O futuro dos seguros com conta, peso e medida para o cliente
Ana Pinto alerta que a personalização só será valorizada pelo cliente se ele perceber que os seus dados são utilizados para melhorar a sua experiência e não para a complicar.
O setor dos seguros encontra-se numa fase de mudança, fruto de uma consciencialização sobre a importância de estar protegido perante diferentes contextos de risco. Seja no ramo automóvel, vida, habitação ou saúde, ter um seguro é, atualmente, sinónimo de segurança. Esta evolução traz também uma mudança relevante na forma como as pessoas se relacionam com as seguradoras: o cliente já não procura apenas uma apólice, procura uma resposta ajustada à sua realidade.
A pessoa quer que o seu seguro se adapte ao seu contexto, às suas necessidades e ao seu momento de vida. No fundo, espera que o setor seja capaz de oferecer soluções mais personalizadas, simples e úteis. Atualmente, as seguradoras já dispõem de muita informação pertinente, que pode e deve ser trabalhada para criar serviços mais inteligentes e uma experiência verdadeiramente diferenciadora.
No entanto, a personalização não deve ser vista apenas como uma forma de adaptar coberturas ou preços. O seu verdadeiro valor está na capacidade de transformar informação em serviço. Isto significa conhecer melhor o cliente, antecipar necessidades, simplificar processos e garantir que, quando surge um problema, a resposta é rápida, clara e eficaz.
Este é um dos grandes desafios das seguradoras: estarem preparadas para agir em contextos de maior adversidade, sobretudo em situações como acidentes, temporais, cheias ou outras catástrofes. Nestes momentos, as pessoas querem sentir que a seguradora está ao seu lado e que tem capacidade para as ajudar.
É aqui que a tecnologia assume um papel determinante. O uso de inteligência artificial, automação e análise de dados permite uma gestão mais eficiente dos processos, desde a subscrição até à regularização de sinistros. A IA pode ajudar a identificar padrões de risco, apoiar decisões, acelerar triagens e reduzir tarefas repetitivas, libertando as equipas para situações que exigem maior acompanhamento humano.
A inovação tecnológica no setor segurador deve ser acompanhada por responsabilidade. Trabalhar informação sensível exige transparência, segurança e critérios éticos. A personalização só será valorizada se o cliente perceber que os seus dados são utilizados para melhorar a sua experiência e não para tornar a relação mais distante, complexa ou opaca.
O futuro dos seguros será, por isso, feito com conta, peso e medida. Com conta, porque terá de usar os dados de forma inteligente e responsável. Com peso, porque a confiança continuará a ser o principal ativo da relação entre seguradora e cliente. E com medida, porque cada pessoa espera uma solução ajustada à sua vida, ao seu risco e ao momento em que mais precisa de apoio.
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