Luz Saúde distribui 45 milhões e novo acionista já vai receber
Grupo de saúde tem congelado dividendos para apostar num “ambicioso projeto de expansão”. Mas prepara-se agora para distribuir reservas livres após entrada de fundo australiano.
Em abril, a Luz Saúde decidiu congelar os dividendos porque mantinha “em curso um ambicioso projeto de expansão” do grupo. Cerca de quatro meses depois, prepara-se agora para distribuir perto de 45 milhões de euros em reservas livres junto da Fidelidade e também do novo acionista, o fundo australiano Macquarie, que há menos de um ano comprou uma participação de 40% por 310 milhões.
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A distribuição deste montante vai ser decidida pelos acionistas na assembleia geral marcada para o próximo dia 4 de agosto e cuja convocatória menciona que a Luz Saúde dispunha de 237,8 milhões de euros de reservas disponíveis para distribuir. Razão pela qual o conselho de administração liderado por Isabel Vaz propõe o pagamento de 44,9 milhões (correspondendo a um montante de 0,47 euros) “na proporção das respetivas participações sociais”.
Sobre a mudança na política de distribuição de resultados, fonte oficial da Luz Saúde disse que “tendo em conta a fase de desenvolvimento em que se encontra a empresa, entendeu-se ser este o momento adequado para avançar com esta distribuição de reservas livres”. A Fidelidade não quis comentar.
A seguradora detida pela Fosun e a Caixa Geral de Depósitos (CGD) prepara-se para receber assim aproximadamente 27 milhões de euros por conta da sua participação de quase 60% na Luz Saúde — cerca de 0,14% estão nas mãos de pequenos acionistas.
Já o fundo australiano, com 40% do capital da Luz Saúde, vai encaixar 18 milhões e já começa a ter um retorno financeiro do seu investimento concretizado em setembro.

Lucro dispara 64% no ano passado
Com 15 hospitais e 24 clínicas em todo o país e mais de sete mil trabalhadores a tempo inteiro, a Luz Saúde registou um crescimento de 10% das receitas no ano passado, totalizando 807,2 milhões de euros.
Para Isabel Vaz, este “forte desempenho operacional, numa conjuntura de elevada pressão nas várias vertentes dos custos, em particular os custos salariais, num contexto de escassez de profissionais de saúde e da crescente competitividade pelo talento à escala europeia e global”, contribuiu para a subida do resultado líquido do grupo no ano passado, mas não foi o único fator.
Os lucros dispararam quase 64% em 2025, superando os 63 milhões de euros. Mas, segundo explica no relatório e contas do ano passado, este resultado foi influenciado por um efeito não recorrente de 18,1 milhões de euros relativos a uma disputa contra o Estado sobre uma reclamação de reequilíbrio financeiro do contrato de gestão do Hospital Beatriz Ângelo relativo ao período de pandemia de Covid-19.
Em dezembro do ano passado, o tribunal arbitral deu razão à Luz Saúde no pedido de reposição do equilíbrio económico-financeiro interposto pela subsidiária que geria o hospital de Loures (cuja PPP terminou em 2022), condenando o Estado a pagar uma compensação no montante de 31,4 milhões. O Ministério Público recorreu de uma parte da decisão do tribunal arbitral, e se tiver razão, a compensação poderá baixar. Daí que o grupo tenha reconhecido um valor inferior àquele que foi determinado pelo tribunal arbitral.
Investimento quase duplica para 160 milhões
Por outro lado, o investimento praticamente duplicou no ano passado, atingindo os 158,9 milhões de euros.
Este valor inclui capex de expansão e manutenção da rede Hospital da Luz no valor de 121,5 milhões, dos quais quase 84 milhões são referentes à expansão das suas operações, nomeadamente no desenvolvimento de novas unidades de saúde em Santarém, Leiria, Aveiro e na expansão do Hospital da Luz Torres de Lisboa.
Considera ainda o investimento realizado na aquisição de participações de 51% no Hospital de Loulé, que conta com um hospital e cinco clínicas em Loulé, Vilamoura, Tavira, Almancil e Olhão, concluída já em 2026, e de dois Centros de Bebé em Lisboa e no Porto (Infrapetagi), no valor de 37,4 milhões de euros.
A Luz Saúde tem ainda em curso obras no novo hospital em Santarém e em duas novas unidades ambulatórias em Leiria e Coimbra, tudo com abertura prevista para a segunda metade deste ano, e está a preparar ainda a expansão e upgrade clínico no Hospital da Luz Setúbal, que deverão ficar concluídas dentro de dois anos.
(notícia atualizada às 12h56 com declaração da Luz Saúde)
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