Projetos Demonstradores: a oportunidade para transformar I&D em crescimento económico
Portugal tem vindo a reforçar a sua capacidade de investigação e inovação. O desafio passa agora por demonstrar, validar e acelerar a chegada dessas soluções ao mercado, reforçando a competitividade.
Foi recentemente publicado, no contexto do Portugal 2030, um novo Aviso para apresentação de candidaturas ao Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento (I&D) Empresarial para Projetos Demonstradores Individuais ou em Copromoção. Com uma dotação global de 12,5 milhões de euros, este instrumento pretende apoiar iniciativas que permitam validar e demonstrar, em ambiente real, tecnologias, produtos, processos e serviços resultantes de atividades de investigação e desenvolvimento já concluídas, contribuindo para acelerar a sua entrada no mercado.
Mais do que um novo mecanismo de financiamento, este Aviso reflete uma prioridade cada vez mais relevante para a economia nacional: garantir que o conhecimento produzido pelas empresas e pelas entidades do sistema científico se traduz efetivamente em valor económico, inovação e competitividade.
Nas últimas décadas, Portugal registou progressos assinaláveis no reforço das suas capacidades de investigação e inovação, com empresas, universidades, centros tecnológicos e outras entidades do sistema científico a desenvolverem competências reconhecidas em diversos domínios tecnológicos.
Os investimentos realizados ao abrigo dos programas de financiamento europeus, incluindo as Agendas Mobilizadoras do PRR, contribuíram igualmente para reforçar a colaboração entre as empresas e entidades de investigação, criando condições e formas de trabalhar colaborativas para o desenvolvimento de soluções com elevado potencial de mercado. Reflexo disto é o reforço do desempenho do país no European Innovation Scoreboard (EIS) 2026, com a subida à 15.ª posição do ranking e o registo de uma trajetória convergente com a média da União Europeia (UE), resultantes do fortalecimento do ecossistema nacional de investigação e inovação, sustentado pelo investimento em I&D, pela crescente colaboração entre ciência e empresas e pelo reforço das políticas públicas de apoio à inovação.
Contudo, continuam a existir diversos desafios ao nível da sua demonstração, uma vez que muitas soluções inovadoras apresentam potencial em ambiente laboratorial ou experimental, mas enfrentam dificuldades quando chega o momento de garantir a sua validação em contexto real e o seu lançamento no mercado.
É precisamente nesta etapa que os Projetos Demonstradores assumem particular relevância. Ao contrário dos restantes instrumentos de apoio à investigação industrial ou ao desenvolvimento experimental, esta tipologia centra-se em fases mais avançadas do ciclo de inovação. O objetivo não é gerar novo conhecimento de base, mas sim demonstrar, perante potenciais utilizadores e em condições reais de utilização, as vantagens técnicas e económicas de novas tecnologias, produtos, processos ou serviços, que ainda não se encontram suficientemente validados para exploração comercial. Por este motivo, o peso máximo das despesas de I&D com atividades classificadas como de investigação industrial encontra-se limitado a 25% do montante total do projeto.
O Aviso dirige-se a PME e empresas de Pequena-Média Capitalização (Small Mid Caps), admitindo candidaturas individuais ou em Copromoção com outras empresas e entidades não empresariais do sistema de investigação e inovação (ENESII), reforçando a importância crescente da colaboração entre todas as entidades. Assim, este novo Aviso surge como uma oportunidade particularmente relevante, num contexto de crescente complexidade tecnológica, no qual a articulação entre diferentes competências científicas, técnicas e empresariais poderá ser determinante para reduzir tempos de desenvolvimento, aumentar a qualidade das soluções e potenciar a sua valorização económica.
Os projetos devem apresentar um investimento elegível mínimo de 200 mil euros e ter uma duração máxima de 18 meses. As taxas base de financiamento são de 50% para o investimento em investigação industrial e de 25% para o desenvolvimento experimental, as quais podem ser majoradas até 80% para empresas e até 85% para ENESII (exceto na região NUTS II Lisboa, onde o limite máximo é 40%). As candidaturas podem ser apresentadas até ao final de 2026.
Merece igualmente destaque a forte componente de disseminação e aproximação ao mercado exigida pelos projetos. Para além da componente tecnológica, as operações apoiadas deverão incluir sessões públicas de demonstração em situação real e planos de divulgação junto de empresas e outros potenciais interessados, permitindo dar visibilidade às soluções desenvolvidas e acelerar a sua adoção. Esta exigência evidencia uma mudança de foco importante: não é suficiente desenvolver tecnologia, é necessário criar condições para a sua utilização efetiva e para a sua difusão no mercado.
Assim, à medida que Portugal evolui para uma economia cada vez mais intensiva em conhecimento, o sucesso da inovação deixará de ser medido apenas pelo número de projetos de investigação e desenvolvimento realizados ou pelas tecnologias criadas. O verdadeiro impacto será igualmente aferido pela capacidade de transformar esse conhecimento em produtos, processos e serviços adotados pelo mercado, capazes de gerar crescimento, produtividade e valor acrescentado.
Neste contexto, os Projetos Demonstradores do Portugal 2030 representam mais do que um instrumento de apoio ao investimento, assumindo-se como um passo essencial na aproximação entre ciência, tecnologia e mercado, contribuindo para que o conhecimento desenvolvido em Portugal se transforme, cada vez mais, em inovação com impacto económico e social efetivo.
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