Alojamento Local nos Açores pede medidas urgentes face a números “preocupantes”
O alojamento local na região registou “uma queda homóloga de 18,9% nas dormidas”. Segundo o setor, o "70,4% das unidades que responderam ao inquérito não receberam um único cliente" em janeiro.
A Associação de Alojamento Local dos Açores (ALA) considerou esta sexta-feira “extremamente preocupantes” os dados relativos à atividade turística de janeiro de 2026 e alertou para a necessidade de medidas urgentes e uma ação imediata.
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A posição da associação, presidida por João Pinheiro, surge na sequência dos dados oficiais da atividade turística relativos a janeiro de 2026, números que para o alojamento local dos Açores “exigem uma reflexão séria” sobre o momento atual do setor e sobre “as decisões que importa tomar nos próximos meses”.
Citando os dados divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), relativos à atividade turística de janeiro de 2026, a ALA alerta que o alojamento local registou “uma queda homóloga de 18,9% nas dormidas”. O dado “mais grave é que 70,4% das unidades que responderam ao inquérito não receberam um único hóspede durante todo o mês de janeiro”, aponta, assinalando que “no período homólogo esse valor era de 65,2%”.
Ou seja, “a situação agravou-se”, alerta a Associação de Alojamento Local dos Açores, em comunicado. No entender da associação, não se está “perante uma pequena variação estatística”, mas face a “um problema real de procura, de mobilidade e de orientação estratégica”, já que “mais de sete em cada dez unidades de alojamento local não têm qualquer atividade durante um mês inteiro”.
No comunicado, a associação recorda que, desde setembro de 2025, tem alertado para “sinais claros de desaceleração” e hoje os números oficiais confirmam “exatamente essa tendência”. A ALA critica “a instabilidade recente” na liderança do turismo regional, associando-a à “redução da conectividade aérea e à ausência de uma estratégia pública clara e executada”.
Os empresários do alojamento local apontam ainda para a “incerteza” que é transmitida ao mercado. “Não basta pedir que se abandone o pessimismo. Os empresários não vivem de discursos. Vivem de ocupação, reservas e receitas”, sustenta João Pinheiro. A associação lembra que o alojamento local representa a maioria das camas disponíveis na região e é composto por pequenas e médias empresas, muitas delas de natureza familiar, “altamente expostas à sazonalidade e a custos fixos elevados”.
Assim, alerta que “uma desaceleração prolongada” poderá resultar em quebras graves de tesouraria, redução de postos de trabalho, encerramento de unidades, travagem do investimento privado e, ainda, impacto direto na economia regional. A ALA defende que os Açores ainda não atingiram “a maturidade plena” enquanto destino turístico consolidado e continuam “a enfrentar fragilidades económicas estruturais”.
Nesse contexto, considera que “não é o momento para desinvestir” no setor ou “fragilizar a mobilidade aérea”, mas “reforçar a estratégia, estabilidade e investimento”. Entre as medidas consideradas prioritárias, a ALA aponta uma estratégia aérea “imediata e transparente”, um plano de promoção reforçado e direcionado, estabilidade institucional nas entidades do setor e coordenação efetiva entre o Governo e os agentes privados.
“Ainda é possível inverter esta trajetória antes da época alta. Mas não com esperança. Com ação”, afirma o presidente da associação, João Pinheiro, que assina o comunicado. A ALA sustenta ainda que “não pretende criar alarmismo” e reivindica “decisões concretas e urgentes”.
Número de passageiros desembarcados nos portos dos Açores baixa 4,1% em janeiro
O número de passageiros desembarcados nos Açores em viagens marítimas interilhas baixou 4,1% em janeiro, face ao período homólogo, segundo dados revelados pelo Serviço Regional de Estatística (SREA). No primeiro mês do ano, desembarcaram nos portos da região 19.587 passageiros, provenientes de viagens interilhas, menos 831 (4,1%) do que em janeiro de 2025.
Há sete meses consecutivos que a região regista descidas homólogas no desembarque de passageiros por via marítima. Na época baixa, a Atlânticoline, empresa que assegura as ligações marítimas de passageiros nos Açores, realiza viagens apenas entre as denominadas ilhas do Triângulo (Pico, Faial e São Jorge) e entre Flores e Corvo.
Entre junho e setembro, passam também a estar abrangidas as outras duas ilhas do grupo Central: Terceira e Graciosa. Em janeiro, apenas as ilhas do Pico e do Faial, as duas com maior movimento de passageiros, registaram uma quebra no número de desembarques. A ilha do Pico, que tem várias viagens diárias para o Faial, durante todo o ano, somou 9.214 passageiros, em janeiro, menos 7,2% do que o no mesmo mês em 2025.
Já a ilha do Faial registou 9.202 viajantes, o que representou um decréscimo de 3,8% face ao período homólogo. A ilha de São Jorge, que também tem ligações ao Pico e ao Faial, durante todo o ano, contabilizou 1.096 desembarques, um aumento de 22,6% face a janeiro de 2025.
No grupo Ocidental, onde há viagens por via marítima entre Flores e Corvo, durante todo o ano, o número de passageiros desembarcados, em janeiro, mais do que triplicou. Nas Flores, o número de desembarques aumentou de 12 para 40 (233%) e no Corvo de 11 para 35 (218%). Desde 2020 está suspensa a operação sazonal da Atlânticoline, que ligava todas as ilhas do arquipélago (com exceção do Corvo), com navios de maior dimensão, entre maio e setembro.
Nos meses de época alta (de junho a setembro), há agora apenas ligações marítimas entre as ilhas do grupo Central (Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial) e entre as Flores e o Corvo (grupo Ocidental).
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