Economia com saldo positivo de 1,8% do PIB no ano acabado no segundo trimestre
Particulares financiaram, em termos líquidos, as Administrações Públicas em 6,5% do PIB, "o maior fluxo financeiro registado entre estes dois setores desde o quarto trimestre de 1995.
A economia portuguesa teve um saldo positivo de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano acabado no segundo trimestre de 2023, segundo dados divulgados esta terça-feira pelo Banco de Portugal (BdP).
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“No ano acabado no segundo trimestre de 2023, a economia portuguesa teve um saldo positivo, ou seja, uma capacidade de financiamento sobre o exterior, de 1,8% do PIB“, avança o banco central, detalhando que o setor financeiro e os particulares registaram um saldo positivo de 2,3% e 0,5% do PIB, respetivamente.
As empresas não financeiras foram o único setor residente a apresentar necessidade de financiamento (1,1% do PIB), enquanto as Administrações Públicas apresentaram um saldo nulo, em percentagem do PIB.
Segundo o BdP, os particulares financiaram, em termos líquidos, as Administrações Públicas em 6,5% do PIB, “o maior fluxo financeiro registado entre estes dois setores desde o quarto trimestre de 1995”, em resultado da aquisição de certificados de aforro (em 8,0% do PIB) pelas famílias, parcialmente compensada pela amortização de certificados do Tesouro.
A transferência dos ativos e das responsabilidades do Fundo de Pensões da Caixa Geral de Depósitos (CGD) para a Caixa Geral de Aposentações (CGA), ocorrida no primeiro trimestre de 2023, também contribuiu, em 1,2% do PIB, para o financiamento líquido dos particulares às Administrações Públicas.
Os dados do banco central apontam que, com o financiamento recebido dos particulares, as Administrações Públicas financiaram, em termos líquidos, os restantes setores, sendo que o financiamento líquido ao resto do mundo e às sociedades financeiras foi motivado pela redução das aplicações destes dois setores em títulos de dívida pública (4,1 e 2,4% do PIB, respetivamente).
Já o financiamento líquido do setor financeiro aos particulares foi influenciado quer pela redução de depósitos junto dos bancos, quer pela transferência dos ativos e das responsabilidades do Fundo de Pensões da Caixa Geral de Depósitos (CGD) para a Caixa Geral de Aposentações (CGA).
Em termos líquidos, as empresas não financeiras foram financiadas pelo resto do mundo em 2,2% do PIB, através da aquisição por não residentes de ações e outras participações emitidas pelo setor.
Por sua vez, os particulares reduziram as suas participações nas sociedades não financeiras, o que justifica a relação de financiamento entre os dois setores.
Os dados agora publicados incorporam revisões desde o primeiro trimestre de 2020, de acordo com a política de revisões das estatísticas do BdP, correspondendo aos valores do ano terminado no trimestre (correspondente ao acumulado no trimestre em causa com os três trimestres anteriores, o que permite eliminar eventuais efeitos resultantes da sazonalidade).
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