Marcelo faz reparos, Leão defende Orçamento para 2021

Marcelo promulgou o OE 2021, mas fez reparos na ênfase social e nos apoios às empresas. De seguida, João Leão veio em defesa do seu primeiro Orçamento, garantindo que há uma "luz ao fundo do túnel".

O Presidente da República promulgou esta terça-feira o Orçamento do Estado para 2021 (OE 2021), mas como é habitual deixou reparos e avisos ao Governo. Mais tarde, Marcelo admitiu que se não fosse a pandemia teria feito um comentário “mais duro” ao OE. Esta quarta-feira chegou a “resposta” de João Leão: o ministro das Finanças garantiu que este “é um bom orçamento”, aquele que “Portugal precisa para conseguir superar esta crise”.

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Sem querer dar uma carta branca ao Governo socialista, principalmente quando se aproxima a campanha das Presidenciais 2021 em que é recandidato, Marcelo Rebelo de Sousa identificou três pontos “menos positivos” no orçamento, sendo dois da responsabilidade do Executivo e do PS: em primeiro lugar, “podia-se ter ido um pouco mais longe na ênfase social”; em segundo lugar, notou o “renovado não acolhimento de algumas pretensões empresariais”.

Mais tarde na terça-feira em entrevista à RTP, o Presidente da República foi mais longe no seu comentário, mas pouco. Disse compreender o “difícil equilíbrio” entre a prioridade do défice e a necessidade de medidas sociais — que “estão lá [no OE 2021]”, fez questão de assinalar — e referiu apenas que as empresas já querem há vários anos uma redução de impostos e melhores incentivos à iniciativa privada, pretensões que não foram correspondidas. Contudo, não assumiu se apoiava ou não essa redução de impostos para as empresas.

Como “atenuante”, Marcelo deu como principal razão para a promulgação rápida do OE 2021 a “complexa situação vivida”, ou seja, a crise pandémica. “O país precisa de um orçamento em vigor a 1 de janeiro”, argumentou. Essa prioridade é partilhada com o ministro das Finanças: “O contexto atual é de grande exigência“, disse Leão num vídeo divulgado esta quarta-feira, assinalando que já se vê “a luz ao fundo do túnel, mas ainda o temos de atravessar”.

Quanto à preocupação do Presidente da República com as medidas sociais, Leão contrapôs com as medidas negociadas à esquerda: a nova prestação social extraordinária para quem perdeu rendimentos por causa da pandemia, o aumento do subsídio de desemprego mínimo (mais o prolongamento por seis meses quando caducar) e o alargamento das creches gratuitas ao segundo escalão de rendimentos, o que, segundo as Finanças, beneficiará 65 mil crianças.

A estas medidas de caráter social podem juntar-se as alterações que vão melhorar o rendimento disponível dos portugueses. É o caso do aumento do salário mínimo em 30 euros (para 665 euros brutos), o aumento extraordinário de 10 euros para dois milhões de pensionistas, a redução das taxas de retenção na fonte de IRS (que é apenas um efeito temporal e não um aumento real do salário) e a redução do IVA da eletricidade para consumos baixos.

Na falta de preocupação pelas empresas — uma crítica também feita pela direita durante a discussão do OE 2021 no Parlamento –, Leão riposta com o programa Apoiar, o apoio ao pagamento de rendas, as moratórias bancárias até setembro, o fortalecimento das linhas de crédito com garantias estatais, o crédito fiscal extraordinário de investimento (20% em IRC) e o arranque do fundo de recuperação europeu (principalmente o Plano de Recuperação Europeu).

Para o ministro das Finanças “estas medidas vão dar um contributo fundamental para uma forte recuperação da economia, o que contribuirá “também para a redução do défice e da dívida pública” com o contributo do aumento do PIB. “Esta evolução da economia e das finanças públicas contribuirá para dar confiança aos portugueses, demonstrando que o país está no bom caminho, e que segue uma trajetória segura e sustentável”, rematou Leão.

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