Leitão Amaro responde a pedido do Tribunal Constitucional: “Não vivemos em abundância de recursos”

Sobre o pedido de mais orçamento do Tribunal Constitucional, Leitão Amaro diz que o país não vive numa "situação de abundância ilimitada de recursos" e que o Governo tem de fazer "escolhas".

O ministro da Presidência, Leitão Amaro, sublinhou que o país não vive numa “situação de abundância ilimitada de recursos” e que o Governo tem de fazer “escolhas”. Isto, quando questionado sobre a posição do Tribunal Constitucional que pede um reforço orçamental para 2026 na ordem de 1,6 milhões de euros

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

“Não vivemos numa situação de abundância ilimitada de recursos. Temos que fazer escolhas e temos que fazer escolhas em cada momento, envolvendo, de ano para ano, um aumento de uma série de despesas, com trabalhadores públicos, com consumos públicos, com investimento, incluindo digitalização”, disse o ministro na conferência após o Conselho de Ministros.

Uma coisa é certa, Leitão Amaro assegura que o volume de despesa realizada com digitalização nos tribunais é “muito grande”. “Fizemos a proposta que entendemos adequada. Há também na área da Justiça um aumento da despesa. Procurámos ver as prioridades“, assegurou.

Ciente que o Tribunal Constitucional é um tribunal “importante”, o ministro relembrou que, tal como os juízes e trabalhadores do organismo, muitos trabalhadores públicos e juízes dos mais diversos tribunais sentem necessidade de mais recursos.

Relativamente à digitalização e às plataformas, o ministro referiu que já existe uma plataforma em funcionamento. “Ainda agora fizemos uma migração de uma parte de processos judiciais para a grande plataforma dos tribunais, que é o Citius”, disse, questionando se deveremos multiplicar plataformas ou ter uma plataforma única.

No caso da digitalização judicial, Leitão Amaro referiu que há um grande esforço em curso e que existe uma plataforma ideal para onde estão a confluir todos os tribunais. “Se calhar vale a pena que cada um e cada tribunal reflita na possibilidade de participar nisso também e não estarmos a multiplicar plataformas, multiplicar despesas que podem ser racionalizadas conseguindo o mesmo efeito, gastando menos dinheiro”, acrescentou.

“Cada um de nós, ministros, chega ao Conselho e diz: gostava que na minha área aqui e acolá houvesse um reforço. Depois, chegamos ao final, porque também não queremos sobrecarregar os bolsos a todos com impostos, queremos o contrário, que fiquem com mais dinheiro no bolso daquele que recebem, entreguem menos ao Estado. (…) É preciso um equilíbrio”, disse.

Estas declarações surgem num dia em que o presidente do Tribunal Constitucional está a prestar declarações no Parlamento. Na audição, afirmou que tentou contactar, em agosto, o primeiro-ministro sobre necessidades da instituição para o seu regular funcionamento, não tendo obtido resposta, até esta segunda-feira, três dias depois de ser anunciado o pedido de audiência da instituição ao Parlamento. A revelação foi feita por José João Abrantes aos deputados, com a entidade a pedir um reforço orçamental de 1,6 milhões de euros.

José João Abrantes adiantou que entre as matérias de preocupação que procurou manifestar junto do Governo desde o verão incluem-se o reforço da cabimentação orçamental para o ano de 2026, “num montante nunca inferior a 750 mil euros” paraa criação de uma plataforma eletrónica para desmaterialização da tramitação processual dos processos, que pelo mesmo são apreciados e julgados no quadro das suas competências constitucionais e legais”.

O OE2026 prevê um aumento do orçamento do Tribunal Constitucional de 1,77%, passando de uma dotação orçamental de 11,1 milhões de euros em 2025 para 11,3 milhões de euros em 2026. No entanto, neste bolo incluem-se não apenas as verbas destinadas ao funcionamento do próprio tribunal, como das duas entidades que funcionam junto a si. Deste modo, a entidade identifica uma necessidade de um reforço de 1,6 milhões de euros.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Leitão Amaro responde a pedido do Tribunal Constitucional: “Não vivemos em abundância de recursos”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião