Escalada dos preços devido à guerra encolhe lucros da Navigator. Plano de corte de custos poupa 28 milhões por ano
Escalada dos preços pesou nos resultados. Novo programa de corte de custos variáveis vai compensar metade do agravamento este ano e gerar impacto positivo anual de 28 milhões a partir de 2027.
A Navigator encerrou o primeiro semestre do ano com um resultado líquido de 49,1 milhões de euros, o que representa uma quebra de 42,3% face aos 85 milhões reportados no período homólogo de 2025. Numa primeira metade do ano marcada por tempestades em Portugal e pela guerra no Médio Oriente, as contas da papeleira portuguesa foram afetadas pela “escalada dos custos de matérias-primas, energia e logística”. Novo programa de corte de custos variáveis vai ajudar empresa a compensar metade do agravamento dos preços, este ano, e vai ter impacto positivo anual de 28 milhões a partir de 2027.
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O volume de negócios atingiu 868,6 milhões, abaixo dos 1.019 milhões de euros registados nos primeiros seis meses de 2025, enquanto o EBITDA baixou de 216,3 milhões para 143,4 milhões de euros, no primeiro semestre de 2026, segundo a informação divulgada em comunicado pela empresa à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

“Num contexto fortemente marcado por volatilidade económica e geopolítica, agravada pelas tensões no Médio Oriente e pela consequente escalada dos custos de matérias-primas, energia e logística, a Navigator demonstrou elevada capacidade de execução e adaptação, traduzida numa melhoria significativa dos resultados”, destaca a empresa em comunicado.
Para responder ao agravamento dos custos operacionais, a empresa lançou um novo programa de redução de custos variáveis, “cujas iniciativas deverão compensar quase metade deste impacto ao longo de 2026”, antecipa. Este programa deverá gerar um contributo positivo estimado em cerca de 28 milhões em 2027 e nos anos seguintes, “reforçando a competitividade e a capacidade de criação de valor da Navigator”, antecipa a companhia.
Em termos trimestrais, e depois de ter fechado os três primeiros meses do ano com uma quebra dos lucros de 64%, devido às tempestades e aos custos da energia, a empresa apresentou uma recuperação no segundo trimestre de 2026, com o volume de negócios a atingir 442 milhões, mais 4% que no arranque do ano, e o EBITDA a aumentar 21%, para 79 milhões.
“Este desempenho reflete a recuperação dos volumes e dos preços nos principais negócios, bem como o contributo crescente das áreas de Packaging e Tissue, que representaram mais de 30% do volume de negócios, reforçando a diversificação do Grupo e a sua resiliência”, justifica.
Após um início de ano condicionado por constrangimentos operacionais, o negócio de papel de impressão e escrita “evidenciou uma recuperação progressiva dos volumes e dos preços ao longo do segundo trimestre, num contexto de mercado ainda exigente”.
O índice de referência para o preço do papel de escritório na Europa valorizou cerca de 10 euros no segundo trimestre face aos primeiros três meses do ano, com a Navigator a implementar aumentos de preço na Europa que contribuíram para uma evolução positiva de 30 euros.
Já os preços médios de UWF da Navigator aumentaram 87 euros em junho face aos preços registados em dezembro, “o que representa uma subida percentual de dois dígitos e permite compensar o forte agravamento de custos”, explica a empresa.
Com um peso de cerca de um quarto do volume de negócios, o tissue registou um volume de vendas de tissue em toneladas em linha com o 1º trimestre, apresentando uma evolução positiva dos preços médios de 2%.
“As vendas fora de Portugal do negócio Tissue representaram 80% do volume de vendas no 1.º semestre de 2026 (vs. 54% em 2022, antes da integração da Tissue Ejea e Tissue UK), sendo os mercados mais representativos, o mercado espanhol, com 32% do total de vendas, o inglês, com 31% do total de vendas e o francês, com peso de 15% das vendas”, refere o comunicado.
O packaging, que representa mais de 6% das vendas da Navigator no 1.º semestre, registou um volume de negócios de 53 milhões de euros até junho, suportado por um aumento de perto de 50% no volume em toneladas, impulsionado pela crescente penetração em segmentos de baixas gramagens.
O investimento total ascendeu a 127 milhões de euros, dos quais cerca de 72 milhões foram aplicados em iniciativas de natureza ambiental ou sustentável.
Já o endividamento líquido baixou 10 milhões de euros, face ao final de 2025, para 693,2 milhões de euros.
Olhando para o resto do ano, a Navigator realça que “as perspetivas para o segundo semestre de 2026 continuam a ser influenciadas por um enquadramento internacional exigente e muito volátil, marcado por crescente incerteza económica e geopolítica, tensões comerciais e pressão sobre as cadeias de valor”.
Após a recuperação no primeiro semestre, a papeleira destaca que o mercado de pasta começou a evidenciar sinais de ajustamento na China durante o mês de julho, refletindo um contexto de procura mais moderada e uma maior disponibilidade de produção doméstica. “Apesar de ajustamentos de curto prazo, o enquadramento global para 2026 mantém uma expectativa de preços médios superiores aos registados em 2025, nomeadamente para fibra curta na Europa e na China“, antecipa.
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