Conheça as apostas do Goldman Sachs para 2017

A volatilidade tomou conta dos mercados. O Brexit, a eleição de Trump e o referendo em Itália agitaram as águas. E o que esperar de 2017? O Goldman Sachs dá a receita.

Este ano foi dominado pela volatilidade. O mercado tremeu com o referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia e com a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA. E não fica por aqui. O referendo italiano também determinou a queda de Matteo Renzi.

O clima é de tensão nos mercados. E promete continuar durante o próximo ano, tornando as decisões de investimento cada vez mais difíceis de tomar. Mas no caso de os investidores não saberem o que fazer, o Goldman Sachs diz que sabe. E fez uma lista das apostas para ganhar em 2017. São seis. Conheça-as.

Dólar vai continuar a valorizar

A apreciação do dólar já fazia parte das apostas do Goldman Sachs para este ano. E esta tendência, que se está a confirmar, vai manter-se em 2017 devido a questões políticas, como a maré populista que se verifica a nível mundial, diz o banco de investimento. Os estrategas do banco estimam uma subida de 10% para o dólar face ao euro e à libra. A moeda única já negoceia em mínimos de dezembro de 2015.

“Nos EUA, os eventos têm sido positivos para o dólar. Desde o aumento da probabilidade de haver estímulo orçamental, à intensificação do protecionismo e controlos de imigração”, escreve o Goldman Sachs. A isto junta-se a aceleração da inflação, que deixa antecipar um aperto na política monetária do banco central dos EUA, a Fed.

Mas os eventos não se limitam aos EUA. “Na Europa, a atual incerteza sobre o processo do Brexit deve pesar na libra, enquanto a vaga de eleições legislativas em França, Alemanha e Holanda vão pressionar o euro”, explica a equipa de analistas numa nota de investimento citada pela Bloomberg.

China deve continuar a intervir na moeda

O Goldman Sach diz que Pequim deve continuar a arquitetar uma depreciação do yuan contra o dólar em 2017. “Prevemos que a fixação do par dólar face ao yuan continue a subir, influenciado por pressões domésticas na China e no contexto de um dólar mais forte”, explica a equipa de analistas. Assim, recomendam aos investidores que apostem neste movimento.

O dólar ganhou 7,5% contra o yuan ao longo deste ano. O ritmo de apreciação necessária para que o par cambial atinja os 7,30 dólares por yuan deverá implicar uma oscilação mais ligeira da moeda norte-americana ao longo dos próximos 12 meses, diz o banco.

Apostar na subida das moedas emergentes

Os estrategas do Goldman Sachs recomendam que os investidores apostem na subida do real, rublo, rupia e ainda do rand sul-africano, isto em detrimento do won sul coreano e do dólar de Singapura. As últimas duas são normalmente usadas pelos investidores que pretendem manter uma exposição reduzida à China.

No rescaldo das eleições dos EUA, algumas destas moedas têm sido penalizadas devido à pressão vendedora nos mercados emergentes. É, por isso, uma boa altura para apostar na sua apreciação.

Brasil, Polónia e Índia. O caminho para o crescimento

A equipa do Goldman Sachs nota que o Brasil, a Polónia e a Índia expõem os investidores ao crescimento dos mercados emergentes. E isto sem estarem à mercê do crescimento fraco da China e das políticas dos EUA. O banco recomenda que os investidores compre um cabaz composto pela Warsaw Stock Exchange Total Return Index (da Polónia), o Ibovespa Brasil São Paulo Stock Exchange Index (Brasil) e o NSE Nifty 50 Index (Índia), em iguais proporções e sem proteção cambial. Os estrategas estimam um ganho de 20%. Se se registar uma queda de 10%, retirem a aposta.

Aumento do spread dos juros da dívida

Os estrategas estão novamente a aconselhar os investidores a apostarem no aumento da diferença entre as taxas das obrigações a 10 anos dos EUA indexadas à inflação — que servem para proteger os investidores dos efeitos da subida dos preços — e as yields nominais. Mais especificamente, apontam para um aumento desse diferencial para 230 pontos base.

A equipa do banco também recomenda uma versão da mesma estratégia para a inflação na Europa, mas através de swaps, sendo que na base desta aposta está a expectativa de que os preços da energia se mantenham, que as políticas de austeridade acabem e que os bancos centrais sejam mais permissivos à subida da inflação para níveis superiores às metas que definiram.

Dividendos crescem na Europa

O Goldman Sachs diz que os investidores devem apostar no aumento dos dividendos europeus. E esta aposta deve ser feita através de contratos futuros sobre os dividendos referentes a 2018 do Euro Stoxx 50. “Os swaps dos dividendos parecem, atualmente, atrativos”, explica o banco, notando que esta aposta tem um risco reduzido.

“Os dividendos de mais curto prazo são menos influenciados pelas alterações do valor das ações e mais pelos lucros subjacentes e fluxos de caixa” gerados, notam os especialistas. E dão o exemplo: “apesar do crescimento ligeiro dos resultados em 2016, os dividendos de 2017 do Euro Stoxx 50 ofereceram um retorno de 6%”.

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