Exclusivo Exército está a recrutar e tem mais de 2.000 vagas

Até junho, mais de 800 militares fizeram juramento de bandeira, uma subida de 36,7%, fixando-se o número de ingressos nos 623 em Regime de Contrato e 34 nos Quadros Permanentes.

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  • O Exército Português está a abrir mais de 2.000 vagas para recrutamento na segunda metade do ano, com foco em voluntariado e contratos.
  • Até junho, o número de militares que juraram bandeira subiu 36,7%, com 857 novos juramentos, refletindo um esforço contínuo de recrutamento.
  • O plano estratégico "Força Terrestre 2045" prevê um aumento significativo de efetivos, exigindo um investimento de 154 milhões de euros até 2028.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O Exército Português está a recrutar e tem mais de 2.000 vagas previstas para a segunda metade do ano. A maioria é para regime de voluntariado e de contrato, mas o ramo quer igualmente preencher vagas para o regime de contrato especial e quadro permanente, inclusive para oficiais. Até junho, mais de 800 militares fizeram juramento de bandeira, uma subida de 36,7%, fixando-se o número de ingressos nos 623 em Regime de Contrato e 34 nos Quadros Permanentes.

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“A capacidade de recrutar, formar e manter militares qualificados constitui uma condição essencial para assegurar a prontidão das forças, regenerar os efetivos e garantir o cumprimento das missões atribuídas ao Exército, em território nacional ou no quadro dos compromissos internacionais assumidos por Portugal”, defende porta-voz do Exército Português ao ao ECO/eRadar.

O ramo das Forças Armadas tem neste momento vários processos de recrutamento a decorrer. “Para o segundo semestre de 2026 encontra-se prevista a abertura de 2.007 vagas, distribuídas pelos diferentes regimes de prestação de serviço e categorias militares”, revela porta-voz do Exército Português.

A maioria das vagas é para os regimes de voluntariado e de contrato. “Estão previstas 1.630 vagas, das quais 70 para Oficiais, 120 para Sargentos e 1.440 para Praças. A abertura dos respetivos procedimentos deverá ocorrer de forma faseada, com particular incidência nos meses de setembro, outubro e novembro”, detalha o porta-voz.

No regime de Contrato Especial estão previstas 51 vagas, das quais sete para Oficiais e 44 para Sargentos, com procedimentos previstos para novembro e dezembro.

Mas o Exército Português pretende ainda recrutar para os Quadros Permanentes. “Estão planeadas 326 vagas, distribuídas por 88 Oficiais, 118 Sargentos e 120 Praças. As vagas para Praças encontram-se previstas para julho, enquanto os concursos destinados a Oficiais e Sargentos estão programados para setembro”, refere a mesma fonte do ramo das Forças Armadas.

“Os dados apresentados correspondem ao número de vagas planeadas e não ao número efetivo de ingressos. A concretização destes últimos dependerá do desenvolvimento dos processos concursais, do número de candidatos, do cumprimento dos requisitos de admissão e da conclusão das diferentes fases de seleção e formação”, ressalva o porta-voz do Exército Português.

“O planeamento para o segundo semestre demonstra a continuidade do esforço de recrutamento e a intenção de responder às necessidades de regeneração das diferentes categorias e regimes de prestação de serviço”, aponta.

Ingressos e juramento de bandeira

Em junho, entre militares e civis, o Exército tinha à volta de 13.350 pessoas, mas para cumprir com os objetivos da “Força Terrestre 2045” — o plano estratégico de modernização, inovação tecnológica e reorganização do ramo para adaptar a força militar às guerras de alta intensidade do futuro — precisa de crescer até cerca de 22 mil militares e cerca de 3 mil civis, adiantava o Tenente-General e Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército Português, João Pedro Rato Boga de Oliveira Ribeiro, em entrevista ao ECO/eRadar.

A renovação das Forças Armadas tem sido, de resto, um tema junto do Executivo que, recentemente, deu OK — e cobertura financeira — para o crescimento dos efetivos militares das Forças Armadas Portuguesas até um total próximo dos 31 mil efetivos. O valor representa uma subida de 25,6% face aos atuais números de militares nos três ramos.

