Países Baixos iniciam processo para proibir bens de colonatos israelitas

  • Lusa e ECO
  • 22 Maio 2026

O Governo neerlandês pretende “impedir que a sociedade neerlandesa contribua, através das suas atividades económicas, para uma ocupação ilegal e para a manutenção de colonatos ilegais”.

O primeiro-ministro neerlandês, Rob Jetten, anunciou esta sexta-feira o início do processo para suspender o comércio de produtos procedentes de colonatos israelitas nos territórios palestinianos ocupados e nos Montes Golã, na Síria. A medida, que recebeu a aprovação inicial do Conselho de Ministros, terá uma duração preliminar de três anos.

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Com esta decisão, o Governo neerlandês pretende “impedir que a sociedade neerlandesa contribua, através das suas atividades económicas, para uma ocupação ilegal e para a manutenção de colonatos ilegais”, declarou o primeiro-ministro em conferência de imprensa, noticiou a emissora estatal NOS.

Ao mesmo tempo, numa carta dirigida à Câmara dos Representantes, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Tom Berendsen, e o ministro do Comércio, Sjoerd Sjoerdsma, manifestaram a sua “enorme preocupação” com a situação nos territórios ocupados, onde “os colonatos ilegais e a violência excessiva por parte dos colonos estão a provocar uma contínua deterioração da situação, tornando cada vez mais improvável uma solução de dois Estados”.

A medida anunciada proíbe não só a importação, mas também o trânsito de mercadorias originárias dos colonatos, devendo as empresas neerlandesas no estrangeiro também cumpri-la.

Rob Jetten pretende dar continuidade a esta política no Médio Oriente com sanções contra os colonos violentos, por um lado, e contra o movimento islamita palestiniano Hamas, por outro.

Também o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou através da rede social X que “a violência dos colonos na Cisjordânia está em níveis sem precedentes”. Merz vincou ainda que o país, em conjunto com o Reino Unido, a França e a Itália, apela “ao Governo de Israel para que cesse a ampliação das suas colónias”, alcançando “uma paz abrangente e justa baseada numa solução de dois Estados”.

A última detenção de ativistas da flotilha, e a divulgação de um vídeo sobre as suas condições, provocou uma reação de desconforto em muitos líderes europeus – Giorgia Meloni exigiu mesmo um pedido de desculpas a Israel. Nesse vídeo, surge o ministro Itamar Ben-Gvir, líder do partido de extrema-direita Otzma Yehudit, no meio dos ativistas amarrados e ajoelhados, com a cara no chão.

O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, também reagiu com desagrado. Considerou na passada quarta-feira “inaceitável” o tratamento israelita aos ativistas detidos e admitiu que Portugal defende uma suspensão parcial do acordo de associação entre a União Europeia e Israel.

O presidente da República, António José Seguro, condenou as ações difundidas no vídeo apelidando-as de “humilhações públicas de seres humanos” e de “tratamentos indignos que merecem total repúdio e condenação”.

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