Desacordo sobre Brexit: embaixador do Reino Unido na UE demite-se

Ivan Rogers ficou sob escrutínio após ter dito que negociar um acordo de comércio livre entre o Reino Unido e a União Europeia poderia demorar 10 anos.

O embaixador britânico na União Europeia demitiu-se do cargo devido às críticas de que tem sido alvo por parte dos apoiantes do Brexit, avança o Financial Times (acesso pago). Ivan Rogers já terá dito à sua equipa que vai abandonar o posto mais cedo.

Há um mês, o diplomata Ivan Rogers foi criticado pelos apoiantes do Brexit por se ter vindo a saber que, numa reunião, dissera aos restantes ministros que um acordo de comércio livre com a União Europeia poderia demorar até 10 anos a negociar após o Reino Unido sair da UE. Segundo o gabinete da primeira-ministra, Ivan Rogers não estava a dar a sua opinião nessa reunião, mas sim a partilhar a perspetiva de outros diplomatas europeus com quem falara.

Mas isso não foi suficiente para poupar Rogers a um grande escrutínio público, com algumas publicações a referirem que se discutia a substituição do diplomata mais cedo, antes do fim do seu mandato em novembro. A demissão não surge, assim, como uma surpresa no seio do Executivo britânico, disse ao The Guardian fonte do Governo.

O embaixador “não escondia propriamente o facto de não estar comprometido de alma e coração com o Brexit”, disse o deputado conservador Dominic Raab. “E ele ia sair no outono de qualquer forma. Faz sentido colocar agora um embaixador que acompanhe as negociações durante algum tempo”.

Já para a oposição, a saída de Ivan Rogers preocupa. O deputado dos trabalhistas Hilary Benn disse à BBC: “Acho que isto significa que o Governo vai ter de se despachar para ter a certeza de que há um substituto que possa trabalhar com Sir Ivan na transição”, afirmou. “Se o Artigo 50 for ativado, como o Governo diz desejar fazer, no final de março, então as negociações deverão começar pouco depois. E ter uma transição no meio disso tudo, dependendo da altura em que ele sair ao certo, não é o ideal”.

A invocação do Artigo 50 do Tratado de Lisboa dá início às negociações dos termos de saída de um país da União Europeia, e Theresa May comprometeu-se a fazê-lo em março. Tem, no entanto, alguns obstáculos no caminho, incluindo um processo que se encontra atualmente no Supremo Tribunal britânico que vai decidir se o Governo pode acionar o Artigo 50 ou se precisa de aprovação do Parlamento.

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