Municípios da região de Leiria querem captar investimento âncora e criar hub de inovação após Kristin
Municípios da região de Leiria querem aproveitar a reconstrução pós-Kristin para captar investimento, reforçar a indústria e tornar o território mais resiliente a futuras catástrofes.
Da criação de um hub de inovação de apoio à reindustrialização nas áreas da descarbonização e energias renováveis; à captação de um investimento âncora, alicerçado numa grande área de localização empresarial, até à afirmação do território como uma região piloto de resiliência energética e de comunicações, com linhas subterrâneas e redundâncias por satélite.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
São estas as propostas da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria para acelerar a recuperação económica e a competitividade do território, seis meses após a passagem da depressão Kristin. As três medidas constam de um documento divulgado esta terça-feira pela entidade representante dos 10 municípios deste território, que foi um dos mais fustigados do país pelo chamado comboio das tempestades, entre janeiro e fevereiro deste ano.
O presidente da CIM, Jorge Vala, entende que “a experiência destes seis meses confirma que a resposta à tempestade Kristin não se pode esgotar na reparação de danos”. Ainda que persistam “dificuldades estruturais que exigem resposta adicional e sustentada”. Entre elas, elenca, “habitações sem telhado definitivo ou ainda cobertas por lonas e plásticos; a precariedade das comunicações; obras de reparação em tribunais da Comarca de Leiria ou de instalações das forças de segurança cuja conclusão os respetivos ministérios só preveem para o final do ano”.
Denuncia igualmente a existência de “situações no terreno com prejuízos ainda não totalmente colmatados, obrigando as autarquias a mobilizarem verbas próprias perante a insuficiência dos apoios centrais“. Como aconteceu na Câmara de Leiria que já gastou 38,5 milhões de euros com trabalhos de recuperação do concelho na sequência da depressão Kristin, segundo o autarca Gonçalo Lopes contabilizou esta segunda-feira.
Precisamente com o objetivo de apoiar os municípios a fazer face às despesas decorrentes das tempestades, deverá abrir em breve o Fundo de Emergência Municipal (FEM), cujo montante ainda não foi revelado.

Apesar destas fragilidades, a CIM defende que, agora, a prioridade passa por “transformar esta crise numa oportunidade de desenvolvimento estrutural para o território, consolidando a região de Leiria como um espaço mais resiliente, mais competitivo e melhor preparado para os desafios climáticos futuros”.
Nesse sentido, a comunidade intermunicipal propõe um plano que prevê a instalação de um hub de inovação para a reindustrialização, em parceria com a nova Universidade de Leiria e Oeste, para potenciar a criação de uma Zona Livre Tecnológica (ZLT) regional dedicada a projetos nas áreas da descarbonização, energias renováveis e digitalização.
“Este hub deve funcionar como interface entre o conhecimento científico gerado na nova universidade e as necessidades concretas de modernização, capitalização tecnológica e diversificação do tecido industrial da região de Leiria, transformando a experiência da reconstrução numa vantagem competitiva duradoura”, lê-se no documento estratégico para os 10 municípios a que o ECO/Local Online teve acesso.
Transformar esta crise numa oportunidade de desenvolvimento estrutural para o território, consolidando a região de Leiria como um espaço mais resiliente, mais competitivo e melhor preparado para os desafios climáticos futuros.
Integram esta comunidade intermunicipal as câmaras municipais de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.
Atrair um investimento âncora, público ou privado, é outra das prioridades da CIM da Região de Leiria. Para isso, propõe a criação de uma grande Área de Localização Empresarial (ALE), preparada para acolher projetos estruturantes, em linha com a estratégia do Governo no âmbito do Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR).
Para afirmar a região “como um destino preferencial de investimento industrial em Portugal”, esta entidade defende que a ALE deve ter um “solo qualificado, infraestruturas robustas e um quadro de licenciamento célere”. A nova zona empresarial deverá responder igualmente à necessidade de relocalizar as empresas afetadas pelas tempestades que devastaram a região.
Nesse sentido, a CIM já pediu ao ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, que localize neste território uma das seis grandes áreas empresariais que anunciou recentemente para fixar empresas multinacionais no país.
Na proposta enviada ao ministro Castro Almeida, a CIM propõe a criação de uma rede policêntrica constituída por cinco Áreas de Localização Empresarial: Camporês, Monte Redondo, Zona Industrial da Marinha Grande, Carriço/Guia e Zona Industrial de Porto de Mós.
Por fim, a comunidade intermunicipal propõe transformar o território numa região piloto de resiliência energética e de comunicações, reforçando o investimento em linhas elétricas subterrâneas de distribuição elétrica. Para desta forma, justifica, “dar continuidade ao exemplo já em curso entre a Praia da Vieira e a Marinha Grande” de enterramento seletivo da linha de média tensão.
Neste âmbito, a entidade aponta ainda a necessidade de haver comunicações por via satélite e outras soluções de emergência.
“Esta medida responde diretamente à principal fragilidade identificada na Presidência Aberta: a insuficiente redundância da rede de distribuição elétrica e das telecomunicações em cenários de evento extremo”, nota a CIM no mesmo documento estratégico. Denuncia mesmo que a reposição da rede de comunicações móveis e de dados “continua a fazer-se de forma lenta, sem resiliência e persistem falhas de serviço“.
Segundo esta entidade, “o sistema elétrico foi um dos mais severamente afetados: a E-Redes reportou interrupção de fornecimento a cerca de um milhão de clientes, danos em 47 subestações AT/MT, mais de 6.000 quilómetros de rede e mais de 8.700 postos de transformação, tendo mobilizado cerca de 2.700 pessoas e 500 geradores para alimentação temporária”.
Por fim, a CIM deixa um apelo no sentido de “o papel dos municípios e da proteção civil como primeira linha de resposta continuar a ser reconhecido e reforçado com meios adequados”.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Municípios da região de Leiria querem captar investimento âncora e criar hub de inovação após Kristin
{{ noCommentsLabel }}