Na Estónia, com um olho no céu e outro na Rússia

Em quatro meses de missão NATO na Estónia, o destacamento de cerca de 95 militares e quatro F-16 da FAP intercetaram mais de 25 aeronaves russas. Próximos meses serão de tensão com a Rússia.

Num dos pontos mais turísticos de Talin, o choque de realidade que é viver ao lado de um vizinho gigante e hostil aterra aos nossos pés quando menos esperamos. Na esplanada de um restaurante na zona velha da capital da Estónia, um cartaz dá um recado muito direto a Putin ou não estivéssemos a poucos metros da embaixada russa no país Báltico.

Se o passado histórico entre os dois países já não era o melhor, a invasão russa da Ucrânia só fez aumentar a tensão. E os números falam por si. Na região Báltica já foram detetadas mais de uma dezena de incursões de drones russos no espaço aéreo. Em quatro meses de missão na Estónia, no âmbito de uma missão de defesa aérea NATO, o destacamento de cerca de 95 militares e quatro F-16 da Força Aérea Portuguesa intercetaram mais de 25 aeronaves russas nas suas mais de 500 horas de voo. E tudo indica que os próximos meses não irão melhorar a relação entre Moscovo e a Europa.

“A Rússia não interrompeu a reforma das suas Forças Armadas. Apesar de estar a conduzir uma guerra de agressão em larga escala contra a Ucrânia, continua a reformar e a reconstruir o seu exército. Está a deslocar para a nossa vizinhança mais do dobro do efetivo militar, mais do dobro do equipamento, entre outros meios. Ou seja, está a reforçar as suas capacidades militares e nós temos de responder a isso”, disse o ministro da Defesa da Estónia, Hanno Pevkur, aos jornalistas durante a visita à base aérea de Amari.

Em quatro meses de missão na Estónia, no âmbito de uma missão de defesa aérea NATO, o destacamento de cerca de 95 militares e quatro F-16 da Força Aérea Portuguesa intercetaram mais de 25 aeronaves russas nas suas mais de 500 horas de voo. E tudo indica que os próximos meses não irão melhorar a relação entre Moscovo e a Europa.

 

A sombra do vizinho faz-se sentir a vários níveis, nem sempre tão evidentes como um drone ou avião a cruzar os céus. “Relativamente à nossa região, compreendemos claramente que os próximos oito meses serão bastante difíceis, porque muitos de nós teremos eleições. Haverá eleições na Suécia, na Finlândia, na Letónia e na Estónia. Além disso, a França realizará eleições presidenciais. Perante este contexto, compreendemos que a Rússia não se concentra apenas nas ações militares, mas também nas ações híbridas”, alerta o responsável. “Influenciar ou tentar condicionar eleições faz parte, digamos, da sua caixa de ferramentas. É, por isso, que temos de permanecer muito vigilantes.”

A presença das forças NATO na região é, por isso, importante para os esforços de defesa do país, mas também para o resto da Europa. “O destacamento e o desdobramento das forças aqui demonstram claramente que, tal como é importante manter fechada a porta da frente, isso tem exatamente a mesma importância para Portugal”, realça o ministro da Defesa da Estónia. O país está ele próprio a investir fortemente em defesa — para 5% do PIB — e quer aumentar a cooperação industrial com Portugal.

Da Estónia, Nuno Melo também indicou que até ao final do ano conta ter os restantes processos de compras militares via SAFE concluídos — estamos a falar de veículos blindados de duas rodas, satélites e drones, por exemplo — e deu sinais que “em breve” poderá arrancar o processo de renovação dos F-35. Será uma segunda metade do ano com os holofotes sobre o setor de defesa.

A Tekever poderá abrir aqui portas para mais oportunidades para o setor nacional, com o ministro da Defesa da Estónia a revelar que tem em curso um processo de contratação pública com a fabricante de drones nacional que, em maio, abriu escritório no país, tendo ainda participado no “Spring Storm 2026”, o maior exercício operacional do ano das forças militares da Estónia, com mais de 12 mil participantes. Aguardemos pelos resultados do concurso.

Da Estónia, Nuno Melo também indicou que até ao final do ano conta ter os restantes processos de compras militares via SAFE concluídos — estamos a falar de veículos blindados de duas rodas, satélites e drones, por exemplo — e deu sinais que “em breve” poderá arrancar o processo de renovação dos F-16. Será uma segunda metade do ano com os holofotes sobre o setor de defesa.

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