Os secretários de Estado João Ferreira e Helena Canhão defendem a criação da AI², rejeitam as críticas da comunidade científica e garantem que a avaliação da investigação continuará independente.
Quando o Governo anunciou, no verão de 2025, a fusão da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) com a Agência Nacional de Inovação (ANI), a decisão gerou forte contestação na comunidade científica. Reitores, investigadores e estudantes alertaram para os riscos da reforma e questionaram a perda de autonomia da ciência, num debate que acabaria por marcar a origem da Agência para a Investigação e Inovação (AI²).
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Em entrevista conjunta ao ECO, o secretário de Estado da Economia, João Ferreira, e a secretária de Estado da Ciência e Inovação, Helena Canhão, rejeitam essas preocupações e asseguram que a nova agência vai preservar a avaliação científica independente, ao mesmo tempo que pretende aproximar a investigação das empresas e reduzir a fragmentação do sistema. “A avaliação científica da AI² é completamente independente”, garante Helena Canhão.
Os dois governantes defendem ainda que a reforma pretende tornar o sistema mais eficiente e reforçar a transferência de conhecimento para a economia. “Não podemos querer transformar mantendo tudo na mesma”, afirma João Ferreira. E deixa um aviso sobre os resultados esperados da nova agência: “Se uma máquina administrativa menos burocrática só for conseguida daqui a cinco anos, então é um fracasso“.
A comunidade científica alertou, há cerca de um ano, para o risco de esta fusão fragilizar a investigação fundamental. Passados alguns meses, qual foi o feedback que já obtiveram da comunidade?
Helena Canhão (HC): Penso que, numa fase inicial, como a FCT sempre se pautou por avaliações feitas por painéis internacionais, em que a excelência é valorizada, essa é uma componente que importa preservar e que vai ser preservada. É uma parte da FCT muito valorizada pela comunidade.
Houve algum receio de que, ao criar-se uma nova agência, essa componente se perdesse. Quando começámos as discussões com toda a comunidade e ficou claro que o objetivo não era diminuir essa cultura de excelência e de avaliação independente, mas sim reduzir a fragmentação do sistema e organizá-lo de forma a otimizar os instrumentos, penso que a comunidade ficou mais tranquila e, sobretudo, está a contribuir de uma forma muito ativa para que possamos tomar uma decisão informada.
João Ferreira (JF): Vou dar aqui uma nota, até porque o pano de fundo é que estamos em plena semana de lançamento do Encontro Ciência e Inovação, numa mobilização absolutamente extraordinária. Uma preocupação da AI² foi envolver o setor empresarial e, pela informação que tenho, é relevante verificar que quase dois terços das propostas recebidas vêm efetivamente desse setor. Nota-se, mesmo ao nível das inscrições, essa mobilização e um grande interesse do tecido empresarial.

Aquilo que nos mobiliza, do lado da inovação, é crescermos no reconhecimento e na classificação de Portugal enquanto país inovador. Temos dado passos importantes. Continuamos a ser considerados, nos rankings internacionais, um inovador moderado.
Mas tem sido regularmente identificado que o grande desafio continua a ser a transferência da boa ciência e da investigação que temos para as empresas. Essa transferência não é feita da mesma forma em todos os casos. Se olharmos para as grandes empresas, elas têm uma capacidade diferente e, porventura, mais rápida do que a maioria das nossas PME.
Também por isso estamos a dar uma atenção especial à nossa rede de transferência de conhecimento e às instituições que fazem essa ponte. Elas vão estar muito envolvidas no Encontro Ciência e Inovação precisamente para mostrar que esta preocupação da comunidade científica, talvez por ter existido a perceção de que poderia haver alguma interferência na liberdade de investigação, está salvaguardada. A liberdade e a criatividade são fundamentais para a criação de valor.
Portugal hoje, aliás, não deve ter qualquer complexo nem preconceito sobre isso. Em 2025 atingimos um número recorde de startups. Temos um número de unicórnios que, face à dimensão do país, está muito acima do expectável. Estamos a criar valor, temos uma grande incorporação de inovação nesse ecossistema e conseguimos torná-lo bastante internacional, com startups sediadas em Portugal.
