Os cinco pontos que marcaram o encontro de Davos

Todos os anos, a elite mundial reúne-se em Davos para discutir os problemas do mundo. Donald Trump foi o ausente mais presente do encontro.

A 47ª sessão do Forúm Económico de Davos decorreu num contexto em que a incerteza paira sobre o mundo. A eleição de Donald Trump, que curiosamente tomou posse no dia em que chegou ao fim o encontro na luxuosa estância de ski na Suíça, o Brexit, a questão da migração na Europa e os sentimentos nacionalistas que vão emergindo pelo mundo foram temas incontornáveis na reunião. Aliás, Trump, que nem sequer esteve presente, foi mesmo o nome mais falado em Davos.

Mas vamos às histórias que marcaram este fórum, e que contou com mais 400 sessões oficiais e mais de três mil participantes.

  • A globalização

É sempre um dos temas mais presentes nas reuniões onde se juntam algumas das personalidades políticas e económicas mais marcantes a nível mundial. Apesar dos sentimentos nacionalistas estarem a emergir um pouco por todo o mundo, Davos rejeita que estejamos perante o fim da globalização.

E o mais surpreendente é que um dos acérrimos defensores da globalização tenha sido nada mais, nada menos que o Presidente chinês, Xi Jinping, que marcou presença, pela primeira vez, nestes encontros. Xi Jinping defendeu os benefícios da globalização. “É verdade que a globalização económica criou novos problemas, mas isso não é justificação para a anular por completo”. Com estas declarações, Jinping pôs a China no radar da globalização.

Christina Lagarde, diretora do FMI, saiu também em defesa dos processos de globalização tendo porém afirmado que os ganhos de globalização têm que ser melhor repartidos. Lagarde frisou mesmo que “há 3,6 biliões de pessoas em todo o mundo que aspiram a melhores rendimentos” pelo que afirmar que a globalização é má porque destrói empregos, é uma visão muito redutora para “algo que precisa de mais trabalho analítico e compreensão”.

Mas neste cenário de globalização há várias incertezas a pairar: Trump será de facto um incompreendido como afirmou o seu enviado a Davos, Anthony Scaramucci?

  • Brexit

Em que moldes acontecerá o Brexit? Theresa May, primeira-ministra britânica, que esteve presente na reunião deu garantias de que o Reino Unido continua aberta para os negócios, mas a incerteza paira. A responsável já deixou bem claro que a saída da União Europeia será the hard way.

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, foi um dos que falou sobre a saída do Reino Unido da UE. Na sua opinião, o Brexit não deverá ter efeitos negativos a curto prazo. “A Europa está sob ameaça e temos de a ultrapassar”, disse o ministro alemão. Para Schäuble a saída do Reino Unido “não será um problema” de 2017, mas não nega que existe muita incerteza quanto ao que se vai passar na Europa este ano.

  • Uma nova ordem mundial

Ao longo de toda a reunião foi percetível que o mundo vive hoje, uma mudança geopolítica como já não se assistia desde a ‘Guerra Fria’, de um mundo onde imperava uma superpotência para um mundo multipolar. Uma tese defendida pelo economista Nouriel Roubini.

Apesar de tudo, os líderes presentes em Davos reconhecem que não é só a globalização que precisa de uma mudança, mas sim os próprios modelos de governação. Aliás, a própria diretora do FMI frisou que se os líderes políticos mundiais não entenderem agora que esta mudança é necessária não sabe “quando irão perceber”.

Não foi inocente o facto de, no arranque do encontro anual deste fórum, se ter debatido o futuro da política monetária mundial. A questão é saber se os bancos centrais vão conseguir regressar, de forma segura, a um cenário “normal” de política monetária. Não houve consenso na matéria.

 

  • Partilhar riqueza

A redistribuição da riqueza, esteve naturalmente na ordem do dia, sobretudo numa altura em que se ficou a saber que os oito mais ricos do mundo acumulam uma riqueza equivalente aos 3,6 biliões de pessoas mais pobres. Mas se todos concordaram que esta [redistribuição] era uma evidência já sobre a forma como a repartir os consensos não foram tão alargados. Voluntária ou através de tributação? A pergunta ficou sem resposta.

De resto a questão da desigualdade assume-se mesmo como um dos maiores riscos para a economia global, segundo o fórum.

  • Tecnologia

O encontro de Davos não deixou de lado a questão da quarta revolução industrial. Coube a Joe Biden, ex-vice-presidente dos Estados Unidos, recordar que tem sido a tecnologia e não a abertura de fronteiras ao comércio a realizar uma grande mudança no perfil dos empregos do séc. XXI. Hoje, disse Biden, produz-se mais, mas com menos trabalhadores.

Continua a existir criação de emprego mas noutras áreas e noutros formatos o que implica a necessidade de formação, caso contrário haverá forçosamente mais desemprego. Mas nem todos podem e querem mudar de ocupação e um Estado mais generoso socialmente é um substituto imperfeito.

Larry Fink, presidente executivo da BlackRock, uma empresa de gestão de ativos frisou que “a tecnologia é o cisne negro da economia global, com potencial para criar disparidades sem precedentes”.

 

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