Lixo, imagiologia e algicidas dão prémios a PME portuguesas

Biomimetx, Perceived3D e Bluemater são as três novas PME portuguesas que vão receber um apoio de 4,7 milhões de euros no âmbito do Horizonte 2020.

A Comissão Europeia divulgou os últimos resultados do Programa de Investigação Horizonte 2020. Há mais três PME portuguesas selecionadas para receber o apoio do instrumento coordenado pelo comissário Carlos Moedas: Perceive3D, BioMimetx e Bluemater. Vão receber um total de 4,7 milhões de euros.

No total foram selecionadas 71 PME de 22 países. Portugal viu aprovadas três candidaturas, mas houve 30 propostas, o que significa que a taxa de aprovação foi de 10%, “mais do dobro da média europeia que se ficou pelos 4,3%”, sublinhou a Agência Nacional de Inovação (ANI) em comunicado. “As PME portuguesas captaram 4,6% do financiamento disponível, um valor muito acima dos 1,5%, a referência que tínhamos até aqui”, acrescenta a ANI.

Mas que empresas são estas? A Comissão Europeia descreve-as:

  • A Biomimetx, de Cantanhede, descobriu uma bactéria única que “excreta elevados níveis de moléculas que podem ser utilizadas como antimicrobianos e algicidas naturais através de um processo otimizado de fermentação que a empresa patenteou”. E para que é que isto serve? Para as tintas anti-incrustantes usadas, por exemplo, nas embarcações, e que pode, por isso ser uma solução inovadora para o crescimento azul. Este projeto recebeu um apoio de 1,39 milhões de euros de financiamento.
  • A Perceived3D vai especializar a sua tecnologia para procedimentos por artroscopia do joelho e da anca, oferecendo a primeira solução eficaz de artroscopia na Cirurgia Ortopédica Assistida por Computador. Para isso vai receber 1,3 milhões de euros. Esta empresa de Coimbra é especialista em soluções de software de imagiologia avançadas para assistir e guiar os cirurgiões durante procedimentos cirúrgicos pouco invasivos.
  • A Bluemater está, desde 2008, a tentar tornar comercial e viável o seu conceito inovador para o tratamento de águas residuais em aterros sanitários e na própria indústria. Com os 2,03 milhões de euros que vai receber do Horizonte 2020, esta PME do Porto vai continuar a explorar uma forma de juntar os componentes que se encontram em “águas residuais altamente concentradas para alimentar microalgas” com um crescimento especialmente rápido “por transformarem o amónio e os fosfatos em proteínas e outros materiais orgânicos”.

Por ocasião da divulgação da lista de beneficiários, Carlos Moedas lembrou que “os resultados confirmam que este instrumento é, assumidamente, a melhor porta de entrada para as PME no Programa Horizonte 2020”. No espaço de dois anos, este instrumento já financiou mais de 60 PME portuguesas inovadoras com mais de 13 milhões de euros, revelou, desafiando outras empresas a arriscarem e concorrerem a este instrumento.

Já para o presidente da ANI, que desempenha um papel ativo na promoção da participação das empresas nacionais no Horizonte 2020, “estes resultados ilustram a grande evolução verificada na participação nacional no Programa Horizonte 2020, resultante também do trabalho de sensibilização, promoção e apoio à comunidade empresarial”, diz José Carlos Caldeira.

“Nesta fase do Instrumento PME, cada projeto pode receber até 2,5 milhões de euros (cinco milhões para projetos no domínio da saúde) para financiar atividades de inovação como a demonstração, o ensaio, a fase-piloto, a fase de expansão e a miniaturização, para além de desenvolver um plano de negócios sólido”, explica a Comissão Europeia no comunicado.

Desde o lançamento do programa a 1 de janeiro de 2014, foram selecionadas 641 PME para financiamento ao abrigo da Fase 2 do Instrumento PME, 8 das quais portuguesas. A próxima data-limite é 6 de abril de 2017.

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