Tínhamos um problema: as grandes questões estavam nos interfaces. Estávamos a ter sucesso em alguns dos pilares, mas é precisamente nos interfaces, onde se faz a transferência de conhecimento, que está o segredo.
O grande desafio continua a ser a transferência da boa ciência e da investigação que temos para as empresas. Essa transferência não é feita da mesma forma em todos os casos.
A criação desta agência tem exatamente que ver com a eliminação de alguns desses interfaces. Temos muito claro, aliás é algo muito presente nas nossas conversas, que o objetivo final é a criação de valor para o país: contribuir para o aumento do Produto Interno Bruto (PIB), para a valorização da economia, para melhorar o saldo da balança comercial, para aumentar a incorporação de tecnologia nas nossas exportações e, assim, criar condições para aumentar a atratividade do país, melhorar os níveis salariais e reforçar o seu posicionamento internacional.
A vantagem de termos também esta ligação é podermos, através da nossa rede internacional, da AICEP e de toda a diplomacia económica, trazer para Portugal aquilo que de melhor se faz no exterior e, ao mesmo tempo, projetar para fora o que fazemos cá.
Portanto, queremos utilizar toda esta vertente para que a nossa investigação e inovação consigam ganhar ainda mais valor nas cadeias internacionais e na participação que Portugal tem a nível internacional. Ninguém tem dúvidas da nossa competência. O desafio é materializá-la.
O grande objetivo do Governo com a AI² é produzir resultados para a sociedade?
JF: Esse é o objetivo principal. Os resultados para a sociedade exigem que tenhamos consciência de uma coisa: não podemos querer transformar mantendo tudo na mesma. Portanto, as mudanças têm, desde logo, uma fase inicial que gera alguma agitação. Quando introduzimos essa agitação, há naturalmente uma perturbação. Mas depois haverá uma reorganização e o objetivo é que, nessa reorganização, o resultado final tenha um impacto positivo.
Temos de ter essa ideia muito clara. O primeiro-ministro, aliás, tem sido muito claro no mandato que deu ao Governo e a todos os que participam nesta execução: o objetivo é a criação de valor, porque é essa criação de valor que vai permitir melhorar as condições de vida dos portugueses e manter também o modelo social que existe em Portugal e na Europa.
Aliás, a discussão que estamos a ter, e falo enquanto alguém que participa regularmente nos debates sobre competitividade, é uma discussão que está a decorrer à escala europeia. Portugal está a fazê-la de uma forma que, desta vez, nos pode dar confiança e orgulho, por estarmos a antecipá-la. Não estamos à espera que essa circunstância nos seja imposta. Não digo que a estejamos a liderar, isso seria excessivo, mas estamos, pelo menos, a antecipá-la e a participar nela, porque o próximo quadro europeu, e em particular o Fundo Europeu para a Competitividade, estão completamente alinhados com essa estratégia.
Ninguém tem dúvidas de que na Europa temos talento, criatividade e ideias. A dificuldade está em retê-las e transformá-las em valor.
HC: Quando falamos de benefício para a sociedade e de criação de valor, há muitos investigadores — e agora estou a falar da comunidade científica — que ficam preocupados. Quem desenvolve investigação em matemática ou em física teórica, por exemplo, e não está a produzir um produto que se venda, receia que esse tipo de investigação deixe de ser valorizado ou de ter financiamento.
Mas não é disso que se trata. O CERN é um bom exemplo. Há investigação completamente fundamental, mas os benefícios para a sociedade são enormes, porque se produz conhecimento e muito valor que não se materializa imediatamente num produto. Ainda assim, há inovação, há processos que melhoram e há avanços que acabam por ter impacto.

Outro aspeto importante é que, quando fazemos esta ligação ao longo da cadeia de valor, também queremos promover o movimento inverso: que as empresas voltem aos cientistas, lhes coloquem questões e, dessa forma, também estimulem novas ideias por parte dos próprios investigadores.
Portanto, o que estamos a dizer é que queremos melhorar esta ligação, trazer problemas concretos para a investigação e, na verdade, contribuir para melhorar a sociedade de muitas formas.
