Caixa vai contratar mil trabalhadores nos próximos cinco anos
Paulo Macedo promete investir significativamente na área da tecnologia e adianta que o banco público vai reforçar as suas áreas de Inteligência Artificial e análise de dados.
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai contratar cerca de mil trabalhadores nos próximos cinco anos, para reforçar sobretudo as áreas de Inteligência Artificial (IA) e análise de dados, anunciou esta segunda-feira o presidente do banco público, Paulo Macedo.
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“Vamos contratar mil pessoas nos próximos cinco anos. Temos contratado para as áreas de controlo, risco e jurídico. Hoje em dia, estamos a contratar sobretudo para IA e analytics”, declarou na intervenção inicial no encontro Fora da Caixa, organizado pela CGD, em Lisboa.
O investimento na área da tecnologia deverá situar-se entre os 800 milhões e os mil milhões de euros, segundo o banco. “A Caixa está a investir significativamente em termos de tecnologia. Veremos se temos capacidade de investir mais se for esse o caso”, prometeu Paulo Macedo.
No que toca à implementação da IA nos processos internos, Macedo revelou que o banco já formou mais de mil quadros e o objetivo é que todos tenham uma licença de Copilot (ferramenta de IA desenvolvida pela Microsoft) ou outra ferramenta. “Temos hoje mil e queremos passar para 6.000. Há uma questão: quando dermos a licença a todos ela já está ultrapassada, mas é um caminho que tem o seu mérito”.
Os supervisores têm salientado a necessidade de os bancos reforçarem os seus investimentos em novas tecnologias. Em março, numa conferência do ECO, Pedro Machado, membro do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE), destacou a importância de os bancos manterem níveis de investimento adequados em digitalização e tecnologias, mesmo que isso signifique que tenham de abdicar de dividendos.
Na semana passada, o supervisor europeu enviou uma carta aos líderes dos maiores bancos europeus alertando para a necessidade de desenvolverem planos para fazer face às ameaças da IA.
Por causa das novas tecnologias, os bancos estão de novo a reforçar os seus quadros, mas agora com outras competências. No final do ano passado, os bancos nacionais empregavam 51.636 trabalhadores, o que corresponde ao valor mais elevado desde o ano da resolução do BES, em 2014, de acordo com os dados divulgados recentemente pelo Banco Central Europeu (BCE).
2,5 mil milhões em crédito à habitação em 4 meses
Paulo Macedo abordou ainda a necessidade de Portugal e os portugueses terem um banco de capitais públicos. Na sua opinião, o banco público “tem de ter capacidade de intervenção no mercado da habitação”, por exemplo, caso contrário, “não vale a pena ter um banco público para ter 3% de quota de mercado”.
Neste ponto, deu conta de dados de produção na Caixa. “O mês passado fizemos 640 milhões de euros de crédito à habitação, o que dá em 4 meses 2,5 mil milhões de euro de crédito“, adiantou.
“Só faz isto quem fez de facto uma transformação profunda, quem consegue atrair clientes, que lhes dá uma resposta muito clara e competitiva”, frisou.
(notícia atualizada às 16h27)
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