Ofertas de emprego registadas no IEFP crescem 23%. Serviços e indústria lideram

Centro de Relações Laborais destaca "desempenho favorável" do mercado de trabalho, mas alerta para estagnação da produtividade aparente do trabalho, tanto por trabalhador como por hora trabalhada.

Apesar dos desafios, o mercado de trabalho português continua a verificar um “desempenho favorável“, tendo as ofertas de emprego crescido quase 23% no último ano. De acordo com o relatório apresentado esta terça-feira pelo Centro de Relações Laborais (CRL), os setores dos serviços e da indústria foram os que mais contribuíram para este acréscimo de oportunidades recolhidas pelos centros do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

“As ofertas de emprego recebidas nos centros de emprego aumentaram em 2025, invertendo-se, assim, a tendência de decréscimo verificada nos últimos anos“, começa por observar o CRL, no “Relatório sobre emprego e formação”.

“O número de ofertas cresceu 22,8%, atingindo cerca de 134,1 mil registos em 2025″, é detalhado na análise que foi apresentada esta tarde no Ministério do Trabalho.

Em termos setoriais, os serviços e a indústria foram as áreas de atividade que mais contribuíram para essa subida das oportunidades de emprego. No primeiro, registaram-se mais 16,2 mil ofertas do que em 2024, e no segundo mais 7,3 mil.

Aliás, o Centro de Relações Laborais frisa que o setor dos serviços continuou a concentrar o maio número de ofertas, totalizando 99,6 mil vagas em 2025.

Dentro do setor dos serviços, as atividades imobiliárias, o turismo (alojamento, restauração e similares) e o comércio (por grosso e retalho) destacaram-se como áreas com maior crescimento das ofertas de trabalho.

Já no que diz respeito à indústria, a construção foi responsável por 6,7% do total de ofertas de emprego recebidas, “tendo registado uma subida de 53,6% face ao período homólogo”.

“Seguem-se as indústrias alimentares, das bebidas e do tabaco, com um peso relativo de 2,8%, a indústria do vestuário com 2,3%, a indústria metalúrgica de base e fabrico de produtos metálicos com 1,9% e o fabrico de mobiliário, reparação e instalação de máquinas e equipamento e outras indústrias transformadoras com 1,8%”, observa o Centro de Relações Laborais.

Por outro lado, na agricultura, o número de ofertas de trabalho também subiu, mas menos do que nestes dois setores já referidos (mais 1,3 mil ofertas face a 2024).

A par dessa trajetória das oportunidades de trabalho, também o número de colocações efetuadas pelos centros do IEFP aumentaram (15,7%) em 2025, face ao período homólogo. Foram, assim, colocadas em vagas de emprego mais 12,6 mil pessoas do que em 2024.

O novo relatório nota, contudo, que 69,2% das ofertas foram preenchidas através de colocações dos centros de emprego do IEFP.

Imigração, um dos grandes fatores de expansão

O relatório apresentado esta terça-feira dá conta também que o crescimento da população ativa continuou a refletir o contributo dos fluxos migratórios, com a imigração a manter-se como “um dos principais fatores de expansão da oferta de trabalho”.

“Os trabalhadores estrangeiros reforçaram a sua importância no mercado de trabalho nacional, representando já mais de um quinto dos contribuintes para a Segurança Social“, destaca o Centro de Relações Laborais.

Por outro lado, o relatório adianta que a estrutura do emprego manteve-se “relativamente estável, caracterizado pelo predomínio do trabalho por conta de outrem, dos contratos sem termo, do emprego a tempo completo e do setor dos serviços”.

A propósito, há a realçar que, entre 2024 e 2025, o número de contratos de trabalho registados na Segurança Social subiu 3,3%, apesar do número de novos contratos ter registado um acréscimo pouco expressivo (0,1%).

Numa nota menos positiva, o Centro de Relações Laborais avisa que, apesar da evolução favorável do emprego, “a produtividade aparente do trabalho permaneceu praticamente estagnada, tanto por trabalhador como por hora trabalhada, divergindo da União Europeia”. “Em contrapartida, a produtividade total dos fatores manteve uma trajetória de recuperação iniciada após a pandemia”, é realçado.

E, no que diz respeito aos salários, o novo relatório aponta para um aumento de 4,8% das remunerações em termos nominais, o que corresponde a uma desaceleração face aos dois anos anteriores. No total, as remunerações do trabalho situaram-se em 48,1% do PIB em 2025, valor convergente com a referência comunitária, é assinalado.

A análise do CRL frisa ainda que as políticas públicas de emprego e formação profissional continuaram a abranger um número expressivo de participantes. “As ações de formação promovidas pelo IEFP envolveram cerca de 609 mil participantes e as medidas ativas de emprego cerca de 77 mil pessoas”, remata o Centro de Relações Laborais.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Ofertas de emprego registadas no IEFP crescem 23%. Serviços e indústria lideram

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião