CP tem mais 3,5 milhões por ano para alugar até dez novos comboios a Espanha

  • Lusa
  • 20 Agosto 2018

A CP poderá gastar mais 3,5 milhões de euros por ano no aluguer de seis a 10 novos comboios à Renfe, a empresa ferroviária espanhola. Já paga sete milhões por 20 unidades.

A CP – Comboios de Portugal poderá gastar até 3,5 milhões de euros nos novos alugueres de seis a 10 comboios à operadora espanhola Renfe, a quem é pago atualmente sete milhões de euros por ano por 20 composições. Após uma visita às oficinas de Campolide, em Lisboa, Carlos Nogueira, presidente da CP, recordou que a transportadora paga atualmente sete milhões por ano aos espanhóis por 20 unidades, alugadas ao preço de 350 mil euros cada.

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Citando informações dadas pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme W. d’Oliveira Martins, no local, Carlos Nogueira indicava a base de preços para o “reforço do aluguer entre seis e 10 composições” e tendo em conta os atuais 350 mil euros por unidade “durante o tempo que for necessário para as novas composições, no âmbito do concurso internacional que irá ser aberto”. Assim, e mantendo-se estes valores, o aluguer de um máximo de 10 comboios poderá totalizar 3,5 milhões de euros.

O presidente da CP comentou ainda a necessidade de cumprir aspetos burocráticos dos processos, assim como a “carteira muito robusta” de encomendas dos fabricantes de comboios, pelo que a “CP vai entrar na fila”. “Daqui a três ou mais anos temos comboios [novos]”, acrescentou.

Durante esse período “importa reforçar o aluguer, que tem de ser com Espanha, que tem bitola [distância entre carris] ibérica” e é o único país que disponibiliza comboios a ‘diesel’, já que “cerca de um terço da infraestrutura” portuguesa está por eletrificar, referiu ainda.

O responsável sublinhou a importância de reforçar a componente da manutenção e reparação dada a vetustez do material circulante”.

“Temos material diesel, temos composições a fazer serviço com 62 anos e temos o nosso diesel restante com 50 e poucos anos. É muito tempo e exige uma manutenção permanente e contínua”, notou ainda o responsável, afirmando que os “problemas não são de hoje”.

Liberalização do mercado ferroviário: CP admite “parcerias estratégicas” com Espanha

O presidente da CP, Carlos Nogueira, admitiu também “parcerias estratégicas com a Renfe [operadora ferroviária espanhola]”, no âmbito da liberalização do mercado ferroviário, em 2019, que obrigará a “ser-se mais competente”.

Em declarações aos jornalistas, o responsável notou que a liberalização do mercado “é já amanhã”, a 1 de janeiro de 2019, e só “quem tem bons argumentos, quem é competente, quem tem boa performance e condições de gestão singrará no mercado”.

O Governo “não pode fazer grande coisa, não pode proteger o setor, a DGcom não deixa [direção de concorrência da União Europeia]”, pelo que a CP “tem que fazer o seu melhor”, disse o presidente da CP, enumerando “parcerias estratégicas com a Renfe, ter melhor material circulante, ter pessoal motivado e focado e alinhado”. “Temos que ser mais competentes”, sublinhou.

O gestor garantiu ainda que a “CP habilitou na altura própria o Governo, o acionista, com o quadro, com o framework para que decida como vai tratar o incumbente CP” quando o mercado ficar aberto, ao abrigo das regras europeias.

Governo assinala “desinvestimento” na CP na legislatura passada

Por sua vez, o secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme W. d’Oliveira Martins, assinalou o “desinvestimento no grupo CP” no passado, com a redução em cerca de um terço de trabalhadores entre 2010 e 2015.

O governante previu que os efeitos da contratação de 102 trabalhadores para a EMEF – Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário surjam em outubro e afirmou que as decisões no setor ferroviário refletem os “anos anteriores de desinvestimento, nomeadamente de 2015 para trás”.

“Basta ver em termos de recursos humanos, entre 2010 e 2015 os recursos humanos foram reduzidos em cerca de um terço. De 1.487 trabalhadores em 2010, em 2015 tínhamos 949 ao serviço”, assinalou aos jornalistas, depois de uma visita a uma oficina da EMEF, em Lisboa.

Garantindo que o transporte ferroviário é uma “prioridade” para o executivo, o governante enumerou as intervenções nas infraestruturas, que decorrem ao abrigo do programa Ferrovia 2020, assim como o aluguer do material circulante, cujos primeiros comboios a ‘diesel’ deverão chegar “no início do próximo ano”.

Está ainda a ser preparado o caderno de encargos para o lançamento do concurso para compra de novos comboios, que “será lançado nos próximos meses”, acrescentou o secretário de Estado, recordando que as últimas aquisições datam de 2002 para os suburbanos do Porto. O aluguer à operadora espanhola Renfe será acomodado pelo orçamento do grupo CP, que tem previstos 42 milhões de euros para investimento e manutenção de comboios este ano. Os contratos de aluguer deverão durar entre dois a três anos.

Sobre a reposição de horários, Guilherme W. d’Oliveira Martins referiu que na linha de Cascais acontecerá em setembro, enquanto na linha de Sintra o calendário aponta para outubro e no Oeste para novembro. As alterações são justificadas com necessidades e manutenções de material circulante.

(Notícia atualizada às 16h02 com declarações de Guilherme W. d’Oliveira Martins)

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