EduQA diz que item do exame de Matemática não justifica correção

O EduQA rejeita as críticas da Sociedade Portuguesa de Matemática ao enunciado de uma questão do exame de Matemática A da 2.ª fase e diz que não há fundamento para qualquer correção.

O presidente do EduQA rejeitou esta sexta-feira as críticas da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) ao enunciado do item 5 da prova de Matemática A da 2.ª fase, considerando que a expressão “formulação deficiente”, usada pela associação, é “excessiva” e que não existe fundamento para qualquer medida corretiva.

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A resposta surge depois de a SPM ter alertado para um alegado erro na formulação de uma das perguntas do exame, realizado na quarta-feira. Numa carta dirigida ao presidente do Conselho Diretivo do EduQA, a sociedade científica sustentou que o enunciado do item 5 “não exprime certamente a intenção dos autores” e “não é compatível” com os critérios específicos de classificação.

Em resposta, o presidente do EduQA, Luís Pereira dos Santos, lamenta que a SPM não tenha participado no processo de auditorias do Conselho Científico antes da impressão da versão final das provas, apesar das “diversas diligências” efetuadas nesse sentido.

Entende o EduQA que o enunciado do item 5. da prova de Matemática A da 2.a fase satisfaz plenamente o primeiro destes critérios, não se identificando, por conseguinte, fundamento para qualquer medida corretiva.

Luís Pereira dos Santos

Presidente do EduQA

“A ausência da SPM neste processo é de lamentar, visto que privou o sistema do seu contributo especializado para a melhoria dos instrumentos de avaliação externa, que deve constituir um objetivo comum a todos os intervenientes no processo de elaboração de instrumentos de avaliação externa”, lê-se no comunicado enviado às redações esta sexta-feira.

O EduQA considera que a “formulação adotada assenta em convenções de comunicação habitualmente utilizadas em provas de Matemática e pressupõe um nível de familiaridade compatível com o percurso escolar dos alunos sujeitos a este exame”.

“A questão essencial é determinar se um falante competente de português compreende, de forma inequívoca, o que lhe é solicitado no item, e não se é possível conceber interpretações alternativas particularmente criativas ou inesperadas“, refere o organismo, concluindo que o enunciado “satisfaz plenamente” esse critério.

O EduQA contesta também as alternativas de redação sugeridas pela SPM, argumentando que “não estão isentas de ambiguidades”. Como exemplo, aponta a formulação proposta pela sociedade — “Considere todos os números naturais de cinco algarismos, todos diferentes” — defendendo que a expressão “todos diferentes” pode referir-se tanto aos números naturais como aos cinco algarismos.

Além disso, considera que o “enunciado original não indica, nem explícita nem implicitamente, que seja permitida a repetição dos algarismos”, acrescentando que essa possibilidade “teria de ser expressamente referida”.

Ainda assim, o organismo garante que, caso algum aluno tenha apresentado uma interpretação cientificamente correta e fundamentada do enunciado, incluindo a interpretação sugerida pela SPM, essa situação será “devidamente apreciada no âmbito dos mecanismos de supervisão da classificação, garantindo-se a equidade e a justiça do processo avaliativo”.

Esta nova controvérsia surge depois de, na primeira fase dos exames nacionais, mais de 26 mil provas terem sido impactadas por erros de parametrização identificados em quatro disciplinas: Geografia A, Física e Química A, História A e Português Língua Não Materna.

Ao contrário do que tinha sido comunicado inicialmente, quando o Júri Nacional de Exames (JNE) indicou que 5.314 classificações tinham sido alteradas, o EduQA esclareceu posteriormente que foram 18.321 as classificações efetivamente revistas após a correção daqueles erros de parametrização.

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