Jerónimo Martins lucra menos 3% em semestre “bastante mais exigente do que o esperado”
Dona da cadeia de hipermercados Pingo Doce, liderada por Pedro Soares dos Santos, viu as vendas crescerem 5,1% para 18,2 mil milhões entre janeiro e junho deste ano.
A Jerónimo Martins, que detém em Portugal os hipermercados Pingo Doce, teve lucros de 260 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, o que representou uma queda de cerca de 3,4% em comparação com os primeiros seis meses de 2025.
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Apesar da diminuição no resultado líquido, o grupo liderado por Pedro Soares dos Santos registou uma subida de 5,1% nas vendas, para 18,2 mil milhões de euros, de janeiro a junho, de acordo com o relatório publicado esta quinta-feira pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) fixou-se em 1,2 mil milhões de euros, mais 7,6% em termos homólogos, elevando a respetiva margem para os 6,8%.
Promoções sobem vendas do Pingo Doce
Em destaque esteve a operação em Portugal e na Colômbia, onde as marcas do grupo operaram com baixa inflação nos cabazes e o crescimento foi suportado pelo aumento dos volumes. No caso do Pingo Doce, as vendas cresceram 5,3% para 2,7 mil milhões de euros, com o Like For Like (LFL) – sem efeitos de abertura/fecho de lojas – nos 3,7%. Por sua vez, o Recheio vendeu mais 2,5%, atingindo 673 milhões de euros, com o LFL em 1,3%.
“Num contexto de consumo que permanece muito orientado para a procura de oportunidades de poupança, as campanhas promocionais do Pingo Doce, reconhecidas e valorizadas pelos consumidores, contribuíram para consolidar o desempenho de vendas”, informou a Jerónimo Martins, no documento enviado à CMVM.
A cadeia de lojas de bairro Ara, na Colômbia, foi a única insígnia com um crescimento a dois dígitos. As vendas subiram 30,2%, para dois mil milhões de euros, à boleia de um ‘carrinho’ composto por “crescimento dos volumes, num contexto em que a forte intensidade promocional e a competitividade do posicionamento de preço da Ara resultaram numa inflação muito reduzida no cabaz”.
Na Polónia, a forte queda da inflação alimentar, a partir de setembro de 2025, levou a Biedronka – que é o maior negócio do grupo – a operar com uma “enorme pressão” da deflação no cabaz. Nos últimos seis meses, as vendas cresceram apenas 1,7%, para 12,6 mil milhões de euros, e o LFL fixou-se em 0,2%, mas os volumes cresceram 5% e acabaram por compensar a tal deflação. Já a Hebe, a cadeia polaca especializada em produtos de saúde e beleza, vendeu 312 milhões, mais 5% face ao período homólogo.

O programa de investimento da Jerónimo Martins – que abrangeu, por exemplo remodelações em 18 lojas do Pingo Doce e uma inauguração – totalizou, nos primeiros seis meses do ano, 412 milhões de euros.
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"Num contexto que, ao longo do semestre, se revelou bastante mais exigente do que o esperado, designadamente no que diz respeito à forte pressão sobre os preços alimentares e aos custos relacionados com combustível, as companhias do grupo apresentaram um desempenho resiliente e sólido.”
O presidente da Jerónimo Martins esclareceu que, com informação disponível neste momento, o grupo não antecipa “uma melhoria significativa no contexto de operação no segundo semestre em qualquer dos países” onde tem atividade.
“O preço e as promoções manter-se-ão como o fator decisivo de compras alimentares dos consumidores, que estão no centro da estratégia de todas as nossas insígnias”, concluiu Pedro Soares dos Santos, na mensagem divulgada no relatório e contas.
Notícia atualizada às 18h22
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