Em Conselho de Ministros, ficou estabelecido que, para o período de 2026 a 2028, as Forças Armadas terão um universo de 16,1 a 16,5 mil militares nos Quadros Permanentes, 13,7 mil em regime de voluntariado e contrato, e mais de 2,4 mil em formação, com crescimento gradual ao longo do triénio. Uma medida que vai exigir um investimento de 154 milhões de euros ao longo dos três anos.

O Exército mostra-se otimista com a capacidade de atração e retenção de militares no ramo. No primeiro semestre, um total de 857 militares juraram bandeira, dos quais 81 Oficiais, 125 Sargentos e 651 Praças. Um ano antes tinham jurado bandeira 627 militares. Ou seja, globalmente houve uma subida de 36,7% face aos primeiros seis meses do ano passado.

O aumento foi transversal às três categorias. Entre os Oficiais, o número de juramentos de bandeira passou de 56 para 81 (+44,6%), na categoria de Sargentos, o aumento foi de 76 para 125 militares (+64,5%) e entre os Praças registou uma subiu mais de um terço (31,5%) de 495 para 651.

No primeiro semestre o número de ingressos no ramo das Forças Armadas fixou-se nos 623 em Regime de Contrato e 34 ingressos nos Quadros Permanentes. No ano passado, ao longo de 2025 foram contabilizados 1.281 ingressos em Regime de Contrato e 284 nos Quadros Permanentes, valores acima dos 998 e 200, respetivamente, registados em 2024.

Os resultados alcançados até ao final de junho demonstram a “continuidade do esforço de recrutamento e de regeneração dos efetivos, processo que será prosseguido durante o segundo semestre através da abertura de novos procedimentos concursais”, destaca porta-voz do Exército Português.

Retenção: evolução positiva nos Quadros Permanentes

“Os resultados registados durante o primeiro semestre de 2026 evidenciam uma evolução positiva em dimensões relevantes da gestão de recursos humanos do Exército, designadamente na capacidade de atrair cidadãos para o serviço militar, qualificar e valorizar profissionalmente os militares, promover a estabilidade dos efetivos e preparar a regeneração futura da Instituição”, considera porta-voz do Exército Português.

O tempo médio de permanência dos militares no ramo da Armada, por exemplo, assinala uma “evolução positiva” na primeira metade do ano: três anos e sete meses no caso dos militares em Regime de Contrato.

“Em 2024 e 2025, a média tinha sido de três anos e seis meses. Os dados revelam, assim, uma estabilização da permanência média dos militares contratados em torno dos três anos e meio”, realça porta-voz do Exército Português.

Os resultados registados durante o primeiro semestre de 2026 evidenciam uma evolução positiva em dimensões relevantes da gestão de recursos humanos do Exército, designadamente na capacidade de atrair cidadãos para o serviço militar, qualificar e valorizar profissionalmente os militares, promover a estabilidade dos efetivos e preparar a regeneração futura da Instituição.

Exército Português

Porta-voz

Já nos Quadros Permanentes, a evolução é “mais expressiva”. “O tempo médio de permanência passou de 14 anos e dois meses, em 2024, para 16 anos e quatro meses, em 2025, atingindo 16 anos e nove meses em 30 de junho de 2026”, explicita a mesma fonte.

“Estes indicadores evidenciam uma maior consolidação dos efetivos dos Quadros Permanentes e uma ligação profissional prolongada à Instituição. No universo do Regime de Contrato, os valores apontam para uma permanência globalmente estável, embora a permanência dos militares continue a constituir uma área que exige acompanhamento permanente e a adoção de medidas capazes de valorizar o percurso profissional dos militares”, considera.

