Indústria extrativa está “estrangulada” pelos preços da energia

Num setor em que a energia representa quase metade dos custos diretos de produção, as empresas estão a ser confrontadas com aumentos de 30% na renegociação dos contratos anuais de eletricidade.

A associação que representa a indústria portuguesa dos recursos minerais lançou esta sexta-feira um apelo dramático ao Governo para implementar “medidas de emergência no combate aos elevadíssimos custos de contexto” que as empresas enfrentam, sobretudo no segmento da pedra natural.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

Num setor em que o custo energético (eletricidade e combustíveis) é “determinante” para a competitividade – representam cerca de 40% dos custos diretos de produção –, na renegociação dos contratos anuais de eletricidade, há empresas que estão a ser confrontadas com aumentos de 30% face aos que vigoravam até agora.

“As empresas estão estranguladas e, mesmo com a aposta no aumento da eficiência energética nos processos produtivos, esta situação coloca sérios entraves à prossecução da trajetória de crescimento económico e do aumento das exportações, caso não haja um travão do Estado nesta área”, sublinha a Assimagra.

No caso particular dos combustíveis, a associação propõe, num comunicado de imprensa, integrar na proposta de Orçamento do Estado para 2022 a possibilidade de utilizar combustível colorido em todos os equipamentos não matriculados afetos à atividade extrativa, tal como acontece em Espanha e Itália.

A Assimagra fala numa medida de “reduzido custo orçamental, da maior transparência ao nível da sua aplicabilidade e que terá um forte e positivo impacto no setor e na competitividade externa. “Para mais, sendo a indústria extrativa um importante ativo português do setor primário, entende-se ser de maior justiça vir a usufruir das mesmas condições atribuídas ao setor agrícola”, acrescenta.

A intervenção do Governo é também solicitada para responder à escalada dos preços no transporte marítimo, que está sujeito a grandes flutuações por parte dos armadores, mas também no terrestre, em que as empresas estão a sentir “uma grande subida nos custos dos fretes”, impulsionada pela crise e “decorrente da enorme carga fiscal” sobre os combustíveis em Portugal.

Resiliência “não substitui” apoio público

Apesar da reduzida dimensão territorial, Portugal está historicamente nos primeiros dez lugares (ocupa atualmente a 7.ª posição mundial e a 3.ª a nível europeu) entre os principais produtores e exportadores de pedra natural para fins ornamentais.

Após seis anos consecutivos de crescimento, com uma média de 6% ao ano que elevou o valor das exportações para 427 milhões de euros em 2019, as vendas ao exterior caíram 14% em 2020, arrastadas pela pandemia. No primeiro semestre deste ano, retomaram 20,3% em valor e 27,6% em volume, face aos primeiros seis meses do ano anterior.

No entanto, adverte a Assimagra, “esta resiliência que o setor demonstra, não substitui a necessidade de o Governo liderar uma resposta coletiva face à presente crise, para que as empresas – maioritariamente micro e pequenas empresas – possam enfrentar este momento sem precedentes”.

O setor da pedra natural para fins ornamentais é constituído maioritariamente por pequenas e médias empresas (PME) de base familiar, que asseguram 13.380 postos de trabalho diretos, num total de 2.112 empresas (410 de extração e 1.693 de transformação) distribuídas de norte a sul do país, mas geralmente concentradas nas regiões onde também existe o recurso mineral.

É o caso do triângulo Borba / Vila Viçosa / Estremoz no caso dos mármores; de Pero Pinheiro, Santarém, Porto de Mós, Alcobaça e Ourém que concentram os calcários; ou de Monção, Vila Pouca / Pedras Salgadas, Ponte de Lima, Penafiel, Moimenta ou Pinhel que são a chamada zona dos granitos. Portugal extrai e transforma também xisto, basalto e variações destes.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Indústria extrativa está “estrangulada” pelos preços da energia

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião