Nuvem já está amarrado em Sines, reforçando Portugal como destino “de confiança” para cabos submarinos

Com quase sete mil quilómetros, o cabo da Google deverá entrar em funcionamento em 2027 e será o primeiro a ligar diretamente Portugal aos Estados Unidos.

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  • O cabo submarino Nuvem da Google foi amarrado em Sines, reforçando a posição de Portugal nas ligações digitais entre a Europa e os EUA, com entrada em funcionamento prevista para 2027.
  • O sistema ligará diretamente os EUA aos Açores e a Portugal continental, aumentando a resiliência das redes e diversificando as rotas internacionais de conectividade.
  • Embaixador dos EUA diz que Portugal poderá concentrar mais de 40 mil milhões de dólares de investimento tecnológico norte-americano até 2031.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O cabo submarino Nuvem, da Google, já está amarrado em Sines, reforçando o papel de Portugal nas ligações digitais entre a Europa e os Estados Unidos. A nova infraestrutura transatlântica, que deverá entrar em funcionamento em 2027, liga Myrtle Beach, na Carolina do Sul, a Sines, na costa alentejana, com passagem pela ilha açoriana de São Miguel e pelas Bermudas.

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O Nuvem consiste num novo sistema de cabos submarinos transatlânticos concebido para reforçar a resiliência das ligações de rede no Atlântico, responder ao aumento da procura por serviços digitais e diversificar as rotas internacionais de conectividade. A Google defende que o projeto contribuirá também para o desenvolvimento da infraestrutura de tecnologias de informação e comunicação nos países abrangidos.

Segundo a gigante tecnológica de Mountain View, o Nuvem será o primeiro sistema de cabos submarinos a ligar diretamente os Estados Unidos aos Açores e a Portugal continental. Será também o primeiro sistema transatlântico a ter um ponto de aterragem nas Bermudas.

Depois do “Equiano” em 2022, e do Nuvem, que foi agora amarrado em parceria com a Meo, a Google tem já previsto para 2027 a amarração do cabo submarino Sol que, apesar de não passar por território continental, ficará ligado a São Miguel. O Sol ligará a Florida, nos EUA, as Bermudas, os Açores e Espanha, funcionando de forma complementar ao Nuvem. Em conjunto, ambos os sistemas deverão interligar-se em pontos estratégicos, reforçando a capacidade e a fiabilidade da rede global da Google, nomeadamente para suportar serviços de cloud e de inteligência artificial (IA).

Cabo submarino Nuvem, da Google, já chegou a Sines e foi apresentado institucionalmente esta terça-feira

Investimento norte-americano em IA no país pode ascender a 40 mil milhões até 2031

Na apresentação do Nuvem, que decorreu esta terça-feira no Oceanário de Lisboa, o embaixador dos Estados Unidos em Portugal, John Arrigo, defendeu que o investimento da Google confirma a crescente aposta norte-americana no país. O diplomata afirmou que, até 2031, são esperados mais de 40 mil milhões de dólares de investimento tecnológico norte-americano em Portugal, valor que, segundo avançou, fará do país “a maior concentração de investimento em infraestrutura de inteligência artificial americana em toda a Europa”.

Para Arrigo, a sucessão de investimentos de empresas norte-americanas demonstra que Portugal se consolidou como um parceiro estratégico: “Quando as empresas da América investem assim, não uma vez, não duas vezes, mas três vezes no mesmo país, isso não é uma coincidência”, afirmou.

O embaixador sublinhou ainda a importância geopolítica dos cabos submarinos, defendendo que Portugal deve continuar a afirmar-se como destino para infraestruturas consideradas seguras: “Cada novo cabo de confiança que chega à costa portuguesa é um cabo que deixa de chegar a outro local menos fiável. Devemos garantir que esta infraestrutura crítica seja tratada como tal”, afirmou. Segundo Arrigo, a política norte-americana procura impedir que fornecedores considerados não confiáveis integrem qualquer etapa da cadeia de abastecimento, uma preocupação que “é importante para Washington e também deve ser importante para Lisboa”, atirou o diplomata.

John Arrigo, embaixador dos EUA em Portugal.Google

Na intervenção, o embaixador apelou ainda à Europa para aprofundar a cooperação com os EUA no desenvolvimento das infraestruturas digitais. “Este é exatamente o modelo de que a Europa precisa agora”, afirmou, incentivando Portugal a levar essa mensagem a Bruxelas. Na sua perspetiva, “a escolha da Europa não é entre soberania e parceria”, mas sim entre “construir o futuro digital com aliados de confiança ou tentar construí-lo sozinho e ficar para trás”.

