OLX. Como a plataforma ganha com as compras por impulso

Rita Marques, responsável pelo OLX em Portugal, fala ao ECO em novidades que poderão estar relacionadas "com um serviço de entrega".

OLX, é p’ró menino e p’rá menina. ? A música ficou no ouvido dos portugueses quando a campanha inundou as televisões, em 2013. A plataforma internacional de compra e venda de artigos em segunda mão apresentava-se ao país com uma abordagem irreverente, rompendo com a desconfiança e ignorância mais ou menos generalizada que ainda existia perante este tipo de serviço.

Hoje, o panorama é muito diferente. Com 1,1 milhões de visitas diárias (número avançado pela empresa), é um dos principais sites de classificados em Portugal e no mundo. É detido, em primeira instância, pelo grupo Naspers e, por cá, é operado pela FixeAds. O ECO conversou com a responsável pela plataforma, Rita Marques, que falou de crescimento, de novidades e de como as compras “por impulso” ainda são a galinha dos ovos de ouro do OLX.

Estamos a assistir a uma curva de consumo elevada e conseguimos perceber que voltamos a ter alguma tendência de compra por impulso e venda de seguida.

Rita Marques

Site manager do OLX Portugal

Como é que o OLX se tornou naquilo que é hoje?

Tudo começou com uma grande campanha de marketing, com a identificação de uma oportunidade de mercado que existia. Ao longo destes dois anos tivemos um investimento muito grande e conseguimos captar uma grande base de utilizadores. A partir daí, o crescimento dá-se de forma orgânica. Todos os anos há dois momentos onde vemos um grande crescimento de consumo e de navegação mobile. É no início do verão, por causa das campanhas das operadoras, e no Natal e pós-Natal, por causa da renovação do parque de smartphones.

Em 2016 tiveram um boom na aplicação. Vai estagnar?

Esperemos que não. Penso que não estagna, no sentido em que todos os anos nascem crianças e todos os anos temos novas camadas de adolescentes. Nos últimos anos, a percentagem de miúdos que vejo com doze, catorze, dezasseis anos a já terem um smartphone é cada vez maior.

Mas possivelmente não compram no OLX…

Não compram, mas podem ir lá ver coisas. Vemos que os miúdos já nascem techies. Nesse sentido vamos ter sempre margem de crescimento porque, todos os anos, vamos ter novos adopters do OLX pelos mais variados motivos.

O certo é que o mercado dos smartphones tem vindo a desacelerar.

Eu não lhe chamaria um desaceleramento. Há é um alcance maior. É a maturidade do mercado e, portanto, a margem de crescimento que temos vai sendo cada vez mais reduzida até que haja uma nova tendência e, depois, sejam os smartwatches ou seja um outro dispositivo que possa surgir no nosso imaginário daqui a dez anos e que nós não sabemos.

"Vamos ter sempre margem de crescimento porque, todos os anos, vamos ter novos adopters do OLX.”

Rita Marques

Site manager do OLX Portugal

Os portugueses estão a comprar e a vender mais artigos em segunda mão, ou já o faziam dantes, de outras formas, sem ser através de plataformas como o OLX?

Sim, estão mais sensibilizados para isso. Estamos a assistir a uma curva de consumo elevada e conseguimos perceber que voltamos a ter alguma tendência de compra por impulso e venda de seguida. Comprei, usei, já não quero mais e vou vender a seguir. Isso nota-se.

É o consumismo?

É o consumismo. E nota-se em algumas categorias. Nota-se nos jogos eletrónicos: compro, chego ao final do nível e vendo, porque quero ir comprar outro. Acontece com moda e acontece muito com livros também. Os livros são um item que é caro. Quando sai o último livro de José Rodrigues dos Santos, sai a 23 euros, na semana a seguir tenho o mesmo livro no OLX por dez ou 12 euros. Há muita gente que vende e este era um fenómeno que eu não conhecia.

Que novidades estão previstas para breve?

Poderão haver novidades em relação à execução da transição em si.

Poderá ter a ver com a SIBS e o MB Way?

Poderá ter a ver com métodos de pagamento, poderá ter a ver com um serviço de entrega. Somos sensíveis ao que as pessoas nos dizem.

Há algumas novidades [previstas para breve]. Poderão haver novidades em relação à execução da transição em si.

Rita Marques

Site manager do OLX Portugal

Ainda há muita gente que não usa o OLX, por receio de que aconteça alguma coisa?

Acho que, hoje em dia, já não se coloca essa questão. Se me dissesse isso em 2013, eu concordaria. Hoje em dia não me parece. No momento em que se dá uma transação no OLX, há aqui um plim. Há aqui um bling nos olhos das pessoas. Eu fico contente porque vendi uma coisa e fiz algum dinheiro com isso. E o comprador ficou satisfeito porque conseguiu comprar este telefone por um ótimo preço e ainda tem a garantia! Para algumas pessoas, acaba por ser aditivo.

Mas não podemos ignorar que existem tentativas de fraude. Acontecem por vezes. É uma realidade.

Sim, não vou negar. Mas acaba por ser também responsabilidade de quem está a fazer a transação. Nós damos todas as orientações para se fazer a transação de modo seguro. Aconselhamos as pessoas a encontrarem-se pessoalmente, a não fazerem pré-pagamentos por transferência bancária, a poderem verificar se o produto está em bom estado ou não. Até porque quando há uma transação cara a cara, há sempre uma possibilidade de negociar. Mas voltando à questão das fraudes, acaba por ser às vezes o facto de as pessoas não seguirem os nossos conselhos.

"No momento em que se dá uma transação no OLX, há aqui um plim. Há aqui um bling nos olhos das pessoas. (…) Para algumas, acaba por ser aditivo.”

Rita Marques

Site manager do OLX Portugal

Onde se gera a receita do OLX?

Dois pilares fundamentais: temos receitas que vêm da parte de advertising dentro do site — vendemos placements. Com um milhão e cem mil visitas por dia, conseguimos gerar muito tráfego. E depois temos parcerias com algumas entidades que querem estar connosco e que fazem publicidade dentro do nosso site e a restante parte da rede que vendemos aos diferentes publishers que estão no mercado. Depois, o segundo pilar do nosso revenue é aquilo que nós chamamos de “revenue do utilizador” e que advém, sobretudo, de destaques que as pessoas compram dentro do site: tenho o meu carro para vender, tenho alguma urgência, quero que seja visto por toda a gente e compro um destaque no OLX.

Quais são os próximos desafios para o OLX?

Continuar a crescer juntamente com as novas gerações e com aquilo que nos resta do market size, bem como acompanhar as tendências das camadas cada vez mais jovens. Não identifico uma dificuldade propriamente dita.

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