UEFA vai boicotar Mundial se FIFA mantiver planos de nova entidade comercial
A decisão ocorre depois de a FIFA anunciar que planeia venda de uma posição minoritária numa nova entidade comercial que vai gerir patrocínios e inventário publicitário das suas competições.
A UEFA e as suas 55 associações nacionais, incluindo a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), rejeitaram esta quinta-feira “de forma unânime e inequívoca” a proposta da FIFA para concentrar os direitos comerciais do Mundial de Futebol e de outras competições numa nova entidade comercial, cuja participação minoritária seria aberta a investidores privados.
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A oposição foi além da rejeição da proposta. As associações concordaram ainda em não participar em quaisquer competições da FIFA, incluindo o Mundial de Futebol Feminino em 2027 e o Mundial de 2030 — coorganizado por Portugal — “enquanto estas propostas se mantiverem ativas”, explica a UEFA, em comunicado.
A decisão só será revertida quando esta proposta for “totalmente abandonada e sejam dadas garantias vinculativas de que a FIFA nunca mais abrirá a sua governação ou as suas competições à propriedade privada”. O primeiro teste ao boicote poderá ocorrer em outubro, quando estão previstos os play-offs europeus de qualificação para o Mundial Feminino de 2027.
“O Mundial de Futebol da FIFA não pode ser tratado como um produto de investimento. É um dos maiores legados desportivos do futebol, construído ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e adeptos em todos os continentes. Nenhuma parte deste património deve alguma vez ser cedida a investidores privados. O Mundial não está à venda“, lê-se ainda.
Em causa está a intenção da FIFA de vender uma participação minoritária numa nova entidade comercial, avaliada em cerca de 20 mil milhões de dólares (aproximadamente 17,6 mil milhões de euros), com o objetivo de capitalizar o sucesso do Campeonato do Mundo de 2026.
Este veículo corporativo geriria receitas, patrocínios e inventário publicitário, assim como direitos de transmissão. O organismo liderado por Gianni Infantino pretende captar até 4,2 mil milhões de dólares (3,7 mil milhões de euros) junto de privados, surgindo a Thrive Capital, de Joshua Kushner (cunhado de Ivanka Trump — filha do presidente dos EUA), entre os interessados.
Para pressionar a adesão ao projeto, o presidente da FIFA fixou como prazo o dia 19 de setembro para que as 211 federações-membros aceitem o modelo, sob pena de sofrerem consequências financeiras.
“As associações nacionais de todo o mundo enfrentam agora um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou sofrer as consequências. Isto não é uma ‘decisão democrática’, mas sim governação por intimidação — um ato de coação indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo futebol global”, responde agora a UEFA.
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