Miranda Sarmento assume objetivo de ter dívida pública “ao nível da alemã”
Ministro das Finanças traça cenário até final da década e diz que esse destino, a confirmar-se, "será um feito extraordinário do país".

A dívida pública continua a ser “o nosso calcanhar de Aquiles”, mas Portugal tem um caminho que o pode levar, no final da década, a ter um rácio semelhante ao da Alemanha. O exercício é feito por Joaquim Miranda Sarmento, que vê essa via como atingível pela trajetória previsível dos dois países.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
Falando na abertura da gala da 38.ª edição dos IRGAwards, na noite desta quinta-feira, o ministro das Finanças começou por elencar os passos dados pela economia portuguesa, com foco na dívida pública que, ainda assim, considera que continua a ser “o nosso calcanhar de Aquiles”. Isto porque, no seu entender, temos de continuar o esforço feito até aqui de baixar a dívida em percentagem do PIB, de forma a ficarmos mais protegidos do enquadramento internacional, com efeitos nos mercados.
E dá alguns exemplos, começando pelo panorama europeu, lembrando que a Grécia deverá, a curto prazo, deixar de ser a economia mais endividada da Zona Euro, passando esse lugar à Itália. “Um bom trabalho dos gregos, um trabalho menos bom de Itália”, afirmou. Uma melhoria do rácio da dívida pública será o nosso maior argumento para conseguir ter estabilidade, argumentou.
Uma pequena economia que tem uma boa performance orçamental, que é vista neste momento como um exemplo do ponto de vista orçamental, estará sempre protegida. Se houver um problema na Europa, se houver nomeadamente um problema orçamental e de contas públicas na Europa, ele será provavelmente sentido primeiro pelos grandes países
“Uma pequena economia que tem uma boa performance orçamental, que é vista neste momento como um exemplo do ponto de vista orçamental, estará sempre protegida. Se houver um problema na Europa, se houver nomeadamente um problema orçamental e de contas públicas na Europa, ele será provavelmente sentido primeiro pelos grandes países. E nesse caso, os instrumentos europeus que hoje são muito diferentes daqueles que existiam em 2008, 2011, a Europa tem hoje capacidade de resposta, seja ao nível que o mecanismo europeu de estabilidade seja sobretudo ao nível do Banco Central Europeu completamente diferentes daqueles que tinha na crise financeira de 2008, na crise das níveis soberanas”, explicou.
Miranda Sarmento lembrou que Portugal é hoje bem visto pelos mercados, sendo que “só este ano três agências de rating subiram a perspetiva de Portugal”, e que para algumas agências já estamos equiparados com países como Espanha. Neste cenário, “Portugal estará sempre mais protegido do que outras economias”.
E o ministro deixou uma ambição, de que possamos em breve ter um rácio de dívida pública próximo do da maior economia europeia, o que nos garantiria mais um grau de proteção.
Nós podemos, nós temos a oportunidade de terminar esta década com uma dívida pública ao nível da dívida pública alemã e isso será um efeito extraordinário do país e um enorme vantagem para Portugal
“Precisamos continuar a reduzir sustentadamente a nossa dívida pública. A Alemanha está numa trajetória inversa, mas a Alemanha pode porque tem um nível de dívida pública de 60% do PIB, mas está num plano de expansão orçamental muito significativo. Para se ter a ideia, o deficit alemão este ano em 2026 vai ser mais 1,5 pontos percentuais do PIB do que em 2025″, explicou.
E concretizou o objetivo: “a Alemanha terminará esta década, de acordo com todas as previsões, com uma dívida pública ligeiramente acima dos 70%. As previsões dizem que a economia portuguesa pode terminar esta década – e já não falta assim tanto tempo -, perto dos 75% do PIB. Ou seja, nós podemos, nós temos a oportunidade de terminar esta década com uma dívida pública ao nível da dívida pública alemã e isso será um efeito extraordinário do país e um enorme vantagem para Portugal”.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Miranda Sarmento assume objetivo de ter dívida pública “ao nível da alemã”
{{ noCommentsLabel }}