Lucros da Galp disparam 44% até junho. Empresa vai reforçar o dividendo
Num semestre marcado pela guerra no Médio Oriente e consequente escalada dos preços do petróleo, os lucros da Galp dispararam 44% e a administração vai propor um reforço do dividendo para 70 cêntimos.
Os lucros da Galp dispararam 44% no primeiro semestre e alcançaram 812 milhões de euros, num semestre marcado pela escalada dos preços do petróleo, devido ao conflito no Médio Oriente e ao encerramento do Estreito de Ormuz. A informação consta do relatório semestral divulgado pela empresa esta segunda-feira.
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Em “reconhecimento” pelo desempenho “robusto”, boas perspetivas para este ano e “forte execução” estratégica, a administração da Galp revela que irá propor na assembleia geral de 2027 um aumento de 10% do dividendo anual, para 70 cêntimos por ação, realizando já em agosto de 2026 o adiantamento de 35 cêntimos na forma de dividendo intercalar.
“A Galp entregou mais um trimestre de forte desempenho operacional e financeiro, alavancando a qualidade dos nossos ativos e pessoas para capturar as condições de mercado. A robusta geração de cash durante a primeira metade do ano reforça a nossa confiança no outlook para 2026, refletida no nosso guidance atualizado”, escrevem os co-CEO da Galp, Maria João Carioca e João Marques da Silva, citados em comunicado.
Concretamente, a empresa espera agora alcançar quatro mil milhões de euros de EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) este ano, um aumento significativo face à previsão anterior, que apontava para os 2,6 mil milhões como o limite mínimo para o EBITDA de 2026. A estimativa de produção de petróleo também foi atualizada, de um intervalo de 125 a 130 mil barris ou equivalentes por dia para o topo desse intervalo, isto é, cerca de 130.
Esta performance, combinadas com a confiança nos desenvolvimentos em curso no portefólio, também sustentam o nosso compromisso com os retornos acionistas, com o Conselho de Administração a propor um aumento de 10% no dividendo de 2026 por ação na próxima assembleia geral.
Analisando as contas do primeiro semestre, no segmento Upstream, a Galp aumentou a produção de petróleo em 19% e a produção de gás em 8% até junho, fechando o período com um forte aumento do EBITDA deste segmento de 76%, totalizando 1.384 milhões de euros. A companhia destaca o aumento da produção no campo Bacalhau, no Brasil, durante o segundo trimestre.
Nos segmentos Industrial e Midstream, que inclui a atividade de refinação, a Galp registou uma ligeira queda semestral de 3% no processamento de matérias-primas, atribuída às tempestades que assolaram Portugal no início do ano. Todavia, a margem de refinação disparou de 5,9 para 15,8 dólares por barril de petróleo ou equivalente, num período em que o preço do barril de Brent se aproximou dos 120 dólares no final de abril. O EBITDA deste segmento aumentou 22%, para 656 milhões de euros.
Quanto ao segmento comercial, a Galp registou uma ligeira diminuição de 2% na venda de produtos petrolíferos. Concretamente em relação ao segundo trimestre, a empresa destaca uma quebra da procura em Portugal nos segmentos de consumo e empresarial, que mais do que suplantou o crescimento da procura pelos consumidores do outro lado da fronteira. Já as vendas de gás natural subiram 5% no semestre e as de eletricidade aumentaram 18%. Este segmento gerou 21% mais EBITDA do que no semestre anterior, 197 milhões de euros.

Nas renováveis, a capacidade instalada aumentou 29%, para 2,3 GW — isto antes de contabilizada a aquisição de 15 parques eólicos em Espanha, anunciada também esta segunda-feira, que elevou este indicador para 2,7 GW. A empresa vendeu 15% mais energia renovável nos seis meses até junho, mas o EBITDA derrapou 52%, para nove milhões de euros, principalmente fruto dos preços mais baixos da energia solar no primeiro trimestre.
No global, as receitas da Galp totalizaram 11.833 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, mais 20% do que no período homólogo, tendo a empresa registado também um agravamento dos custos dos bens produzidos de 14%. A dívida da empresa permaneceu praticamente inalterada no segundo trimestre nos 1,38 mil milhões de euros.
Negociações com Moeve “progridem construtivamente”
A Galp aproveita ainda para atualizar os investidores sobre o processo negocial para uma fusão parcial com a espanhola Moeve (ex-Cepsa), com a qual pretende vir a combinar ativos downstream como estações de serviço e refinarias. As conversações “progridem construtivamente”, indica a Galp, numa altura em que a intenção tem estado sob escrutínio, incluindo do Governo, por receios de que possa levar à perda do controlo nacional da refinaria de Sines.
“As discussões com os acionistas da Moeve continuam a progredir construtivamente, com todas as partes comprometidas a avançar com a transação que irá criar significativo valor estratégico e financeiro. Dada a escala da fusão proposta, um potencial acordo está agora em vista para ser assinado no segundo semestre de 2026″, reitera a empresa.
No início do mês, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, disse que o Governo está a acompanhar “com a máxima atenção” o acordo anunciado entre as duas empresas, “tendo como prioridade assegurar a continuidade da refinaria de Sines enquanto ativo estratégico nacional, defender a segurança do abastecimento energético e criar condições para o seu desenvolvimento no contexto da transição energética”.
(Notícia atualizada pela última vez às 8h19)
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