Lentidão da Justiça e gastos com trabalhadores sobrecarregam empresas
A duração dos processos judiciais é considerado "um obstáculo elevado ou muito elevado" pelas empresas. Já o domínio dos recursos humanos registou o maior agravamento desde 2021 em termos de custos.
A lentidão da Justiça continua a ser apontada pelas empresas portuguesas como o domínio que representa os maiores custos de contexto para a sua atividade, enquanto a componente relativa aos recursos humanos registou a maior subida desde 2021. Em termos setoriais, a indústria é o setor que mais sofre com estes custos de contexto, revela um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
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“O indicador global de custos de contexto das empresas, que agrega nove domínios, registou um valor de 3,14 em 2024, numa escala contínua de 1 a 5 (vs. 3,09 em 2021, 3,05 em 2017 e 3,04 em 2014)”, adianta o estudo do instituto sobre sobre custos de contexto das empresas.
À semelhança do que revelou este levantamento feito junto de empresas em 2021, “o sistema judicial foi novamente identificado pelas empresas como o domínio que acarreta custos de contexto mais elevados à sua atividade, com um indicador de 3,66 (+0,05 que em 2021)”. Nesta área, mais de metade das empresas (53,7%) queixam-se da duração dos processos judiciais, que apontam como “um obstáculo elevado ou muito elevado”.
O estudo mostra ainda que as empresas destacam as disputas fiscais como o obstáculo mais relevante (3,78) seguidas das disputas comerciais (3,62) e das disputas laborais (3,58).

Na lista que identifica os maiores custos de contexto para as empresas seguiram-se os licenciamentos e o sistema fiscal, com indicadores de 3,54 e 3,28, respetivamente (+0,07 e +0,01 face a 2021, pela mesma ordem).
No que diz respeito ao licenciamento, “entre 2021 e 2024, todas as componentes deste domínio registaram uma subida nos indicadores, com destaque para as licenças ambientais, as licenças camarárias e a certificação ambiental, que atingiram os valores mais elevados: 3,69, 3,57 e 3,55, respetivamente, em 2024 (+0,09, +0,02 e +0,09 face a 2021, pela mesma ordem)”, detalha o INE.
Mais uma vez destaque para a indústria, cujas empresas percecionaram os maiores entraves na obtenção de licenciamentos para desenvolvimento da sua atividade, à semelhança de 2021, sobretudo licenças ambientais (4,09, +0,06 que em 2021) e certificações ambientais (3,93, +0,03 face a 2021).
No domínio fiscal, identificado como o terceiro maior custo de contexto, as empresas consideram que a carga fiscal é o maior obstáculo à sua atividade neste domínio.
Face a 2021, o maior agravamento surge associado aos recursos humanos, onde as empresas têm sido forçadas a gastar mais, seja devido ao aumento dos salários, seja pela pressão ao nível da contratação.
“O agravamento do indicador deveu-se principalmente ao aumento das dificuldades na contratação de trabalhadores (+0,18), no acesso a técnicos qualificados (+0,15) e na acreditação de competências (+0,15), percecionados como obstáculos elevados ou muito elevados ao exercício da sua atividade por 46,7%, 50,6% e 32,2% das empresas, respetivamente”, sintetiza o INE.
Em sentido oposto, o INE destaca uma evolução positiva, em relação a 2021, no financiamento, indústrias de rede e barreiras à internacionalização, que “constituíram obstáculos mais reduzidos à atividade da maioria das empresas, com indicadores de 2,63, 2,72 e 2,83 em 2024, respetivamente (+0,01, -0,04 e +0,07 que em 2021, pela mesma ordem)”.
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