Fed vai ter uma “boa discussão familiar” em julho relativo à orientação das taxas de juro, antecipa Kevin Warsh
O presidente da Fed admitiu que a instituição vai debater com intensidade a evolução das taxas de juro, mas recusou revelar o sentido da próxima decisão.
O presidente da Reserva Federal (Fed) dos EUA, Kevin Warsh, afirmou esta quarta-feira, no painel de encerramento do Fórum anual do Banco Central Europeu (BCE), em Sintra, que a próxima reunião do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC), agendada para dentro de quatro semanas, vai gerar um debate intenso entre os membros da instituição.
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“Vamos ter uma boa discussão familiar quando nos reunirmos daqui a quatro semanas”, declarou, recusando adiantar qualquer indicação sobre o sentido da decisão de política monetária.
Questionado sobre uma eventual subida de juros em julho, Warsh remeteu a resposta para o encontro do comité, notando que “há muitos dados que recebemos até essa reunião” e que, quando a porta da sala se fechar, “vamos ter um bom debate”.
A política monetária tem um efeito de contágio de uma das nossas economias para a outra, e esse efeito volta.
O presidente da Fed defendeu ainda a revisão dos métodos utilizados pela instituição para chegar às suas decisões. “Vamos traçar um novo rumo para pudermos tomar melhores decisões e fazer o correto”, afirmou, acrescentando que os progressos na compreensão dos efeitos da produtividade e de novos quadros de referência para a inflação são “algo que todos podemos usar”.
Sobre a interligação entre as economias desenvolvidas, Warsh sublinhou que as decisões de política monetária têm repercussões além-fronteiras. “A política monetária tem um efeito de contágio de uma das nossas economias para a outra, e esse efeito volta”, disse, citando uma intervenção do governador canadiano Tiff Macklin sobre o facto de todas as economias estarem a ser atingidas por uma série de choques, entre os quais o impacto da inteligência artificial nas despesas de capital das empresas norte-americanas.
Revolução da IA está apenas a começar, avisa presidente da Fed
O presidente da Fed dedicou parte da intervenção ao impacto da inteligência artificial (IA) na economia norte-americana, reconhecendo existir “uma questão séria sobre o momento em que a IA vai afetar o emprego”.
Warsh notou que a transformação tecnológica está ainda numa fase inicial, referindo que “estamos apenas na primeira ou segunda parte desta revolução” e que “a taxa de melhoria dos modelos de IA é exponencial”.
Segundo o responsável da Fed, os EUA “não têm receio de um crescimento económico impulsionado pela produtividade” e deverão sair beneficiados desta transformação, uma vez que, no seu entender, “não é um jogo de soma nula”.
Warsh acrescentou ainda que a Fed pretende que os ganhos de produtividade gerados pela inteligência artificial se estendam a toda a economia. “Estamos a torcer por um crescimento económico distribuído de forma abrangente. Isso é bom para os EUA e vai facilitar o trabalho de todos nós”, afirmou.
Questionado sobre o caráter inflacionário desse fenómeno, Warsh não deu uma resposta definitiva, indicando caber ao banco central avaliar se o efeito observado do lado da procura se estenderá a um conjunto mais alargado de bens.
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