Produtos do Estado só voltam a pagar prémio no próximo ano

É altamente improvável qualquer alteração ao prémio ainda em 2021. Só mesmo em 2022 é que os investidores nos produtos do Estado poderão voltar a poder contar com esse extra.

Há praticamente um ano que os aforradores ficaram sem prémio nos produtos de poupança do Estado. O trambolhão da economia portuguesa no segundo trimestre de 2020, por causa do confinamento exigido para travar a propagação da Covid-19, retirou aos CTPM e CTPC o bónus que depende do desempenho do PIB, um extra que tarda em regressar. Mesmo com a forte recuperação, já só em 2022 é que os aforradores deverão conseguir ter um juro extra pelo dinheiro emprestado ao Estado.

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Tanto os Certificados do Tesouro Poupança Mais (CTPM) como os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento (CTPC), que vieram substituir os primeiros, perderam o rendimento extra em setembro de 2020. A queda de 16,3% do PIB arrasou o crescimento registado nos trimestres anteriores, apagando assim o prémio que, diz o IGCP, “apenas tem lugar no caso de crescimento médio real do PIB positivo”. Passou para 0%, sendo paga, desde então, apenas a taxa base prevista em cada um dos produtos: os CTPM recebem 2,75% e 3,25% no quarto e quinto anos, respetivamente, e os CTPC têm, nos dois primeiros anos, uma taxa de 0,75%.

E é isso que vai continuar a acontecer nos próximos meses, de acordo com cálculos realizados pelo ECO. Depois da forte quebra no segundo trimestre de 2020, o PIB de Portugal manteve um registo negativo na comparação homóloga: caiu 5,60% no terceiro trimestre, recuando mais 6,10% no três últimos meses do ano passado. Este ano, o arranque voltou a apresentar uma variação negativa, de 5,30%, antes de disparar já no segundo trimestre, período marcado pela reabertura da economia após um segundo confinamento.

Com a retoma da atividade, a economia portuguesa cresceu 15,5%, em termos homólogos, no segundo trimestre de 2021. Um forte salto, mas que é insuficiente para anular os maus resultados dos trimestres anteriores (o prémio considera quatro trimestres). Mesmo com este aumento, a média dos últimos quatro trimestres é de -0,375%, ou seja, abaixo de 0%. Era preciso que o PIB tivesse crescido pelo menos 17,1% para dar bónus aos milhares de aforradores ainda este ano.

Falta ainda conhecer, a 31 de agosto, os dados finais das contas nacionais trimestres, mas dificilmente haverá uma revisão tão em alta do PIB do segundo trimestre, embora possa haver revisões nos trimestres anteriores que possam alterar a média. Ainda assim, está muito negativa, tornando altamente improvável qualquer alteração ao prémio ainda em 2021. Só mesmo em 2022 é que os investidores poderão voltar a poder contar com esse extra.

A perspetiva é de que a economia continue a crescer, e a ritmo acelerado (tendo em conta que a base de comparação). Não há previsões para os próximos trimestres, mas com a reabertura quase total da economia, numa altura em que o processo de vacinação decorre a ritmo acelerado, é expectável que o PIB cresça. Aliás, o Governo tem a meta oficial de crescimento de 4% no total de 2021, mas almeja bater essa fasquia, tendo João Leão, o ministro das Finanças, apontado para um desempenho superior.

Só em outubro se terá um primeiro retrato sobre o crescimento da economia neste terceiro trimestre, que será decisivo para o regresso dos bónus aos produtos de poupança do Estado. Será, contudo, uma primeira projeção do INE, sendo necessário esperar mais algum tempo até que haja o valor final. E o IGCP só considera o PIB final nos cálculos para os prémios nos CTPM e CTPC, o que só deverá ser possível ter mais perto do final do ano, definindo-se depois o prémio para os aforradores a pagar já só em janeiro de 2022.

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