Porque o valor não está apenas no produto que se vende de imediato. Pode resultar de uma descoberta cujo impacto só se torna evidente muitos anos depois. Sabemos que, muitas vezes, um Prémio Nobel é atribuído por uma descoberta feita 30 ou 40 anos antes. Não é isso que está em causa. O que estamos a dizer é que, com todo este planeamento e com a agência, há também outro aspeto muito importante.
Vamos ter um novo programa-quadro da União Europeia para o período de 2028 a 2034. Poder planear em 2026 e 2027 dá-nos, pela primeira vez, a possibilidade de o país estar mais preparado para esse programa-quadro do que acontecia no passado, quando reagíamos apenas depois de ele ser lançado.
Com o orçamento plurianual, que resultado concreto permitirá dizer, daqui a cinco anos, que a AI² funcionou? Mais produtividade, melhores salários, uma máquina administrativa menos burocrática?
JF: Se uma máquina administrativa menos burocrática só for conseguida daqui a cinco anos, então é um fracasso. Uma administração mais eficiente tem de existir desde o início. Aliás, a AI² já está a trabalhar intensamente nessa área. Essa é uma das grandes preocupações: garantir que não há disrupções nesta fase de transição e garantir que os níveis de serviço são excecionais.
Depois, numa perspetiva mais ampla, os indicadores serão os da progressão económica: a incorporação de alta tecnologia nas nossas exportações, contribuindo para a melhoria da balança comercial; o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), sobretudo na sua componente de maior valor acrescentado; e o aumento do nível de especialização da economia.
Importa distinguir entre fazer programas doutorais em empresas e as empresas absorverem doutorados. São duas coisas que, por vezes, se confundem, mas são muito diferentes. Qual é a vantagem? A grande virtude de uma organização é reunir diferentes perspetivas. A experiência acumulada de uma empresa, combinada com o pensamento estratégico que um doutorado traz — capacidade de organização, de análise e de estruturar ideias — é esse o modelo vencedor.
Ir para o estrangeiro para procurar novas oportunidades e adquirir novos conhecimentos não é, por si só, negativo. O problema é quando se vai para fora por não haver emprego em Portugal.
Portugal tem ainda uma vantagem importante: a capacidade de atrair talento, não apenas nacional, mas também internacional. Temos de conseguir reter o talento que já temos e atrair outro, que nos traga diferentes visões culturais e outras formas de organização empresarial. A inovação não acontece apenas no produto ou no processo; acontece também ao nível da gestão. E queremos dar passos importantes nessa matéria.
Portanto, o sucesso da agência daqui a cinco anos será medido pela transformação da nossa economia numa economia de maior valor acrescentado, mais presente nos grandes centros de investimento internacional, alinhada com a estratégia europeia e capaz de aumentar o valor acrescentado das nossas exportações. Esse é o objetivo.
HC: E, já agora, deixem-me acrescentar um aspeto que já referimos, mas que nunca é demais repetir. Este contrato-programa abrangerá o período de 2027 a 2031 e coincidirá com o início do próximo programa-quadro europeu, que decorrerá entre 2028 e 2034. Queremos captar mais financiamento europeu e essa será também uma métrica importante.
Outro aspeto fundamental é a retenção de talento e garantir que os jovens que estamos a formar tenham cada vez mais oportunidades de emprego. Ir para o estrangeiro para procurar novas oportunidades e adquirir novos conhecimentos não é, por si só, negativo. O problema é quando se vai para fora por não haver emprego em Portugal.
Esse é um dos grandes objetivos. Acreditamos que este planeamento, juntamente com a AI², pode contribuir para reter talento, atrair de volta quem saiu do país, criar mais emprego qualificado em Portugal e captar mais financiamento europeu no próximo programa-quadro.
No caso das humanidades e as ciências sociais não produzirem necessariamente patentes, startups ou contratos com empresas, que métricas é que serão usadas para avaliar resultados nessas áreas sem as penalizar?
HC: Neste momento, do ponto de vista das ciências sociais e das humanidades, temos uma oportunidade de colocar todos estes stakeholders, todos estes agentes, a conversar. Por exemplo, quando uma empresa tecnológica ou uma equipa de engenheiros está a desenvolver um protótipo, uma nova aplicação ou um novo produto, seria muito importante que, logo no desenho desse protótipo, existisse uma avaliação do grau de satisfação dos utilizadores e da forma como o produto se adapta ao público a que se destina.

