Certificados do Tesouro perdem 190 milhões antes de nova série

Os populares Certificados de Aforro atraíram 635 milhões em junho, com a procura a abrandar ligeiramente. Já os Certificados do Tesouro voltaram a sofrer resgates antes da nova Série 5.

Os Certificados do Tesouro sofreram resgates de 191 milhões de euros em junho, marcando o 56.º mês seguido a perder dinheiro. Foi esta falta de atratividade que levou o Governo a mexer nas condições deste produto no início deste mês com o lançamento da Série 5, com uma taxa de juro mais alta.

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Os dados sobre a evolução dos montantes investidores nos certificados foram divulgados esta terça-feira pelo IGCP, com a agência que gere a dívida pública a notar que os portugueses ainda tinham mais de 6,5 mil milhões de euros aplicados em Certificados do Tesouro no final do mês passado.

Desde novembro de 2021 que os aforradores têm vindo a tirar dinheiro destes certificados devido à falta de atratividade deste produto de poupança do Estado. Ou seja, há 56 meses que há mais resgates do que subscrições, período durante o qual o montante investido caiu mais de 11 mil milhões de euros.

Para contrariar esta tendência, o Ministério das Finanças reformulou o produto, substituindo os Certificados do Tesouro Poupança Valor, a 7 anos e com a remuneração associada ao PIB a partir do segundo ano, pela novíssima Série 5, com o prazo de 10 anos e uma taxa média bruta de 2,71% (1,8% em termos líquidos).

Segundo o ministro das Finanças, a nova série, que entrou em vigor no passado dia 6, tinha acumulado subscrições de 120 milhões de euros logo na primeira semana. Os dados relativos ao mês de julho só serão conhecidos daqui a um mês.

Certificados têm quase 50 mil milhões

Fonte: IGCP

Aforro com abrandamento após maior crescimento em três anos

Quanto aos populares Certificados de Aforro, continuam com grande tração junto das famílias. Em junho foram aplicados mais 635,9 milhões de euros em termos líquidos de resgates. Tratou-se de um abrandamento em relação ao mês anterior (que tinha registado o maior ritmo de procura em três anos), mas mantém um nível de subscrições bastante elevado em relação aos meses anteriores.

Os portugueses continuam especialmente atraídos pela subida da taxa de juro base dos Certificados de Aforro, que em junho avançou para 2,215%, impulsionada pelo aumento da Euribor a três meses, e que resulta do impacto da guerra no Irão nos preços da energia e nos preços em geral e da necessidade de o Banco Central Europeu (BCE) subir os juros diretores.

Por outro lado, o Governo também anunciou em abril um aumento dos limites de subscrição destes títulos de 100 mil euros para 250 mil para a Série F (atualmente disponível para subscrição) e dos 350 mil para 500 mil em acumulado de Série E (anterior) e F. Fator que também estará incentivar a procura.

Com as subscrições de junho o montante aplicado em Certificados de Aforro já supera os 43 mil milhões de euros, o valor mais elevado de sempre. Somando os dois tipos de certificados, as famílias confiavam 49,6 mil milhões de euros em poupanças ao Estado.

(notícia atualizada às 15h48)

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