Governo pressiona sindicatos que ainda não ratificaram acordos na TAP. “Não haverá mais negociações”
A TAP assinou 12 acordos com sindicatos, mas ainda falta a ratificação dos pilotos e tripulantes. Governo avisa que não haverá mais negociações e antecipa o recurso ao plano de reestruturação inicial.
A TAP já concluiu os ‘acordos de emergência’ com a quase totalidade dos sindicatos, mas ainda faltam dois, o sindicato dos pilotos e o dos tripulantes, que ainda têm de levar o entendimento de princípio a votação em assembleia geral de associados. Em antecipação, o Governo avisa que as negociações estão concluídas e que por isso vai dar início ao registo do chamado “regime sucedâneo”, para entrar em vigor até 28 de fevereiro caso aqueles sindicatos não aprovem os acordos provisórios.
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“As assembleias gerais do SPAC e do SNPVAC têm sido adiadas e têm existido rumores de que o Governo ou a TAP continuariam em negociações. Estes rumores são falsos. Importa, portanto, clarificar que as negociações foram feitas de forma séria e que estão concluídas, pelo que não há novas negociações em curso, nem haverá depois“, escreve o ministro das Infraestruturas, em comunicado. “Assim, o Ministério informa que, no caso do SNPVAC e do SPAC, a TAP vai dar início, na próxima segunda-feira, dia 22 de fevereiro, ao processo de registo do Regime Sucedâneo, para que este possa ser publicado até ao dia 28 de fevereiro e entrar em vigor a partir de 1 de março, como medida preventiva caso venha a ser necessário, enquanto aguardamos pela deliberação das Assembleias Gerais dos dois únicos sindicatos que ainda não ratificaram o Acordo de Emergência”.
O ministério tutelado por Pedro Nuno Santos recorda que “sem intervenção pública a TAP não sobreviveria”. Em 2020 foram injetados 1.200 milhões de euros e já se sabe que em 2021 será necessário reforçar a injeção pública de fundos, acima dos 500 milhões de euros. O Governo tem, além dos 500 milhões orçamentados, a possibilidade de acionar uma garantia pública para permitir à TAP um financiamento na banca.
“As negociações foram concluídas com sucesso e os acordos assinados com doze sindicatos, de um total de catorze. Estes acordos foram posteriormente aprovados formalmente pelo Conselho de Administração da TAP, por todos os Sindicatos de Terra e pelo SIPLA (sindicato que representa a maioria dos pilotos da Portugália), tendo estes sido já́ enviados para o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social para registo e publicação no Boletim do Trabalho e do Emprego, o que ocorrerá na próxima segunda feira, dia 22 de fevereiro no caso dos Sindicatos de Terra e a 28 de fevereiro, no caso do SIPLA”, confirma o ministério neste comunicado. Mas ainda há dois sindicatos, dos mais importantes e com mais trabalhadores, que ainda não ratificaram os ‘acordos de emergência’ já negociados.
Caso não haja acordo com os sindicatos dos pilotos e dos tripulantes, que definiu cortes salariais mais severos em contrapartida de uma redução de despedimentos, entrará em vigor o referido regime sucedâneo. Caem os acordos coletivos e a TAP avançará para o plano de reestruturação inicialmente anunciado, com a saída de 500 pilotos e 750 tripulantes, além de cessação dos acordos a prazo. “É importante que cada um de nós tenha consciência da sua responsabilidade neste processo. Não deitemos tudo a perder”, avisa Pedro Nuno Santos.
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