“Riscos associados à IA devem ser levados muito a sério”, alerta CEO da DE-CIX
Ivo Ivanov alerta para os riscos associados à IA, explica que os Açores têm potencial estratégico e afirma que a infraestrutura de IA deve ser desenvolvida em conjunto com a infraestrutura energética.
O presidente executivo (CEO) da DE-CIX, Ivo Ivanov, adverte que os riscos associados à inteligência artifical (IA) devem ser levados muito a sério e que os Açores têm potencial estratégico.
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“Os riscos associados à IA devem ser levados muito a sério, mas uma desaceleração generalizada seria difícil de definir e quase impossível de implementar a nível global”, afirma o executivo de uma das maiores operadoras globais de pontos de troca de tráfego de internet (Internet Exchanges ou IXP), permitindo a interconexão direta entre redes, operadores e serviços de ‘cloud’, quando questionado sobre o tema.
“A melhor abordagem é a inovação responsável, apoiada por regras claras, transparência, normas de segurança e responsabilização por aplicações de alto risco” e a Europa “deve assumir um papel ativo no avanço desta abordagem, construindo as capacidades, a infraestrutura e a experiência necessárias para moldar a IA de acordo com os valores europeus”, defende Ivo Ivanov.
Questionado sobre um eventual abrandamento do desenvolvimento da inteligência artificial, o CEO da DE-CIX propõe outra linha. “Em vez de recuar no desenvolvimento da IA, a Europa deve ajudar a garantir que a inovação e a responsabilização andam lado a lado”. Para a DE-CIX, “isto significa disponibilizar a infraestrutura digital segura, resiliente e soberana, ajudando a criar as condições para que a inovação responsável em IA possa prosperar”, defende.
Para o CEO, “os governos têm um papel essencial no estabelecimento de salvaguardas, na definição de responsabilidades e na regulamentação de aplicações de IA de alto risco”.
No entanto, prossegue, “a intervenção deve ser dirigida, baseada na evidência e coordenada a nível internacional”. Caso contrário, “a inovação pode simplesmente migrar para outras regiões, aumentando a dependência tecnológica da Europa”, avisa.
A Europa “necessita tanto de uma regulamentação inteligente como de uma infraestrutura digital de classe mundial. A DE-CIX não decide quais os modelos de IA que devem ser desenvolvidos; o nosso papel é disponibilizar a conectividade segura, resiliente e transparente que permite às organizações controlar para onde os seus dados se movem e onde as cargas de trabalho de IA são processadas”, remata.
Questionado sobre o papel dos Açores na conectividade, o responsável salienta que estes “têm potencial para se tornarem muito mais do que um ponto intermédio geográfico no Atlântico”. Com novos sistemas de cabos submarinos, como o Nuvem e o Atlantic CAM (Continente-Açores-Madeira), “as ilhas estão a reforçar a sua posição como uma porta de entrada digital estratégica entre a Europa, a América do Norte, a África e a América Latina”, salienta.
Isto “melhora a resiliência e a diversidade da conectividade transatlântica, ao mesmo tempo que cria novas oportunidades para a região”, adverte. No entanto, “os cabos por si só não criam um centro digital. Para gerar valor duradouro, necessitam de ser complementados por centros de dados, redes locais, energias renováveis, competências digitais e interligação neutra”, enfatiza o gestor.
Na DE-CIX, “vemos o nosso papel como o de ligar redes, fornecedores Cloud, empresas e plataformas de IA, ajudando a transformar a conectividade internacional num ecossistema digital regional próspero, em vez de simplesmente uma rota de trânsito”, conclui.
“A infraestrutura de IA deve ser desenvolvida em conjunto com a infraestrutura energética”
O presidente executivo (CEO) da DE-CIX, Ivo Ivanov, considera, em entrevista por escrito à Lusa, que a infraestrutura de IA deve ser desenvolvida em conjunto com a energética, aumentado a capacidade de uso da energia renovável.
Questionado sobre o que pode ser feito para mitigar o impacto do consumo energético, o executivo refere defende que “a infraestrutura de IA deve ser desenvolvida em conjunto com a infraestrutura energética”.
Ou seja, “significa aumentar a utilização de energia renovável, melhorar a eficiência dos centros de dados e dos processadores e localizar a capacidade de computação onde a energia sustentável está disponível”.
Para Ivo Ivanov, construir inteligência artificial de forma responsável “não se resume apenas à tecnologia — trata-se também da forma como utilizamos os recursos de forma eficiente”. Nesse sentido, “precisamos também de um modelo de infraestrutura mais distribuído” e “nem toda a carga de trabalho de IA tem de ser executada no mesmo local de hiperescala”.
A DE-CIX “permite que as empresas interconectem com segurança ‘data centers’ distribuídos, plataformas de ‘cloud’ e infraestruturas de IA, permitindo que os recursos de computação sejam colocados onde a energia e a capacidade estão disponíveis, mantendo ao mesmo tempo um elevado desempenho e resiliência”.
“Acreditamos que a corrida da IA não será apenas ganha por algoritmos. Será ganha por aqueles que construírem a infraestrutura que liga a IA de forma segura, sustentável e além-fronteiras”, enfatiza Ivo Ivanov.
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