“Não é o momento ideal para pôr areia na engrenagem do mercado de trabalho”, defende economista Ricardo Reis

Estão a avançar várias mudanças laborais, que poderão chegar num momento difícil para as empresas. Economista defende que é necessário um mercado de trabalho mais flexível.

As alterações à lei laboral estão a avançar agora, enquanto tomam lugar de destaque nas negociações do Orçamento do Estado, com a aprovação de medidas como a limitação dos contratos temporários e a termo e proibição de recurso ao outsourcing após despedimentos. Ricardo Reis, professor no departamento de economia da London School of Economics, defende que esta não é a altura de colocar “areia na engrenagem do mercado de trabalho”, quando não devem existir entraves às contratações.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

“Esta pandemia, não só pela recessão que causa como pela recuperação, mas também pela reorganização da estrutura económica, não parece de facto ser o momento ideal para pôr areia na engrenagem do mercado de trabalho, criando condições que tornam mais difícil contratar pessoas”, defende o economista, em entrevista ao ECO, ressalvando que esta visão diz respeito ao timing, “independentemente de achar as medidas boas ou más”.

Ricardo Reis explica que, “numa altura em que o mercado de trabalho está em grande ebulição, no sentido em que está a absorver uma série de pessoas novas que perderam o emprego no último ano ou mesmo que acabaram curso e durante uns meses não conseguiram emprego, quereríamos um mercado de trabalho mais flexível, mais capaz de absorver esses grandes fluxos”.

Neste cenário, “para além da recuperação da economia, o que temos também é alguma reestruturação da economia, nos próximos meses ou dois anos, em que se espera que alguns setores declinem e outros expandam, conforme as pessoas mudaram de uma forma persistente a estrutura dos produtos que compram, dos serviços que desejam, e até do lado da produção quais são as empresas que vão sobreviver melhor, quais se vão expandir ou manter”, explica o também consultor académico no Banco de Inglaterra e na Reserva Federal.

Entre as medidas avançadas pelo Governo encontra-se o alargamento da compensação para 24 dias por ano em cessação de contrato a termo ou termo incerto e a reposição dos valores de pagamento de horas extraordinárias em vigor até 2012 a partir das 120 horas anuais, sendo a primeira hora extra em dias úteis paga com acréscimo de 50%, a segunda hora com 75% e em dias de descanso e feriados 100%.

De recordar que as medidas estão a ser recebidas com algumas críticas por parte dos patrões. As confederações que representam as empresas chegaram mesmo a suspender a participação na concertação social, depois de terem sido aprovadas alterações à legislação laboral na quinta-feira em Conselho de Ministros, sem antes terem sido discutidas com os parceiros.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

“Não é o momento ideal para pôr areia na engrenagem do mercado de trabalho”, defende economista Ricardo Reis

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião