Empresas de telecomunicações europeias reduziram em 85% o impacto dos incidentes de segurança em dois anos, apesar do aumento das ameaças

  • Servimedia
  • 20 Outubro 2025

De acordo com o relatório "The Telecom sector’s contribution to Europe’s security and resilience" elaborado pela Copenhagen Economics e divulgado pela Connect Europe.

O estudo destaca o risco crescente de que os ciberataques continuem a aumentar num ambiente crítico. Nesse sentido, as empresas de telecomunicações europeias relataram em 2024 uma perda de 1,7 mil milhões de horas de conectividade de utilizadores europeus devido a incidentes de segurança, o que representa uma redução de 55% em relação a 2023 e de 85% em relação a 2022, de acordo com dados da Agência da União Europeia para a Cibersegurança (ENISA).

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O relatório indica que os operadores têm uma elevada capacidade de resposta e resiliência, estão a implementar uma combinação de infraestruturas e sistemas mais robustos e a realizar uma gestão mais eficaz para implementar uma barreira de segurança eficaz, mas alerta para a falta de um ambiente regulatório adequado para o investimento.

O trabalho lança um aviso: se a Europa quer manter e reforçar a sua resiliência em matéria de segurança, é necessário investir mais e agir com determinação a nível político. «Melhorar drasticamente o ambiente de investimento em conectividade é essencial para que os operadores reforcem ainda mais a segurança e a resiliência», afirma o diretor-geral da Connect Europe, Alessandro Gropelli. Por isso, Gropelli apela à UE e insta-a a agir agora para moldar um futuro digital europeu competitivo e resiliente, através do Digital Network Act (sigla em inglês para Regulamento das Redes Digitais), uma regulamentação para o setor em que Bruxelas está a trabalhar e da qual se esperam novidades em breve: «Uma Lei das Redes Digitais ambiciosa pode ser fundamental não só para tornar a Europa mais competitiva, mas também mais segura», afirma Gropelli.

O relatório propõe três linhas de ação para as autoridades políticas. Em primeiro lugar, apoiar o quadro de investimento em segurança e resiliência, incluindo incentivos públicos quando o interesse geral o justificar. Em segundo lugar, simplificar a regulamentação, eliminando duplicações entre os quadros nacionais e europeus que desviam recursos para a burocracia. Por último, colmatar a lacuna de talentos com uma estratégia europeia de competências em cibersegurança que garanta o acesso a profissionais qualificados.

REUNIÕES VIRTUAIS

As redes de telecomunicações não só permitem a conectividade básica, como também sustentam uma ampla gama de serviços essenciais: telecomunicações de retalho, plataformas OTT, serviços de segurança digital, centros de dados e soluções na nuvem. Sem elas, esses serviços simplesmente não existiriam, destaca o relatório.

Os benefícios da conectividade chegam a todos os cantos da sociedade. Em 2024, 88% dos cidadãos da UE utilizavam a Internet diariamente, um aumento de 52 pontos percentuais desde 2007; e 77% faziam compras online. Além disso, dois em cada três utilizadores empregam dispositivos conectados, como sistemas domésticos inteligentes ou veículos conectados. Estes dados refletem que a segurança e a resiliência das redes de telecomunicações são fundamentais para a sociedade europeia.

O setor empresarial também depende profundamente das redes, motor essencial da sua produtividade, competitividade e inovação, tal como recorda o estudo. Em 2024, 99% das empresas europeias tinham acesso à Internet, 53% realizavam reuniões virtuais como parte das suas operações diárias e 24% das receitas das empresas europeias provinham do comércio eletrónico.

As redes também são facilitadoras de uma administração pública moderna, garantindo o acesso a serviços digitais seguros e eficientes para todos os cidadãos. De acordo com o estudo, em 2023, 69% dos cidadãos da UE acederam a sites ou aplicações governamentais e 41% utilizaram sistemas de identificação eletrónica.

SEGURANÇA DIGITAL

A importância estratégica das redes de telecomunicações não passa despercebida. A NATO instou, muito recentemente, os seus membros a destinarem até 1,5% do PIB à proteção de infraestruturas críticas, reconhecendo que a segurança digital é já uma questão de defesa nacional, tal como recorda o relatório.

«Redes seguras e resilientes são essenciais para proteger dados sensíveis, garantir o acesso a serviços digitais e sustentar setores críticos», afirma Neil Gallagher, diretor da Copenhagen Economics. «Este estudo mostra não apenas os riscos, mas também as soluções que estão ao alcance dos responsáveis políticos.»

Por último, o relatório salienta que, embora os operadores já estejam a envidar esforços substanciais para proteger as suas redes e manter a resiliência, sustentar e ampliar estas medidas constitui um desafio crescente. Dado que as telecomunicações são uma infraestrutura fundamental que gera benefícios para toda a sociedade, os decisores políticos devem abordar a forma de garantir um financiamento adequado para superar estes desafios.

Num mundo hiperconectado, a falta de investimento em segurança e resiliência não afeta apenas um setor, mas pode gerar riscos sistémicos para a economia como um todo. Num contexto de ameaças crescentes, os operadores de telecomunicações não apenas conectam a Europa: eles a protegem.

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