Austrália avalia construção de primeira nova refinaria de petróleo em 60 anos
Austrália importa atualmente cerca de 90% dos combustíveis líquidos que consome, na sequência do encerramento progressivo de várias refinarias ao longo dos últimos 25 anos.
O Governo australiano anunciou o financiamento de um estudo de viabilidade de construção de uma nova refinaria de petróleo no estado da Austrália Ocidental, projeto que, a concretizar-se, será o primeiro deste tipo em 60 anos.
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O Executivo do primeiro-ministro, Anthony Albanese, e o governo do estado da Austrália Ocidental irão destinar quatro milhões de dólares australianos (cerca de 2,25 milhões de euros) a uma fase inicial de análise do projeto, que será desenvolvido por uma empresa privada, anunciou a ministra dos Recursos, Madeleine King, em declarações à imprensa.
A Austrália importa atualmente cerca de 90% dos combustíveis líquidos que consome, na sequência do encerramento progressivo de várias refinarias ao longo dos últimos 25 anos. Atualmente, apenas permanecem operacionais as instalações de Lytton, em Brisbane (leste), e de Geelong, no estado de Victoria (sul).
King afirmou que a iniciativa responde à deterioração do contexto geopolítico e à necessidade de reforçar a capacidade nacional de abastecimento.
“O conflito no Médio Oriente continua a gerar instabilidade no mercado energético mundial e a segurança do abastecimento de combustível é fundamental para o futuro da Austrália”, declarou a ministra numa entrevista à emissora pública ABC.

A ministra explicou que o estudo irá analisar a localização mais adequada para as infraestruturas, bem como a sua viabilidade técnica e económica, embora tenha salientado que o norte da Austrália Ocidental reúne características favoráveis, devido às suas infraestruturas industriais e ao acesso ao Oceano Índico.
A ministra australiana sublinhou ainda que dispor de capacidade própria de refinação permitirá ao país armazenar petróleo bruto durante longos períodos e processá-lo quando necessário, uma vantagem face à importação exclusiva de combustíveis refinados, cuja conservação é mais limitada.
O projeto faz parte de uma estratégia mais ampla do Governo australiano para reforçar a segurança energética, na sequência do aumento da volatilidade nos mercados internacionais de petróleo, que inflacionou os preços dos combustíveis.
O Governo australiano continua também a analisar a redução temporária do imposto especial sobre os combustíveis, cuja vigência expira no início de agosto. King evitou confirmar uma prorrogação, embora tenha assegurado que o Governo continua a avaliar medidas para atenuar o impacto do aumento dos preços da gasolina e do gasóleo nas famílias.
O anúncio suscitou críticas de grupos ambientalistas, como a Greenpeace, que consideram que a Austrália deveria acelerar a transição para as energias limpas, em vez de expandir as infraestruturas ligadas aos combustíveis fósseis.
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