Adágios? A receita para evitar perdas em Lisboa

Conhece os adágios dos mercados? Devia. Nem sempre estão certos, mas este ano teriam poupado a carteira a perdas desnecessárias. Acertaram quase todos em Lisboa e na Europa. E nos EUA? Não.

E se pudesse prever o que vai acontecer nos mercados? Era bom, mas é (quase) impossível. Não há bola de cristal que consiga antecipar os movimentos dos vários ativos. Restam os adágios. São desempenhos verificados historicamente que, por vezes, acabam por ser bons conselheiros para os investidores. Podem ajudar a ganhar muito… ou a perder pouco.

Estas velhas máximas falham? Falham. Mas este ano foram quase todas certeiras. Num ano marcado pelo vermelho em Lisboa e a na generalidade das bolsas da Europa, com todos os “cisnes negros” que se verificaram nos mercados, seguir os adágios teria permitido escapar a perdas. Janeiro foi um excelente conselheiro no Velho Continente. Nos EUA, não. E vender em maio também não, com as bolsas em recorde. Até o Pai Natal deu um empurrão.

Janeiro, um guia certeiro

O adágio referente ao primeiro mês do ano é simples: “Como vai janeiro, vai o ano inteiro”. E como foi janeiro? Negativo para a generalidade das bolsas mundiais. Perdas avultadas tanto em Lisboa como na Europa e também nos EUA. Desempenhos que assustaram os investidores. E ainda bem, já que no caso do Velho Continente foi um prenúncio do mau desempenho que se regista no acumulado do ano nas bolsas europeias.

O Stoxx 600 afundou 6,44% logo no primeiro mês de 2016, queda seguida de perto pela praça nacional (-4,66%). Apesar do sobe e desce constante, à chegada ao final do ano o saldo é igualmente negativo tanto no índice de referência europeu como em Lisboa. Enquanto o Stoxx 600 cai 1,4% (conseguiu encolher as perdas), o PSI-20 acentuou a tendência com uma quebra de mais de 12,5%.

Mas se o adágio foi certeiro deste lado do Atlântico, do outro lado o padrão não se verificou. Depois de uma queda de mais de 5% logo a abrir 2016, à chegada ao final deste ano o S&P 500 apresenta uma valorização de mais de 10%. Está a negociar em níveis recorde, assim como os restantes índices norte-americanos, impulsionados por uma economia mais sólida que já levou a Fed a subir novamente a taxa de referência dos EUA.

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Vender em maio? Sem dúvida

É, provavelmente, o adágio mais conhecido por quem investe nos mercados acionistas. O “Sell in May and go away, and come on back on St. Leger’s Day”, ou seja, venda em maio em e só volte às bolsas depois do feriado de St. Leger, no final de setembro, é sempre tido em consideração pelos investidores tal o número de vezes que se tem revelado certeiro. E, este ano, voltou a sê-lo, mas não nos EUA.

Se na Europa o índice de referência da região apresentou uma queda de 1,3% entre o final de maio e o final de setembro, na bolsa nacional o saldo foi bem mais negativo: 7,27%. Um descalabro no índice nacional que em muito contribui para o saldo negativo apresentado pelo índice português no acumulado de 2016. Já nos EUA, o período marcado pelas férias de muitos investidores trouxe ganhos de 3,4%. Ou seja, o adágio… falhou.

Fonte: Bloomberg (Valores em percentagem)
Fonte: Bloomberg (Valores em percentagem)

E o pior mês do ano foi…

Regra geral, setembro tende a ser um mês negativo nos mercados acionistas a nível mundial. Com os investidores ainda a regressarem das férias, o que se traduz em menor liquidez nas bolsas, o nono mês do calendário costuma trazer muitas notícias, seja ao nível empresarial, seja de política monetária, o que muitas vezes faz com que o adágio de que setembro é o pior mês do ano nas bolsas se concretize. Este ano foi assim?

Setembro foi, efetivamente, um mês negativo para as bolsas. Lisboa perdeu 2,43%, mas tanto o Stoxx 600 como o S&P 500 apresentaram um saldo negativo, mas muito ligeiro. Quedas que em nada se compararam com as desvalorizações expressivas apresentadas pelos dois índices de referência da Europa e dos EUA em janeiro. O PSI-20, por seu lado, teve um mau arranque de ano, mas nada se compara à queda de mais de 10% em junho, altura em que os investidores tremiam com o Brexit.

Fonte: Bloomberg (Valores em percentagem)
Fonte: Bloomberg (Valores em percentagem)

Pai Natal traz presentes?

O ano não termina sem mais um adágio. Quando muitos já procuram o presente ideal para oferecer no Natal, o “Rally” do Pai Natal costuma presentear os investidores com valorizações expressivas no último mês do ano, período em que muitos grandes investidores (fundos de investimento, por exemplo) começam a mexer nas suas carteiras para se prepararem para o ano seguinte.

E o Pai Natal apareceu mesmo, este ano. Se nos restantes adágios a Europa e os EUA estiveram de costas voltadas, fizeram as pazes neste final de ano, corroborando esta velha máxima dos mercados ao apresentarem ganhos em dezembro. Se o S&P 500 se destacou nos restantes adágios, conseguindo sempre um resultado mais positivo que o Stoxx 600, neste “rally” o índice europeu soma quase 5,5% contra os 3% do dos EUA. E Lisboa? O PSI-20 apanhou a boleia: ganha mais de 4%.

Fonte: Bloomberg (Valores em percentagem)
Fonte: Bloomberg (Valores em percentagem)
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