Centeno questiona poupanças do novo projeto para a sede do Banco de Portugal
“Quando poupamos, mas temos menos recursos, não é bem uma poupança, é outra coisa”, atirou o ex-governador sobre o redimensionamento da futura sede do supervisor em Entrecampos.
Álvaro Santos Pereira anunciou que o Banco de Portugal vai poupar cerca de 40 milhões de euros com o redimensionamento do projeto para a nova sede da instituição em Lisboa. Mas o seu antecessor, Mário Centeno, questiona essas poupanças. “Quando poupamos, mas temos menos recursos, não é bem uma poupança, é outra coisa”, atirou.
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Centeno foi ouvido no Parlamento minutos depois de terminada a audição do atual governador. Santos Pereira trouxe uma novidade aos deputados: a nova sede do Banco de Portugal vai ocupar afinal um edifício (denominado A1) nos antigos terrenos da Feira Popular, em Entrecampos, e não dois (A2 e A3), como estava inicialmente previsto, num negócio que vai ficar entre 35 milhões e 40 milhões mais barato, incluindo o projeto core & shell e a fase do fit out (acabamentos).
Para Centeno, que assinou o projeto inicial em maio de 2024, as contas não são assim tão simples. Por exemplo, os serviços de tesouraria, que deveriam ser transferidos para a nova sede no plano inicial, vão manter-se no edifício da sede, localizada da Rua do Ouro, no projeto reformulado.
“Nas contas que tinham sido feitas até setembro do ano passado, o custo da tesouraria na sede aproximava-se dos 2 milhões de euros. (…) 2 milhões de euros em 50 anos são 100 milhões de euros”, respondeu. Por outro lado, também notou que o A1 é um edifício mais pequeno do que a soma das áreas do A2 e do A3.
“No momento em que o Banco de Portugal, naqueles longos meses, estudou aquela localização, não cabia no A1”, acrescentou. Mas “se em vez de secretárias de 1,4 metros forem de 80 centímetros, se calhar cabe”, atirou.
“Podemos pôr outras contas em cima da mesa e outros princípios, mas este era o princípio daquela escolha, não era outro. Depois, se se sentam todos, ou se não se sentam todos, se se sentam todos com mais espaço ou nas salas de reuniões, quando aparecerem todos no edifício. Oh, senhor deputado, um T2 na Avenida da República custa muito menos do que aquele espaço. Quando poupamos, mas temos menos recursos, não é bem uma poupança, é outra coisa”, atirou.
Edifícios já valorizaram 10 milhões
Centeno disse ainda que aqueles edifícios já estão mais caros. “Se o Banco de Portugal fosse vender hoje aqueles dois edifícios [A2 e A3] no mercado, ao preço que está a comprar o A1, teriam valorizado 10 milhões de euros. Não sei se acham que 10 milhões de euros é pouco na valorização de um investimento para o qual se gastou 57 milhões de euros, que foi o sinal que foi dado, em menos de um ano”, disse ainda.
“Se me apresentassem a esse negócio… Eu acharia brilhante”, completou de seguida.
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