Reserva Federal congela taxas de juro enquanto espera esfriar do conflito no Médio Oriente

Incerteza criada pela nova escalada do conflito no Médio Oriente obriga banco central dos EUA a prolongar pausa iniciada em janeiro. 'Fed Funds Rates' ficam no intervalo 3,50%-3.75%.

ECO Fast
  • A Reserva Federal dos Estados Unidos decidiu manter as taxas de juro inalteradas pela quinta reunião consecutiva, refletindo incertezas económicas, especialmente devido ao conflito no Médio Oriente.
  • O comité de política monetária destacou que a atividade económica continua a crescer, mas a inflação permanece elevada, com uma meta fixa de 2% a ser mantida.
  • A decisão de não alterar as taxas poderá levar a um aumento quase garantido em setembro, dependendo dos dados sobre inflação e emprego que serão divulgados.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos manteve inalteradas as taxas de juro esta quarta-feira, pela quinta reunião seguida (e a segunda sob a liderança de Kevin Warsh), prolongando uma pausa iniciada em janeiro deste ano.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

A decisão do Federal Open Market Committee (FMOC, comité de política monetária), anunciada em comunicado, mantém as Fed Funds Rates no intervalo entre 3,5% e 3,75%. A maioria dos analistas e investidores esperavam que a Fed não mexesse no custo do dólar, apontando para a incerteza criada pela nova escalada na guerra no Médio Oriente como principal motivo para o banco central aguardar até, pelo menos, setembro.

“A atividade económica está a expandir-se a um ritmo sólido, apesar da elevada incerteza que se deve, em parte, ao conflito no Médio Oriente“, referiu a Fed, no comunicado que repetiu por completo o que fora emitido após a última reunião, a 17 de junho. Adiantou que o crescimento da produtividade e o investimento de capital apresentam-se fortes, enquanto a criação de emprego tem acompanhado o crescimento da população ativa, e a taxa de desemprego tem-se mantido praticamente inalterada.

“A inflação continua elevada em relação à meta de 2 % do comité, refletindo, em parte, choques de oferta que impulsionaram aumentos de preços em determinados setores, incluindo o da energia“, sublinhou, garantindo que “o comité irá garantir a estabilidade dos preços”.

Nove membros do comité votaram pela manutenção dos juros ao nível atual, enquanto três demonstraram preferência por uma subida de 25 pontos base para 3,75%-4%.

“Existe apenas uma meta, a de 2%”

O novo presidente da Fed já explicou várias vezes que no seu mandato o banco central vai emitir muito menos sinais aos mercados, menos guidance. Esta quarta-feira voltou ao assunto, explicando que o comunicado de apenas quatro parágrafos, tal como anteriormente, limita-se a apresentar os factos. “Evita fazer previsões, uma escolha que consideramos especialmente prudente nestes tempos de incerteza“, referiu, em conferência de imprensa.

Permitam-me reiterar, não existe uma meta de inflação flexível, não existe uma meta implícita flexível não enquanto este comité estiver no comando. Existe apenas uma meta e é de 2%

Kevin Warsh

Presidente da Reserva Federal

A incerteza, no entanto, não significa falta de clareza, adiantou. “Para algumas famílias, empresas e profissionais do mercado, cinco anos de inflação elevada deixaram uma impressão errada que é difícil de dissipar, mas a meta implícita de inflação da Reserva Federal estava, de alguma forma, acima dos 2%”.

“Permitam-me reiterar, não existe uma meta de inflação flexível, não existe uma meta implícita flexível não enquanto este comité estiver no comando”, sublinhou. “Existe apenas uma meta e é de 2%”.

Kevin Warsh, presidente do Conselho do Sistema de Reserva Federal dos EUA, discursa durante uma conferência de imprensa no Sistema de Reserva Federal em Washington, DC, EUA, a 17 de junho de 2026. O Sistema de Reserva Federal anunciou que as taxas de juro permanecerão inalteradas.EPA/WILL OLIVER

 

Warsh recusa pausa

Questionado sobre os fatores que levaram a Fed a decidir por uma pausa nos juros esta quarta-feira, Warsh rejeitou o termo. “Não caracterizaria o que fizemos como uma espécie de pausa”, defendeu. “Caracterizaria o que fizemos como uma análise rigorosa da situação económica, como uma análise das grandes e difíceis questões, e caracterizá-lo-ia como uma visão do que nos cabe fazer, para tentar resolver essas questões e enfrentar o período que se avizinha”.

“Se tentasse forçar uma descrição de que isto foi uma pausa, diria que os preços dos mercados financeiros apontariam para o contrário. Os preços dos mercados financeiros, neste período intermédio, não fizeram uma pausa“, salientou, adiantando que reagiram aos dados da inflação num sentido, ao forte crescimento económico no outro sentido, e as taxas nominais e reais subiram.

Warsh perguntou a si próprio, será que a Reserva Federal procedeu hoje a uma alteração explícita da sua taxa de política monetária? “Não, mas penso que este é o início da história, não o fim”, respondeu.

Antes da reunião, os mercados financeiros tinham descontado uma probabilidade de cerca de um em três de um aumento das taxas e, caso tal medida não fosse tomada na reunião desta semana, uma probabilidade de quase 100% de um aumento em setembro.

Nessa altura, os decisores da Reserva Federal terão em mãos mais dois dados mensais sobre a inflação e o mercado de trabalho, o que lhes dará uma visão mais clara sobre se as pressões sobre os preços, que se revelaram em declínio no mês passado, se mantiveram.

[Notícia atualizadas às 20h07 com citação de Kevin Warsh]

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Reserva Federal congela taxas de juro enquanto espera esfriar do conflito no Médio Oriente

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião