Prestações descem? Sim, mas muito pouco

O ritmo de queda das taxas de juro de mercado está a abrandar. Mas continuam a descer, tocando mínimos que vão permitir mais algum alívio nas prestações da casa de quem tem revisão no início de 2017.

Se tem crédito à habitação, não se assuste com todos os aumentos de preços que chegam com o novo ano. A prestação da casa vai voltar a descer nos contratos de crédito revistos no próximo mês, mas a redução vai ser muito ligeira… mas para o nível mais baixo de sempre. É que as taxas que servem de base para estes empréstimos estão a cair cada vez menos, apesar de continuarem em mínimos históricos.

As Euribor até inverteram o rumo durante o último mês de 2016 por causa da subida da taxa diretora nos EUA. Mas foi apenas um ressalto. Rapidamente as taxas voltaram às descidas, acentuando os níveis de negativos em que se já se encontram há vários meses. Da Euribor a três até à de 12 meses, o sinal de menos continua lá. E quem tem crédito volta a sentir um alívio da prestação ao banco.

Os créditos com taxa a três e seis meses são os mais comuns. Nestes, as descidas vão variar entre 0,2% e 0,75%, respetivamente, nos créditos revistos em janeiro (a nova prestação começa a ser paga em fevereiro). Considerando um crédito de 100 mil euros com um prazo de 30 anos, ao qual tenha sido atribuído um spread de 1%, o valor da prestação num crédito com a taxa a três meses vai descer de 307,96 para 307,38 euros. Poupa apenas 58 cêntimos.

A diferença de mensalidade no mesmo crédito, mas com a taxa a seis meses, não é muito mais expressiva, apesar de o valor a pagar ao banco ao final de cada mês ir descer para um novo mínimo histórico: a prestação cai dos atuais 314,25 para 311,86 euros, de acordo com os cálculos realizados pelo ECO com dados sobre as Euribor recolhidos pela Bloomberg.

Uma queda mais expressiva só se verificará no caso dos créditos com a Euribor a 12 meses — são em número reduzido, mas estão a aumentar os empréstimos com esta taxa que passou a ser quase a única disponível em créditos com taxa variável nos bancos em Portugal. A prestação vai descer 1,97%, com a mensalidade de um crédito de 100 mil euros a encolher de 324,36 para 317,98 euros, sendo que a diferença só é tão grande porque a mensalidade não é atualizada há um ano.

Descer mais? Há pouca margem

As descidas das prestações dos créditos à habitação estão a ser cada vez mais reduzidas, à medida que as quedas das Euribor vão-se tornando menos expressivas tendo em conta que as taxas já estão muito próximas do juro dos depósitos do Banco Central Europeu (-0,4%). As descidas nas mensalidades das famílias portuguesas devem continuar, mas a margem é cada vez mais reduzida.

“As Euribor estão em tendência de baixa há vários anos e apenas estabilizaram no último trimestre devido ao ‘chão’ do BCE de -0,4%. Não há ainda qualquer sinal de inversão de tendência”, diz Filipe Garcia, presidente da IMF. “A nossa perspetiva é que o BCE mantenha as taxas de juro ao longo de todo o ano, pelo que as taxas Euribor deverão ficar, também, relativamente estabilizadas”, refere Rui Serra, economista-chefe do Montepio.

Assim, no limite, durante grande parte do ano as prestações podem ficar pouco alteradas. Mas “mais para o final de 2017 é provável que se venha a assistir a ligeiras subidas”, defende o economista do Montepio. Os contratos futuros sobre a taxa a três meses apontam para que o nível mais baixo seja atingido nos primeiros meses de 2017, invertendo ligeiramente daí em diante. Ainda assim, os juros negativos devem manter-se até aos primeiros meses de 2020.

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