Plano Orçamental de Médio Prazo de Portugal aprovado em Bruxelas

Plano orçamental de médio prazo foi entregue pelo Governo e recebeu luz verde em Bruxelas. Conselho recomenda que despesa líquida "não exceda os máximos estabelecidos".

O Conselho da União Europeia aprovou 21 planos orçamentais de médio prazo entregues pelos Estados-membros, em outubro do ano passado. Um deles é o de Portugal. O documento elaborado pelo Governo de Luís Montenegro define qual deve ser a trajetória orçamental que o país deve seguir para reduzir o rácio da dívida pública face ao Produto Interno Bruto (PIB), uma vez que este ainda se encontra acima do recomendado por Bruxelas.

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“Como próximo passo na implementação das novas regras orçamentais da [União Europeia] UE, o Conselho adotou hoje recomendações que aprovam os primeiros planos orçamentais-estruturais de médio prazo e estabelecem as trajetórias das despesas líquidas para 21 Estados-Membros”, sendo um deles Portugal, lê-se num comunicado divulgado esta tarde, após a reunião do Ecofin, em Bruxelas.

“O Conselho congratula-se com o plano orçamental-estrutural de médio prazo de Portugal e considera que a sua plena implementação contribuiria para assegurar a solidez das finanças públicas e apoiar a sustentabilidade da dívida pública, bem como um crescimento sustentável e inclusivo”, lê-se no documento que reúne a avaliação final do plano.

Ainda assim o Conselho recomenda que Portugal evite “que o crescimento das despesas líquidas não exceda os máximos estabelecidos”.

O plano de médio prazo do Governo reflete o cenário macroeconómico subjacente ao Orçamento do Estado para 2025 (OE2025), entregue em outubro. No documento entregue a Bruxelas a 11 de outubro, o Governo prevê passar de excedente orçamental de 0,4% este ano para 0,3% em 2025, reduzindo-se para 0,1% em 2026 (num cenário de políticas invariantes). No entanto, aponta para uma melhoria das contas públicas a partir daí, contando com um excedente orçamental de 1,1% em 2027 e 1,3% em 2028.

O Executivo prevê ainda que o peso da dívida pública caia de 95,9% do PIB em 2024 para 93,3% em 2025, recuando para 83,2% em 2028, último ano do plano. E, relativamente à evolução da economia, o Ministério das Finanças prevê que após uma desaceleração do crescimento económico de 2,5% em 2023 para 1,8% em 2024, a taxa volte a recuperar para 2,1% em 2025 e, num cenário de políticas invariantes, para 2,2% em 2026.

O plano orçamental de médio prazo pedido pela Comissão Europeia aos 27 Estados-membros visa assegurar que, no final do período de ajustamento, a dívida das administrações públicas esteja numa trajetória plausivelmente descendente, ou se mantenha em níveis prudentes, e que o défice público seja mantido abaixo do valor de referência de 3% do PIB a médio prazo.

De acordo com a nota, os planos orçamentais médio prazo “constituem uma pedra angular do novo quadro de governação económica”, sendo que neles está plasmada “a trajetória orçamental dos Estados-Membros, juntamente com as reformas e os investimentos previstos”. “Agora que o Conselho adotou as suas recomendações, os Estados-Membros têm certezas quanto às trajetórias orçamentais que seguirão nos próximos anos e podem planear em conformidade“, recomenda o comunicado.

Além de Portugal, o Conselho aprovou ainda os planos da Croácia, Chipre, República Checa, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Letónia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polónia, Roménia, Eslováquia, Eslovénia, Espanha e Suécia.

Simultaneamente, o Conselho aprovou o pedido da Finlândia, França, Irlanda, Itália e Roménia de prorrogar o período de ajustamento orçamental para sete anos.

(Notícia atualizada pela última vez às 14h16)

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