Custos com pré-reformas e fusão de balcões levam a queda de 14% do lucro do Santander Totta
Resultado foi penalizado por dois efeitos extraordinários: a contabilização do reembolso do adicional de solidariedade há um ano e custos de reestruturação. Ainda assim, CEO espera um bom ano.
O Santander Portugal viu o lucro baixar quase 14% para 434 milhões de euros no primeiro semestre, um resultado penalizado pela baixa de juros e, sobretudo, por dois efeitos extraordinários, um deles que resulta do facto de ter contabilizado o reembolso do adicional de solidariedade (considerado inconstitucional) nas contas de há um ano. Mas Isabel Guerreiro espera “um bom ano” de 2026.
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Além do adicional de solidariedade, cujo reembolso deu ao Santander quase 28 milhões há um ano e agora já não contabiliza, outro efeito one-off pesou nas contas deste semestre: os encargos de 18,8 milhões que o banco teve com o processo de transformação da rede de balcões e reformas antecipadas desde o início do ano.
Sem estes dois fatores, o resultado semestral, que inclui já três meses de Isabel Guerreiro na liderança do banco, desceu 5% para 452,8 milhões de euros, e que corresponde a uma rentabilidade dos capitais próprios (Rote) de 30,4%.
Isabel Guerreiro assumiu as funções de liderança do Santander Portugal no dia 1 de março, onde já era vice-presidente, na sequência da saída de Pedro Castro e Almeida para o cargo de administrador do risco do grupo espanhol, tornando-se na primeira mulher à frente de um grande banco em Portugal.

Processo “naturalíssimo” de reformas
Sobre as saídas de trabalhadores, Isabel Guerreiro considerou tratar-se de um “processo naturalíssimo” que está relacionado com reformas quando chegam à idade limite e também de pré-reformas — tinha 4666 trabalhadores no final de junho, menos 139 em relação ao final do ano passado.
A gestora rejeitou falar em cortes de balcões — no primeiro semestre o número de agências caiu 17 — mas em antes de fusões e ajustamento da rede comercial. “Não temos um target” para a dimensão da rede, sublinhou ainda. O banco tem vindo a apostar num novo tipo de balcão, o chamado Work Café e a fundir agências. Até 2028 serão meia centena destes novos espaços.
Guerreiro destacou que o banco tem o melhor rácio de eficiência na banca nacional e um dos melhores da Europa, com o cost-to-income a melhorar para 26,8%, e que reflete aos ganhos de produtividade com a “aposta forte em tecnologia”, designadamente a maior adoção de Inteligência Artificial.
No que toca à operação, a margem financeira — que resulta da diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e os juros pagos nos depósitos — cedeu 2,6% para 677,6 milhões de euros. O administrador financeiro, João Veiga Anjos, admitiu que o tema das taxas de juro mais baixas “ainda pesa bastante” na margem com o banco a ter uma diferença de 0,5 pontos em relação há um ano, que se está a esbater.
Quanto às comissões, subiram 5,5% para 259,2 milhões de euros, um aumento que Isabel Guerreiro se apressou a explicar, logo na intervenção inicial, que se deve ao aumento da atividade comercial e ganhos com a banca de investimento, dado que não houve mexidas no precário.
Garantia pública “não resolve problema de oferta”
Em termos de balanço, a carteira do Santander Portugal engordou 9,4% para 56,6 mil milhões de euros. Com o segmento da habitação a subir 8,4% para 26,1 mil milhões à boleia da garantia pública. Sobre se a medida devia continuar, os responsáveis do banco dizem que sim. “Teve impacto, permitiu que um conjunto de jovens, que noutras circunstâncias não poderiam ter acesso, conseguisse ter casa. Mas não veio resolver o tema fundamental da oferta“, declarou Isabel Guerreiro.
Para o administrador Miguel Belo de Carvalho, “o grande problema é de oferta” e enquanto isso não estiver “estabilizado”, a medida da garantia pública, que deverá terminar no final do ano, deve manter-se. “Não faria sentido terminar”, salientou, lembrando que outros países também têm esquemas de apoios a jovens que estão em vigor há mais de 10 anos.
Questionado sobre o aperto das regras macroprudenciais e que entra em vigor já no dia 1 de agosto, Isabel Guerreiro avançou que não terá um impacto material relativamente à concessão de crédito.
No lado dos depósitos, o banco registou um crescimento de 5,6% para 40,6 mil milhões de euros. Mais expressivo foi o acréscimo nos recursos fora de balanço, como fundos de investimento e seguro: somaram 11,1% para 10,2 mil milhões.
(notícia atualizada às 12h53)
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