Trade Republic desafia banca com IBAN português e juros de 3%
O banco alemão instala-se oficialmente em Portugal e entrega aos seus 200 mil clientes um IBAN nacional. A meta é duplicar a base de clientes nos próximos 12 meses.
A Trade Republic abriu a sua sucursal em Portugal, numa altura em que revela ter ultrapassado os 200 mil clientes no país, um número que duplicou em apenas 12 meses, destaca Pablo López, responsável regional da empresa para Espanha, Portugal e Grécia ao ECO.
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Com esta nova estrutura, o banco alemão passa a disponibilizar aos portugueses um IBAN nacional, com o prefixo PT50, algo que a instituição garante ser uma resposta direta aos pedidos dos próprios clientes.
Segundo Christian Hecker, cofundador da Trade Republic, a operação local permite agora oferecer “todas as vantagens de uma operação local, proporcionando a melhor proposta de valor para as finanças dos portugueses”, desde logo passará a oferecer um processo de reporte fiscal mais simples perante a Autoridade Tributária.
Pablo López sublinha que a decisão de abrir sucursal surge depois de a empresa operar no país desde 2022 em regime de livre prestação de serviços, e que o crescimento registado nos últimos meses justificou “este grande investimento no país”. Contudo, a abertura de sucursal não se irá traduzir na contratação de um número relevante de pessoal em Portugal, dado que a relação com os clientes continuará a ser feita por via digital ou telefónica, refere Pablo López.
Depois de duplicar o número de clientes em Portugal em um ano para 200 mil, Pablo López admite duplicar novamente a base de clientes nos próximos 12 meses e chegar ao final de 2026 com 300 mil clientes portugueses.
Para quem já é cliente do banco, a mudança de IBAN alemão para português não é obrigatória. Pablo López explica que a empresa vai enviar notificações por email e através da aplicação a partir desta quinta-feira, dando a escolher entre migrar ou manter a conta alemã. Porém, quem optar por não mudar deixa de ter acesso às vantagens da nova oferta, como seja a possibilidade de domiciliar o pagamento de serviços (água, luz) via débitos diretos e aceder a transferências e pagamentos locais instantâneos
Já os os novos clientes, passam a beneficiar de uma remuneração de 3% sobre o saldo disponível em liquidez até 50 mil euros, enquanto os montantes que excedam esse valor são remunerados à taxa do Banco Central Europeu, atualmente fixada em 2,25%, através de uma conta sem custos de manutenção.
Esta abordagem tem como foco concorrer com a banca tradicional, que, nas palavras de Pablo López, “oferece das taxas de remuneração de poupança mais baixas da Europa e cobra comissões elevadas”, embora a Trade Republic mantenha um histórico de queixas junto de plataformas de defesa do consumidor relacionadas com bloqueios de saldo e demoras em transferências SEPA, situações que a empresa atribui a processos de verificação de segurança.
Quanto ao que vem a seguir, Pablo López mostra-se confiante numa nova aceleração do crescimento em Portugal depois desta localização do IBAN. O responsável da Trade Republic admite como meta duplicar novamente a base de clientes no próximo ano, o que colocaria a empresa perto de 400 mil a 500 mil utilizadores no país, e adianta ainda a possibilidade de chegar aos 300 mil clientes já até ao final deste ano.
Para justificar este otimismo, López recorda o que aconteceu em Espanha, onde a introdução do IBAN local há um ano fez a base de clientes passar de 1 milhão para 2 milhões, um padrão que a empresa espera replicar agora em território nacional.
(Texto atualizado às 15h03 de 17 de julho com correção relativamente à remuneração a 3% da conta dos atuais clientes que migrem para o IBAN português).
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