PS já admite avançar com comissão de inquérito aos exames nacionais. Exige respostas até setembro
PS deu ao Governo até ao início de setembro para esclarecer as falhas nos exames. Caso as respostas não cheguem ou sejam insuficientes, admite avançar com uma comissão parlamentar de inquérito.
O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, afirmou esta sexta-feira que o partido está a ponderar avançar com uma comissão parlamentar de inquérito, caso continuem a faltar esclarecimentos sobre os exames nacionais.
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“O Partido Socialista ainda hoje irá endereçar ao senhor ministro dos Assuntos Parlamentares um conjunto muito alargado de questões, procurando que o Governo lhes responda”, disse esta sexta-feira Brilhante Dias, em Lisboa.
O líder parlamentar do PS deu ao Governo um prazo até ao início de setembro para responder às questões do partido, garantindo então que, se os esclarecimentos não forem suficientes, avançará com uma comissão parlamentar de inquérito.
Brilhante Dias defendeu ainda a realização de uma auditoria externa e independente ao processo, promovida nos termos que vierem a ser definidos pela Assembleia da República. “Desde já lançamos ao Governo a ideia de que este processo precisa de uma auditoria externa, independente, promovida com os parâmetros que a Assembleia da República venha a determinar, tal como aconteceu noutras comissões parlamentares de inquérito”, afirmou.
Desde já lançamos ao Governo a ideia de que este processo precisa de uma auditoria externa, independente, promovida com os parâmetros que a Assembleia da República venha a determinar, tal como aconteceu noutras comissões parlamentares de inquérito.
O líder parlamentar do PS afirmou que as questões enviadas ao Governo incidem sobre “três ou quatro aspetos nucleares” de todo o processo, desde a elaboração das provas até à divulgação das classificações.
Segundo o líder parlamentar do PS, as primeiras dúvidas surgiram ainda antes da realização dos exames, com as críticas da Sociedade Portuguesa de Matemática à prova de Matemática A e com a polémica em torno de uma pergunta do exame de Português alegadamente idêntica à de um livro de preparação para exames.
Quanto ao processo de classificação, o socialista elencou um conjunto de falhas que, diz, se sucederam ao longo da primeira fase, entre as quais provas com páginas não digitalizadas ou ilegíveis, respostas incompletas enviadas aos classificadores, páginas de exames trocadas entre alunos, convocatórias de professores indisponíveis ou sem habilitação para classificar determinadas disciplinas, atrasos na distribuição das provas, reclassificação de itens sem intervenção do classificador original e insuficiência de tempo para a correção.
Brilhante Dias apontou ainda problemas na afixação das classificações, erros na transferência de dados entre o sistema central e as escolas, falhas na classificação automática de perguntas de escolha múltipla e a necessidade de rever milhares de classificações após terem sido identificados erros de parametrização em vários exames.
O líder parlamentar do PS acrescentou que a Sociedade Portuguesa de Matemática identificou um alegado erro na prova de Matemática da segunda fase dos exames nacionais. O EduQA, contudo, afirmou esta sexta-feira que o item em causa não justifica qualquer correção.
Entre as questões que o PS pretende ver esclarecidas está a fundamentação técnica da decisão de generalizar a digitalização da correção dos exames nacionais. “Qual é o fundamento técnico para a decisão de digitalização desta forma?“, questionou Eurico Brilhante Dias.
O líder parlamentar do PS disse ainda que o partido quer saber por que razão o Governo anunciou, em setembro, a generalização do modelo sem dispor de informação precisa sobre os problemas entretanto identificados e se existiram alertas por parte das estruturas do Ministério da Educação que tenham sido ignorados ou desvalorizados.
(Notícia atualizada às 13h32 com mais informação)
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