 8.900“, afirmou Fernando Alexandre, em Braga, no dia em que termina a segunda fase dos exames nacionais.

O anúncio foi feito numa semana marcada pela deteção de novos erros na correção dos exames. Na quinta-feira, o EduQA corrigiu os números inicialmente divulgados e esclareceu que foram 18.321 as classificações efetivamente alteradas após a correção dos erros de parametrização, e não 5.314, como o Júri Nacional de Exames (JNE) tinha indicado na quarta-feira.

O ministro defendeu que a possibilidade de os alunos consultarem as provas contribuiu para a confiança no processo. “Com toda a incerteza que existiu, isto só é possível porque o aluno teve a oportunidade de ver a sua prova, de a analisar e de dizer: ‘Esta é a prova que eu fiz, esta é a classificação que eu esperava’. Por isso, o aluno está tranquilo”, afirmou.

Já o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, discorda da leitura do ministro da Educação e considera que o aumento dos pedidos de reapreciação resulta da “desconfiança no processo e não da confiança”, como defendeu o governante.

“É um aumento substancial porque é um processo em que ainda não acreditamos”, disse Filinto Lima, em declarações à RTP, acrescentando que “até esperava um número maior“. O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas espera que este “modelo seja aprovado” na 2.ª fase dos exames, que termina esta sexta-feira, “porque até agora foi totalmente reprovado. Nota negativa ao modelo de correção das classificações das provas de exame”.

Fernando Alexandre garantiu ainda que a digitalização das provas da 2.ª fase está a decorrer “com toda a normalidade” e afastou a possibilidade de novos problemas. “Os classificadores receberão as provas na segunda-feira, como estava previsto e, penso, sem erros”, afirmou, acrescentando que pretende “melhorar esta relação também com os classificadores, que são cruciais neste processo”, reconhecendo, no entanto, que, devido à “perturbação do processo”, estes “tiveram muito mais trabalho e dificuldades”.

“Há provas que já estão totalmente digitalizadas e que estão em condições de ser distribuídas, sem erros, aos professores (…) Estamos confiantes de que a segunda fase vai decorrer com normalidade e que vamos poder responder a estes alunos”, disse Fernando Alexandre.

O ministro indicou ainda que existiam, até à noite de quinta-feira, cerca de 600 casos de desconformidades nas provas digitalizadas, abaixo dos 680 casos que tinha confirmado na quarta-feira.

“Tínhamos ontem à noite cerca de 600 casos de desconformidades. Isto é, de alunos que receberam a prova e que não correspondia na totalidade ao seu caso. Damos todas as garantias de que, no final, os alunos terão a nota justa e o Júri Nacional de Exames está a resolver cada um desses casos individualmente. Espero que hoje, ao final da manhã, tenhamos muitos menos casos e que, idealmente, todos os casos da primeira fase fiquem resolvidos“, afirmou Fernando Alexandre.

(Notícia atualizada às 11h05 com mais informação)

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