Acrescentou ainda que Portugal, “situado no lado oeste do Atlântico e no centro do mapa dos cabos transatlânticos”, demonstra que “a abertura e a força não são opostas”.

Arrigo enquadrou ainda o investimento como uma questão de segurança nacional, lembrando que os cabos submarinos transportam mais de 95% do tráfego mundial de dados. Além de suportarem comunicações e transações financeiras, estas infraestruturas são, segundo o diplomata, fundamentais para a partilha de informação entre os aliados da NATO, contribuindo para reforçar a segurança coletiva.

O Nuvem foi inicialmente anunciado em 2023 durante a governação socialista de António Costa, tendo sido destacado pelo então ministro das Infraestruturas, João Galamba, “como um investimento estratégico para posicionar Portugal como uma porta de entrada de conectividade para a Europa e para a ligação entre continentes”, sublinhando a importância da articulação entre o Governo português, as entidades nacionais e a Google.

O Nuvem deverá entrar em funcionamento em 2027 e liga Myrtle Beach, na Carolina do Sul, a Sines.Google

O cabo submarino tem uma extensão de cerca de 6.900 quilómetros. Em termos de capacidade, cada par de fibras óticas terá um débito total projetado de aproximadamente 24 terabits por segundo (Tbps). No total, o sistema será composto por 16 pares de cabos, o que permitirá atingir uma capacidade agregada de 384 Tbps.

O projeto Nuvem prevê ainda a instalação de um data center nos Açores, reforçando o papel do arquipélago como hub estratégico nas comunicações transatlânticas. A gigante tecnológica prevê que este projeto tenha um impacto de 500 milhões de euros para a economia portuguesa e espera posicionar a região no centro das ligações entre a Europa e os Estados Unidos, num contexto de crescente procura por capacidade de processamento e armazenamento de dados.

A importância para os Açores e a reforma do Estado que torna mais “previsível” os investimentos

Em declarações à margem do evento, o presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, defendeu que a amarração dos cabos submarinos da Google representa “uma importância disruptiva” para o papel do arquipélago na economia do futuro. O governante acrescentou que estas infraestruturas poderão também desempenhar um papel relevante enquanto smart cables, que permitem acompanhar indicadores climáticos, ambientais e energéticos.

Para Bolieiro, os Açores deixam de ser apenas “uma ponte” no Atlântico para assumirem também o papel de “uma sala de controlo” das novas economias, graças à conjugação da sua posição geográfica com as novas tecnologias. O presidente do executivo açoriano considerou ainda que esta estratégia reforça o posicionamento de Portugal na ligação entre a Europa, África e todo o continente Americano.

O líder do Governo Regional alertou ainda para a necessidade de renovar os cabos submarinos que asseguram as ligações entre os Açores e o continente, salientando que parte dessas infraestruturas já está em fim de vida útil. “Temos vindo a criar pressão porque o chamado Anel CAM, que é a responsabilidade do Estado, e que liga exatamente o continente aos Açores e à Madeira, tem de ter redundância. Já terminou a vida útil dos atuais cabos, está na hora de os substituir e fazer um upgrade, conclui Bolieiro.

Também presente na cerimónia, o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, defendeu que Portugal reúne condições para continuar a atrair investimento tecnológico, destacando que o Estado está a tornar-se “mais rápido, mais simples e mais previsível”, para que os investidores “não encontrem obstáculos, mas parceiros”. O governante considerou que esse esforço explica a sucessão de investimentos em infraestruturas digitais no país.

Gonçalo Matias, ministro adjunto e da Reforma do Estado
Gonçalo Matias, ministro adjunto e da Reforma do Estado, na apresentação do cabo submarino Nuvem.Google

Gonçalo Matias sublinhou ainda que o Nuvem reforça a posição estratégica de Portugal nas ligações internacionais de dados. Segundo o ministro, o cabo “adiciona resiliência” à rede global ao criar rotas alternativas que reduzem a dependência de um número limitado de corredores, garantindo que, quando uma ligação é interrompida, existem outras capazes de assegurar a continuidade do serviço.

O ministro destacou ainda que essa redundância fortalece a segurança e a fiabilidade das comunicações, sustentando serviços essenciais como hospitais, bancos, administrações públicas e cidadãos. Na sua perspetiva, o projeto demonstra que “as soluções tecnológicas mais avançadas também podem ser as mais seguras”.

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