Dou-lhe um exemplo concreto. Quando desenvolvemos produtos para idosos, por vezes criamos um botão que funciona como uma maçaneta. Os idosos têm muita dificuldade em fazer esse movimento. Se for um botão de pressão, é muito mais fácil. Temos de envolver pessoas, investigadores ou empresas, que saibam avaliar o comportamento, a satisfação, as perspetivas e as expectativas em relação a um produto.
E isso não são, necessariamente, os engenheiros que sabem fazer. São pessoas das ciências sociais e de outras áreas que podem introduzir essa visão do utilizador e do comportamento das pessoas. Para responder aos desafios atuais, temos de ter equipas multidisciplinares. Esta é também uma forma de reunir pessoas com diferentes formações e conhecimentos para trabalharem em conjunto.
JF: Não podemos desligar Portugal do contexto em que está inserido. Aliás, os últimos dois anos foram paradigmáticos. A Europa identificou claramente três áreas onde tinha de acelerar: a necessidade de reindustrializar a Europa, entendida no sentido mais amplo possível; o reforço da nossa soberania tecnológica; e, depois, a dimensão energética, que é absolutamente incontornável.
Portugal tem aqui uma vantagem competitiva única. Para além do talento e do trabalho excecional que hoje é feito nas engenharias e nas áreas STEM, temos um fator competitivo muito forte na energia. Depois temos todo um conjunto de ativos intangíveis que não são tão relevantes para esta conversa, mas que também têm sido fatores importantes de diferenciação do país. Portanto, não vamos trabalhar apenas temas nacionais.
Posso dizer que, com dados desta semana, no IAPMEI, na AI² e na AICEP não existem candidaturas por analisar fora de prazo.
Os nossos investigadores vão continuar, como já acontece hoje, a trabalhar numa lógica europeia. Pela experiência que conhecia da ANI, já estávamos bem posicionados no Horizonte Europa e já conseguíamos alcançar níveis de excelência.
Sempre que saem novos dados, procuro perceber se continuamos a ter apenas um pequeno grupo que se destaca ou se estamos, de facto, a alargar essa capacidade. Dou o exemplo da notícia do ECO de segunda-feira sobre o recorde de patentes. À primeira vista, podemos ficar satisfeitos. E estamos, mas apenas em parte. Os dados mostram uma evolução positiva, mas também demonstram que ainda estamos longe de onde queremos estar.
Ainda assim, a trajetória é positiva. Portanto, alguma coisa está a ser bem feita. Muito desse trabalho passa por criar confiança. E eu não desligo isto de um enorme esforço na redução da burocracia, na simplificação dos processos e em garantir respostas atempadas. Posso dizer que, com dados desta semana, no IAPMEI, na AI² e na AICEP não existem candidaturas por analisar fora de prazo.
Este foi um esforço para transmitir confiança aos investidores, para que avancem e invistam, dando um sinal claro de previsibilidade. Costumo dizer que essa parte está nas nossas mãos. E aí não podemos falhar.
Posso dizer que, com dados desta semana, no IAPMEI, na AI² e na AICEP não existem candidaturas por analisar fora de prazo.
HC: Com esta integração, não estamos a desvalorizar, muito pelo contrário, o trabalho que tem sido feito pelas agências ao longo dos anos. O que acontece é que diferentes momentos da história exigem ferramentas diferentes, porque a sociedade evolui. O país evoluiu muito desde a criação da FCT e, se naquela altura a resposta era uma, também quando a FCCN foi integrada na FCT isso aconteceu porque se entendeu que fazia sentido.
Agora, o que queremos é otimizar, aproveitando tudo o que existe de bom. O país, e sobretudo o ecossistema da ciência, da inovação e das empresas, é hoje, felizmente, uma realidade muito diferente da que existia há 30 ou 40 anos. Por isso, temos de saber olhar para cada momento, fazer esse retrato e, em vez de estarmos constantemente a dizer que algo está mal, agir e encontrar soluções para resolver o que precisa de ser melhorado, sem destruir aquilo que está a funcionar bem.
