Moçambicana EMOSE recusa indemnizar acidente com 32 mortos
A seguradora estatal recorreu de uma decisão judicial porque a empresa de camionagem envolvida no maior acidente rodoviário de Moçambique não tinha o pagamento do prémio em dia.
A Empresa Moçambicana de Seguros (Emose) anunciou que vai recorrer da decisão do tribunal sobre o pagamento de uma indemnização às famílias das vítimas do acidente de viação que matou mais de 30 pessoas em Maputo.
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“A apólice de seguro da transportadora Nhancale, proprietária do autocarro envolvido no sinistro, estava com o prazo expirado”, referiu Benedito Manhiça, administrador da área técnica operacional da Emose, durante uma conferência de imprensa em Maputo.
“Não tendo a transportadora a fração que venceu em novembro de 2020, o contrato de seguro ficou nulo. Significa que, não tendo sido paga a última prestação, já não havia contrato”, frisou o responsável.
O Tribunal Judicial do Distrito da Manhiça, na província de Maputo, determinou, na passada semana, que a seguradora e a transportadora Nhancale pagassem uma indemnização de 33 milhões de meticais (508 mil euros) aos familiares das vítimas do sinistro.
O tribunal condenou ainda o motorista responsável pelo acidente de viação a um ano e oito meses de prisão, convertidos em multa.
O acidente de viação, considerado o mais grave de sempre registado em Moçambique, ocorreu em 3 de julho de 2021 em Maluana, no distrito da Manhiça, ao longo da Estrada Nacional N.º 1 (EN1), causando 32 óbitos e 28 feridos.
A tragédia envolveu dois camiões e um autocarro que tentou fazer uma ultrapassagem irregular, tendo embatido num camiões e capotado.
A EN1 tem sido palco de graves e numerosos acidentes de viação, principalmente no troço que atravessa o distrito da Manhiça (no sul do país). Várias mortes no contexto de transportes coletivos foram registadas no local. As autoridades moçambicanas têm apontado o excesso de velocidade e condução sob efeito de álcool como as principais causas dos sinistros.
Em média, pelo menos mil pessoas morrem anualmente nas estradas, segundo dados avançados à Lusa pela Associação Moçambicana Para as Vítimas de Insegurança Rodoviária (Amviro).
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