O Presidente da República, António José Seguro (D), num carro de combate Leopard 2A6 durante a visita ao Campo Militar de Santa Margarida, Constância, 30 de abril de 2026. A visita enquadra-se no acompanhamento direto das Forças Armadas, permitindo ao comandante supremo contactar com os meios, os militares e o nível de prontidão das unidades e observar no terreno as capacidades que o Exército disponibiliza ao serviço de Portugal e dos compromissos internacionais.PAULO CUNHA/LUSA

Aposta na formação

Nesse campo, o Exército tem apostado na formação certificada como instrumento de valorização do profissional, bem como fator de atração para o ramo. No primeiro semestre, 71 militares concluíram formação certificada de níveis IV e V do Quadro Nacional de Qualificações (QNQ). “Destes, 60 concluíram formação de nível IV e 11 obtiveram uma qualificação de nível V. No primeiro semestre de 2025, tinham concluído formação de nível IV 29 militares”, pormenoriza porta-voz do Exército.

“Considerando os cursos terminados durante os primeiros seis meses de cada ano, o número de formandos passou de 30, em 2025, para 75, em 2026. Este crescimento de 45 participantes corresponde a um aumento de 150%”, realça.

O número de formandos aprovados aumentou de 29 para 71, ou seja, mais 42 aprovações e um crescimento de aproximadamente 145% aos primeiros seis meses do ano passado.

Apesar do aumento do número de participantes, as taxas de aproveitamento mantiveram-se “em níveis elevados”, frisa o porta-voz. Os números são expressivos. No ano passado, a taxa de aprovação foi de 96,7%, tendo sido registada uma desistência e nenhuma eliminação. “Em 2026, a taxa de aprovação situou-se nos 94,7%, sem desistências e com três eliminações”, aponta.

“A qualificação de níveis IV e V do QNQ permite desenvolver competências técnicas e profissionais reconhecidas, reforçando a preparação dos militares para o desempenho de funções no Exército e contribuindo simultaneamente para a sua valorização futura no mercado de trabalho”, refere.

O Exército manteve ainda uma “atividade significativa” ao nível da formação profissional certificada, tendo sido emitidos na primeira metade do ano um total de 1.902 certificados, dos quais 616 relativos a formação modular e 1.286 a outras modalidades de formação profissional. Os números são ligeiramente abaixo dos números registados em período homólogo do ano passado, em que foram “emitidos 1.948 certificados: 631 relativos a formação modular e 1.317 referentes a outras modalidades de formação profissional”.

Estes resultados abrangem a atividade desenvolvida pela Escola das Armas, Escola dos Serviços e Escola de Sargentos do Exército, “refletindo o esforço continuado de formação, atualização e reconhecimento das competências adquiridas pelos militares”, destaca porta-voz do Exército Português.

O serviço militar proporciona ainda experiências profissionais diferenciadas, associadas à liderança, à capacidade de decisão, à disciplina, ao trabalho em equipa e à atuação em ambientes exigentes. Estas competências constituem um valor relevante tanto para o desempenho de funções militares como para o percurso futuro dos cidadãos que prestam serviço no Exército.

Exército Português

Porta-voz

“A formação constitui, assim, um instrumento central da competitividade e da atratividade do Exército. Para além de assegurar as qualificações necessárias ao cumprimento das missões militares, proporciona aos seus profissionais competências transferíveis e certificadas, com utilidade ao longo do respetivo percurso profissional”, aponta.

“A atratividade do Exército não depende exclusivamente do número de vagas ou da estabilidade profissional. Assenta num conjunto mais amplo de fatores, que inclui o sentido de missão e de serviço a Portugal, a possibilidade de integrar equipas qualificadas, a formação técnica e profissional, a experiência operacional, a participação em missões nacionais e internacionais e as oportunidades de desenvolvimento pessoal e de progressão na carreira”, sintetiza porta-voz do Exército Português.

“O serviço militar proporciona ainda experiências profissionais diferenciadas, associadas à liderança, à capacidade de decisão, à disciplina, ao trabalho em equipa e à atuação em ambientes exigentes”, destaca. “Estas competências constituem um valor relevante tanto para o desempenho de funções militares como para o percurso futuro dos cidadãos que prestam serviço no Exército”, conclui.

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