A aproximação às empresas pode ser virtuosa, mas também pode transformar dinheiro público em subsídio indireto, em investigação privada que as empresas fariam de qualquer forma. Como será testada esta adicionalidade do apoio público?
JF: Eu diria que essa salvaguarda faz sentido. Ela hoje é acautelada e já vem num quadro mais macro que tem essas salvaguardas. Ela tem que ser mesmo multiplicativa. E, portanto, vai haver essa preocupação. Em termos de política, está a ser passada.
Temos que continuar a criar as ferramentas e os instrumentos para que não haja aqui uma substituição daquilo que é capacidade privada de fazer inovação em alguns segmentos.

O Deep Tech é um bom exemplo disso, porque de facto há dificuldade no capital privado. São áreas de muito risco, de muito longo prazo e, portanto, aí o incentivo e o estímulo público pode trazer uma grande vantagem a largo prazo nessa matéria e as instituições e aquilo que será a nossa política pública.
Uma das prioridades anunciadas pelo Governo com o lançamento da AI² é o de colocar mais doutorados nas empresas. Qual é a meta anual e qual o valor que esperam que as empresas entreguem à sociedade?
HC: Ao longo do tempo, temos vindo a aumentar o número de bolsas de doutoramento em meio não académico. Estas são bolsas desenvolvidas em cooperação com uma universidade, porque é a universidade que confere o grau de doutor, mas em que o trabalho de doutoramento não é realizado na universidade. É desenvolvido em empresas, podendo também decorrer no setor público, como em hospitais, entre outras entidades.
Mas a componente das empresas é muito importante. Se estabelecermos esta relação mais cedo, quando o estudante de doutoramento está a desenvolver a sua tese, estamos a demonstrar às empresas a importância de terem doutorados nas suas equipas. A metodologia que se desenvolve durante um doutoramento, não apenas o conteúdo da tese, mas também o desenvolvimento pessoal e a forma de trabalhar que lhe está associada, pode ser aplicada em diferentes contextos e trazer uma capacitação que constitui uma vantagem competitiva para as empresas ou para outras entidades.
Não é suposto que as universidades onde [os alunos] fazem o doutoramento absorvam todos esses estudantes. Não faz sentido, porque as universidades não precisam de todos esses doutorados.
Portanto, em termos de bolsas, tínhamos 451 em 2023, passámos para 550 em 2025, e agora, em 2026, aumentámos para 600 bolsas de doutoramento em meio não académico. Já as bolsas em meio académico mantiveram-se em cerca de 1.000. Temos vindo a reforçar o investimento na componente não académica.
O objetivo é aumentar esse número para 2027?
HC: Isso, mais uma vez, ficará definido no contrato-programa. Portanto, neste momento, não estamos a dizer o que vai acontecer em 2027, porque isso dependerá desta consulta à comunidade e, depois, da decisão final que ficará plasmada no contrato-programa.
Mas esta relação que a AI² pretende, e vai conseguir, estreitar é muito importante. É isso que acontece noutros países. Quando temos estudantes de doutoramento a desenvolver o seu grau, não é suposto que as universidades onde fazem o doutoramento absorvam todos esses estudantes. Não faz sentido, porque as universidades não precisam de todos esses doutorados.
Mas esses doutorados são muito importantes se estiverem no mercado de trabalho, em centros de interface, em empresas, como já referi, na Administração Pública ou em instituições de solidariedade social.

Por exemplo, um dos grandes problemas das associações, e estou a falar do setor social, é que muitas vezes poderiam candidatar-se a programas de financiamento existentes, mas acabam por ter de contratar consultoras porque não têm nos seus quadros pessoas com a capacitação que um doutoramento proporciona e que lhes permite, por exemplo, preparar candidaturas e captar mais financiamento.
Portanto, um dos aspetos que queremos que seja compreendido por todo o ecossistema é que fazer um doutoramento não significa que a pessoa vá necessariamente seguir uma carreira numa universidade ou na investigação científica. Significa que pode vir a ser gestor de ciência, comunicador de ciência ou trabalhar em muitos outros contextos para além da universidade.
O valor atribuído a cada bolsa, quer doutoramento, quer de investigação, já está definido?
Temos tido uma tabela que se tem cumprido e depois, no próximo ano, isso também ficará definido mais uma vez no contrato de programa.
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