Centenas de professores apresentam pedido de pré-reforma esta tarde
Centenas de professores vão apresentar, esta tarde, em Lisboa, Porto, Coimbra, Évora, Faro e Funchal pedidos de pré-reforma. Ainda assim, docentes continuam a exigir regime específico de aposentação.
Centenas de professores vão apresentar, esta quarta-feira, pedidos de pré-reforma junto das delegações regionais da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) do Porto, Coimbra, Lisboa, Évora, Faro e Funchal. Em conversa com o ECO, o dirigente da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) explica que este é um “ato simbólico” de protesto contra o envelhecimento da carreira docente e em resposta às declarações do ministro das Finanças. “O país não está numa posição económica, financeira e social que se possa dar ao luxo de ter as pessoas a sair do mercado de trabalho”, disse Mário Centeno, no início de abril.
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“Há muito tempo que pedimos ao Governo que negoceie um regime específico de aposentação”, sublinha Mário Nogueira, referindo que, face a estes pedidos, o Executivo de António Costa tem vindo a remeter para as novas medidas tomadas para a generalidade dos trabalhadores da Administração Pública, como o novo regime de pré-reforma. Esse regime entrou em vigor no início de fevereiro e estava envolto na promessa de rejuvenescimento da Função Pública, mas não é isso que se tem verificado.
Nesse âmbito, qualquer funcionário público com 55 anos ou mais pode pedir a suspensão da prestação de trabalho, mantendo entre 25% e 100% da sua remuneração à data do pedido.
O decreto-lei deixa, contudo, claro que esses pedidos têm de receber autorização prévia dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das Finanças e da Administração Pública. O que o diploma não deixa claro é a quem se devem dirigir esses pedidos, o que deu origem a centenas de pedidos de esclarecimento junto dos sindicatos e impediu o avanço dos requerimentos.
“Como continuamos sem resposta, vamos juntar, esta quinta-feira, nas direções regionais da DGEstE professores que irão requerer o início do processo de pré-reforma”, explica o sindicalista. Só em Coimbra, avança Nogueira, deverão ser apresentados uma centena de pedidos. A estes devem somar-se mais algumas centenas no Porto, Lisboa, Évora, Faro e Funchal.
Este é um “ato simbólico”, devendo mais professores, numa próxima fase, apresentar os seus pedidos de pré-reforma aos seus diretores. No total, a Fenprof já tinha estimado que entre 40 e 50 mil professores têm mais de 55 anos e, por isso, estão em condições de avançar com o pedido de pré-reforma.
À falta de esclarecimentos sobre a quem dirigir os pedidos, juntam-se também as declarações de Mário Centeno como justificação para esta ação de luta. Em abril, o ministro das Finanças disse ao Público que, apesar de o regime ter entrado em vigor, o Executivo não estava a abrir a porta às pré-reformas. “O país não está numa posição económica, financeira e social que se possa dar ao luxo de ter as pessoas a sair do mercado de trabalho”, frisou o governante.
E por falar em ações de luta, na sexta-feira a Fenprof deverá juntar-se à Frente Comum na manifestação nacional que visa exigir ao Governo aumentos salariais dos trabalhadores da Administração Pública. Durante a manhã desse mesmo dia, Mário Nogueira estará no Parlamento, a assistir às votações finais do diploma que prevê a recuperação integral do tempo congelado, que deverá receber votos desfavoráveis do PS, bem como do PSD e do CDS, se não forem aprovadas as “salvaguardas financeiras” propostas pela direita.
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